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Discípulos missionários na sociedade e no meio ambiente

A Bíblia nos ensina que Deus nos criou para vivermos como filhos seus, como irmãos entre nós e em harmonia com o meio ambiente. Segundo o Documento da Conferência de Aparecida, Deus nos convoca a viver em comunhão com Ele, entre nós e com toda a criação (DA 470). O mesmo Documento insiste que os discípulos missionários de Cristo devem iluminar com a luz do Evangelho todos os âmbitos da vida social (DA 501). Também nos convida a louvar a Deus porque nos criou livres e com capacidade para amar! Louvar a Deus pela beleza da criação e pelo trabalho que nos une à sua tarefa criadora. Louvá-lo porque criou o universo como espaço para a vida e a convivência de todos os seus filhos e filhas e no-lo deixou como sinal de sua bondade e de sua beleza (DA 104, 125).
        Mas como se apresenta a nossa sociedade e como ela age em relação ao meio ambiente, à natureza, à obra divina da criação?
        Situação social e ambiental desafiadora
        Defrontamo-nos com profundas mudanças (DA 33) que provocam uma mudança de época (DA 44). Esta mudança de época se caracteriza pelo fenômeno da globalização que possui muitas dimensões – econômicas, políticas, culturais, comunicacionais. Se ela tem muitos aspectos positivos, carrega também muitos negativos. Pela universalização dos conhecimentos, pelo intercâmbio facilitado de bens, vai ao encontro da aspiração de unidade de toda a humanidade. Por outro lado, porque a globalização prioriza a dimensão econômica, sobrepondo-se às demais dimensões da vida humana, desencadeia um processo promotor de iniqüidades e injustiças múltiplas. Porque segue uma dinâmica de concentração de poder e de riquezas em mãos de poucos, produz a exclusão de todos os que não têm acesso à informação e aumenta as já grandes desigualdades neste Continente, no qual verdadeira multidão se encontra na pobreza. Pobreza que ganha nova conotação: pobreza de conhecimento e de uso das novas tecnologias (DA 60-62). Uma globalização assim, sem solidariedade, afeta negativamente os setores mais pobres, que, se já viviam situação de exploração e de opressão, agora vivem a da exclusão, pois passam a ser “supérfluos” e “descartáveis” (DA 65).
        Tal globalização deixa expostos muitos sofredores e novos rostos pobres. Entre eles estão os indígenas e afro-americanos, mulheres excluídas, jovens sem perspectiva de futuro, desempregados, migrantes, deslocados, sem-terra, trabalhadores da economia informal, meninos e meninas submetidos à prostituição, dependentes de drogas, pessoas com deficiências físicas, portadores e vítimas de enfermidades graves como a malária, tuberculose e HIV-AIDS, excluídos da convivência familiar e social, seqüestrados, vítimas da violência, do terrorismo, de conflitos armados (DA 65 e 402).
        O Documento de Puebla falava do crescimento da brecha entre ricos e pobres. O luxo de alguns poucos converte-se em insulto contra a miséria das grandes massas (DP 28).
        O Documento de Aparecida denuncia ainda o alarmante nível de corrupção nas economias, envolvendo tanto o setor público quanto o privado (70); a corrupção no Estado envolve os poderes legislativos e executivos em todos os níveis, alcançando também o sistema judiciário, que muitas vezes, decide em favor dos poderosos e gera impunidade, colocando em risco a credibilidade das instituições públicas e aumentando a desconfiança do povo (77); a exploração do trabalho que chega, em alguns casos, a condições de verdadeira escravidão (73); a deterioração da vida social, com o crescimento da violência, alimentada principalmente pelo crime organizado e o narcotráfico e grupos paramilitares (78).
        Realmente, na sociedade atual, a vida vai sendo invialibilizada. Impera uma cultura de morte. Muitas pessoas perdem a vida por causa dos acidentes de trabalho e de trânsito, por causa da violência dos roubos, seqüestros e assaltos. A vida de muitas pessoas é destruída pelo álcool, fumo, tóxicos e drogas. A cada dia, morrem 35.000 crianças de fome no mundo, enquanto se gasta 2 bilhões e 800 milhões de dólares por dia em armamento, sem falar dos gastos com animais de estimação, do luxo, do supérfluo e do desperdício.
        Em relação ao meio ambiente, há previsões alarmantes, para não dizer catastróficas. No início deste ano, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado às Nações Unidas, divulgou relatório de pesquisa prevendo um aumento de temperatura da Terra, aquecimento global, de 1°C a 7,5°C até 2080, num processo irreversível com graves conseqüências. Segundo os especialistas, o cenário é o mais sombrio já projetado pelo grupo em quase 20 anos de atividade. Só a desertificação e a salinização vão afetar 50% das terras aráveis da América Latina até 2050. Algumas conclusões do Relatório: efeito estufa agravará fome, e sede pode atingir 1 bilhão de pessoas; previsão para o século 21 é aumentar os casos de doenças no mundo; biodiversidade ameaçada com a extinção de um terço das espécies; milhões de pessoas ficarão vulneráveis a enchentes; ondas de calor podem matar milhares por ano; Documento admite savanização da Amazônia (vegetação baixa e longos períodos de seca).
        O Documento de Aparecida alerta que a grande biodiversidade e a rica sócio-diversidade da América Latina e do Caribe estão sendo alvo de apropriação intelectual ilícita (83); que a natureza foi e continua sendo agredida. A terra foi depredada. As águas estão sendo tratadas como se fossem mercadoria negociável pelas empresas, além de terem sido transformadas num bem disputado pelas grandes potências (84).
        O Documento também denuncia que o desenvolvimento econômico não leva em conta a preservação da natureza, com danos à biodiversidade, com o esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática. Aponta para a responsabilidade dos países industrializados por levarem um estilo de vida não sustentável (66).
        O compromisso do cristão na sociedade e no meio ambiente
        Cristo disse que seus seguidores devem ser luz do mundo, sal da terra e fermento na massa. Três realidades dinâmicas e transformadoras. Sendo luz, o discípulo fiel combate as trevas da mentira, da falsidade, da corrupção, da desigualdade. Sendo sal, ele conserva o gosto da vida, cura-a dos males que a ameaçam. Sendo fermento, desacomoda a sociedade e a faz crescer na justiça, na solidariedade, no bem e na verdade.
        Os primeiros discípulos de Jesus assumiram um jeito de viver que serve de referência para os cristãos de todos os tempos. Deixando-se conduzir pela Palavra de Deus, não estragavam a natureza e cultivavam relações sociais justas.
        O Documento de Aparecida ressalta que os leigos deste continente, em virtude de seu batismo, devem atuar à maneira de fermento na massa para construir uma sociedade de acordo com o projeto de Deus. Para isto, é indispensável sua adequada formação, à luz da Doutrina Social da Igreja (505). Necessária também a integridade moral dos políticos (507). É urgente criar estruturas que garantam uma ordem social, econômica e política sem iniqüidade e com possibilidades para todos. Estruturas sociais que promovam uma autêntica convivência humana, sem prepotência de alguns e que facilitem o diálogo construtivo para os necessários consensos sociais (384).
        Em relação ao meio ambiente, o Documento de Aparecida lembra ao discípulo missionário que Deus lhe confiou a criação para contemplá-la, cuidá-la e utilizá-la, respeitando a ordem dada por Ele. E a melhor maneira de respeitar a natureza é promover uma ecologia humana aberta à transcendência, com respeito à pessoa e à família, aos ambientes e às cidades, levando em conta as gerações presentes e futuras (126).
        O Documento traz a exortação de João Paulo II no dia 04 de abril de 1987, na homilia em celebração da Palavra em Punta Arenas, Chile, a todos os responsáveis do nosso planeta para proteger e conservar a natureza criada por Deus, dizendo: não permitamos que nosso mundo seja uma terra cada vez mais degradada e degradante (87).
        Em Maria, o discípulo missionário de Cristo encontra o modelo de quem quer uma sociedade e um meio ambiente em que a vida seja possível. Em seu hino, o magnificat, ela proclama que Deus quer uma verdadeira inversão da estrutura social injusta e opressora. Ela proclama profetica e corajosamente: Deus derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes. Despede os ricos de mãos vazias e sacia de bens os famintos. Por sua solicitude com os necessitados, demonstrada na festa de casamento em Caná da Galiléia, ela se torna referência, a quem o discípulo missionário de seu Filho pode recorrer nas carências sociais que o afligem ou fazem padecer seus irmãos. Lembramos bem o que acontecia naquele casamento. Estava faltando o vinho e os noivos iriam passar por humilhante constrangimento. Ela tomou logo a iniciativa e apresentou o problema a Jesus. O milagre aconteceu. A surpresa foi geral: aquele era o melhor vinho da festa.
        O discípulo missionário pode apresentar a Maria todas as carências da sociedade, que fazem sofrer mais aos pobres e marginalizados. Ela continuará a lhe dizer: faça tudo o que meu Filho ensinou. E haverá novamente o vinho melhor da festa da vida. Este melhor vinho que alegra a vida de todos é o amor, a justiça, a solidariedade, o serviço, enfim, relações sociais de igualdade e fraternidade. Este melhor vinho, com o pão da vida, é dado aos discípulos missionários na Eucaristia. Ela os alimenta para terem a força necessária de cuidar da vida na sociedade e no meio ambiente.
       
        Erechim, 21 de outubro de 2007, beatificação dos mártires Pe. Manoel e Coroinha Adílio
        Pe. Antonio Valentini Neto – Pároco da Catedral São José.



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