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A SANTIFICAÇÃO DO TEMPO

Com a celebração da festa de Cristo Rei, no próximo dia 25 de novembro, concluiremos o Ano Litúrgico de 2007. Quando olhamos para a história percebemos que nossa vida situa-se dentro de um tempo cronológico, mas mais ainda dentro de um tempo da graça divina (tempo kairológico).
Olhando para o centro de nossa fé, o Mistério Pascal de Jesus Cristo, nele encontramos o sentido ou, se preferirmos, os fundamentos que proporcionam uma atmosfera e uma realidade de santificação de nosso tempo, saboreando a ação em favor de toda a Igreja: Corpo Místico de Cristo, Povo de Deus, Templo do Espírito Santo e Sacramento Universal de Salvação (cf. eclesiologia do Vaticano II).
A celebração do Mistério Pascal é a base para entendermos a santificação do Tempo. A ação divina perpassa a realidade humana e derrama sobre ela os seus dons, os seus frutos, o que ela essencialmente é: Comunhão. Temos a possibilidade de experimentar novamente a Aliança, agora Nova e Eterna. Somos resgatados e inseridos no Coração de Jesus Cristo, naquela porta que se abre do alto da cruz para adentrarmos ao eterno.
Nossa vida humana e eclesial (de Igreja, na Igreja e como Igreja) se desenvolve dentro de um Tempo que às vezes independe da vontade humana (chuva, sol, calor, frio, vento, dia e noite, manhã e tarde), de um Tempo no qual construímos nossa história: gravidez, nascimento, primeiros meses de vida, os cuidados da família, os primeiros passos, os primeiros tombos, os primeiros dentinhos, a fase de criança, a adolescência, a juventude, a maturidade, a terceira idade, a morte. Percorremos um ciclo existencial e vamos deixando as marcas, escrevendo o livro de nossa vida e por fim, pela nossa experiência com a realidade divina, acorremos ao Templo, à Igreja, à Comunidade para celebrar estes diversos momentos. Queremos na verdade agradecer a Deus por ter voltado o seu olhar para cada um de nós ao longo desta caminhada.
Sendo assim, como uma grande Assembléia dos Chamados, dos Escolhidos, membros da Comunidade do Ressuscitado, adentramos numa “pedagogia de formação de cristãos”[1]: o Ano Litúrgico que, com seus Tempos Litúrgicos, transmite a sua extensa “carga” de significados espirituais, pelos quais podemos perceber que nossa história é santificada.
Dentro da pedagogia do ano litúrgico, a riqueza do conjunto de celebrações, textos bíblicos, sacramentos e sacramentais, a Igreja oferece-nos a possibilidade de vivenciarmos a “Páscoa do Cristo na Páscoa da gente e a Páscoa da gente na Páscoa de Cristo”. É importante lembrar que este mistério acontece também na vida de pessoas, homens, mulheres, crianças como nós e que hoje a Igreja proclama como Santos e Santas, mas não nasceram assim, foram construindo sua história de santificação pela graça divina e pela participação no projeto do Reino de Deus.
Ao fazermos a experiência dos Tempos Litúrgicos podemos recolher deles os elementos ou, no sentido figurado, os tijolinhos que vamos colocando na estrada de nossa vida, na busca pela santificação. É preciso entender que nesta pedagogia cristã alimentamo-nos com os sinais sensíveis, com a teologia expressa pelo próprio rito, pela música, pela Palavra proclamada, pela organização do próprio espaço celebrativo, pelo Corpo e Sangue oferecidos e repartidos na Assembléia Litúrgica.
No Tempo Comum, tempo de caminhada pedagógica, podemos experimentar o mistério pascal de Cristo. Período de 33 ou 34 domingos, divididos em duas grandes partes: nas Semanas que ocorrem depois do Batismo do Senhor até a Quarta-feira de Cinzas e da Segunda-feira depois de Pentecostes até o Começo do Advento. A cada domingo bebemos profundamente deste mistério de amor e por isso fazemos uma experiência mistagógica de nossa fé.
Caminhamos com o Cristo através dos sinais, dos elementos fundacionais (chamado, constituição da comunidade dos 12 apóstolos, entre outros), dos gestos e atitudes que manifestam o projeto salvífico e a implantação do Reino.
Nesta descoberta dos elementos cristológicos e eclesiológicos, vemos que os mesmos se manifestam ainda nas próprias Festas do Senhor, de Maria e dos Santos e Santas que acontecem dentro deste Tempo Comum. Contemplamos Maria como ícone da Igreja, nela se manifesta aquilo que Deus reserva à pessoa humana. Nos Santos e Santas de Deus contemplamos a concretização do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Tornam-se para nós testemunhas do Amor e do Projeto do Pai em favor da humanidade.
O caminho está apontado. Distante de nós? Acredito que não. A experiência mística é possível no cotidiano de nossa vida alimentada e fortalecida pela nossa Páscoa Semanal (Eucaristia Dominical: mesa da Palavra e do Sacrifício). Que a pedagogia do Ano litúrgico possa nos ajudar a fazer uma autêntica experiência do Homem de Nazaré e do Cristo pela Igreja, com a Igreja e como Igreja. Que percorrendo este caminho possamos ser santificados pela graça divina e nos tornarmos testemunhas autênticas do Mistério Pascal.
 

Padre Kleber Rodrigues da Silva

Fonte: CNBB



[1] Expressão muito utilizada pelo liturgista Serginho Valle.


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