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. : Catedral Santo Antônio :.
Dimensão antropológica da bênção

Introdução
 
Pretende-se com este texto, mostrar num primeiro momento, a busca da bênção por parte do povo especialmente dos mais pobres. Num segundo momento analisar-se-á a eficácia da bênção, e num terceiro momento os atores que se envolvem no ritual da bênção.
 
1. Quem são os que procuram as bênçãos
1.1 As pessoas estão doentes.
Problemas físicos: de coluna, reumatismo, gastro-intestinais, brônquio-pulmonares, doenças viróticas, câncer, problemas ginecológicos, doenças das vias urinárias, etc.
Problemas psicossomáticos: dor de cabeça, problema de nervos, tontura, stress, depressão, neuroses e psicoses de diversos tipos... (visões, ruídos, vozes, ansiedade, angústia...)
1.2 O povo está carente de bens materiais
Sente a falta de alimento, de remédios, de material escolar, de moradia, de vestuário...
E outras necessidades que a sociedade tem criado, como a de diversões.
2        O ser humano está carente de afeto.
Veio a corrida pela sobrevivência – corrida imposta pelo sistema, na busca do lucro, do consumo, do mercado. Tudo virou mercado, mercantilizou-se a vida (predomínio do elemento material). Tem que entrar numa disputa pelo emprego. Sente-se a insegurança do amanhã, o medo do futuro. As relações são mais superficiais, interesseiras, comerciais, de conveniência e da política da boa vizinhança. Houve um enfraquecimento das sociedades e grupos e dos vínculos de solidariedade. A pessoa quer amar e ser amada.
3        As pessoas estão desnorteadas.
A sociedade moderna/neoliberal propaga o individualismo. Implodiu a visão rural e pré-moderna de mundo e da vida, em que tudo estava estabelecido, orientado, definido, com base sobretudo na tradição, na família, na igreja e no trabalho. Trouxe a fragmentação da visão e a fragilização do ser humano. Esfacelou a família. Massificou e homogeneizou a população, corroendo as culturas e valores. As pessoas ficam sem uma visão global de mundo, desorientadas. Sentem-se ameaçadas; ameaça que pesa sobre os seus valores éticos e religiosos também. A sociedade atual desintegrou o ser humano interiormente. Desestruturou as instituições que davam estabilidade para a vida das pessoas: a família (a parentagem), o clube, o grupo de amizade, a comunidade e a própria Igreja.
3.1 As pessoas fazem o experiência do desencantamento da vida e do mundo.
 Hoje o passado cheira a atraso. A família é sentida como amarração e limitação. A igreja, como peso, exigência e compromisso. Valem as coisas novas, dinâmicas, vistosas. É a era da imagem, da agitação, do dinamismo, dos shows, do agito. Nos valores, vale a liberdade, a autonomia, a onda atual, o novo, o diferente. Nada de leis, de limites, de amarras, de prisões.
 Nesse contexto, as pessoas perdem a plausibilidade da vida. Ocorre um desencanto generalizado e um vazio de sentido. Carecem de sentido e de identidade. Carecem de relações mais profundas, que toquem no humano, que restituam a emoção, que dêem o gosto de existir e tornem a vida mais prazerosa. As pessoas não querem ser número apenas. Há necessidade de serem reconhecidas como gente.
4        Assim, na bênção as pessoas procuram proteção em favor da vida, da saúde e da paz. Sentir-se “abençoado/a”, pegar uma bênção, às vezes é muito mais do que equacionar um problema pessoal e momentâneo. É ter mais poder, dentro desse universo amedrontador, “é sentir que a minha vida faz sentido”. 
  
2.  A  função que a bênção produz
2.1  Preenche um vazio de legitimação, a partir do religioso.
Nesta terra estranha, onde ninguém é de ninguém, onde nunca se sabe no que vai dar, “ter a bênção” significa ter a vida legitimada, esta vida tem valor. Deus aceita e confirma esta realidade social e humana que está aí, e a minha vida dentro dela também. Receber a bênção é ter respaldado por Deus nosso espaço particular de vida.
2.2 Devolve a segurança e a plausibilidade para a vida pessoal.
Reforçando e/ou restabelecendo a relação com o divino, vê-se confirmado seu desejo de viver e seu sonho a ser construído; torna-se mais firme o chão a ser pisado e o caminho a ser trilhado; as adversidades são vistas como obstáculos a serem superados. A desordem da vida e do mundo, é reordenada pelo poder da bênção.
2.3 Restabelece a confiança, a alegria e o sentido de viver.
Por se acreditar abençoado por Deus, pendura-se no sobrenatural e no divino o sentido da história e do cosmos, e a pessoa pode mais. Supera o medo e a insegurança. Reaviva sua identidade como crente, ou temente a Deus. Torna-se mais forte na luta entre o bem e o mal, luta esta que se trava no seu corpo ou no interior de sua casa.
2.4 Dá atendimento na busca de soluções diversas, como curas, salvação em perigos, proteção em contrariedades, solução de problemas de amor, de vida familiar e dinheiro. Dá-se um alívio da opressão sofrida. A pessoa se reintegra interiormente. Segundo Benincá, há três tipos de suplicantes:
a) os que se dizem doentes e procuram a bênção para expulsar o mal;
b) os que não se consideram doentes, mas suplicam a bênção como prevenção contra o mal;
c) os que suplicam a bênção para obter bens materiais.
 
3. Como se processa a resolução das necessidades
·         A bênção sempre tem três elementos: a) o rezador/sacerdote/mago; b) o fiel suplicante que busca a bênção; c) o rito da bênção (no qual há gesto, símbolo e palavra/oração/fórmula).
·         Aquele que busca a bênção acolhe no “sacerdote” a presença do sobrenatural. Ele é o representante do divino, intermediário. Mas a fé, bem como a susceptibilidade do suplicante, é condição essencial para obter a graça.
·         O líder religioso é legitimado, a) por si próprio (carismático) - pelo seu saber e pela sua prática; b) pelo poder conferido por uma instituição.
·         Quando são benzedores auto-legitimados, não encontram legitimidade junto às instituições oficiais.
·         O acolhimento pessoal e individualizado - mais ainda, o toque, imposição das mãos, abraço, reacende a valorização do ser humano, mexendo no emocional e afetivo.
·         A bênção é vista como um rito ou uma palavra cheia de poder, através da qual Deus ou uma entidade sobrenatural concede seu favor ou sua proteção. O gesto e a palavra da bênção devem conduzir para o mundo simbólico, senão tornam-se vazios e ineficazes.
·         Na história da salvação e na anti-história representada pelo pecado, o homem recebe livremente as bênçãos divinas e é instrumento de bendição para os outros homens e para todas as coisas criadas. As bênçãos são expressões do amor criador e providente de Deus.
 
CONCLUSÃO
 
Antropologicamente, BÊNÇÃO pode ser entendida como:
-          uma relação de um fiel com Deus (ou entidade).
-          por iniciativa do fiel ou de um líder religioso.
-          na sentido de buscar proteção e ajuda (ou, no sentido negativo, maldição).
-          tanto para sua vida pessoal, como social, ou para realidades e objetos materiais importantes para sua vivência e uso.
 
Pode-se dizer que a bênção tem um potencial profundamente humanizador, por estes dois aspectos:
a)      pelo contato com o benzedor, a acolhida, o atendimento personalizado.
b) por sentir Deus tão próximo, Deus que salva, que liberta, que protege.
 
            Por isso, pedir ou celebrar a bênção constitui um ato de reconhecimento de que o criado e temporal, sem perder sua autonomia, está, juntamente com o homem, sob o cuidado amoroso de Deus e submetido a Cristo que vai recapitular em si tudo quanto existe. As bênçãos, portanto, além de apontar para Deus, referem-se também aos homens, aos que Deus rege e protege com sua providência; mas também se dirigem às coisas criadas, com cuja abundância e variedade Deus abençoa o homem.
            O abençoar manifesta esta prioridade do homem, quer dizer, das pessoas sobre os lugares e as coisas.
            A celebração das bênçãos manifesta a bondade e a harmonia da ordem da criação que se alicerça sobre o homem “em cujo favor Deus o quis e o fez tudo bem”... O homem trata de manifestar que utiliza de tal maneira as coisas criadas que com seu uso busca a Deus, ama a Deus, o serve com fidelidade como único ser supremo. As bênçãos se inscrevem necessariamente dentro da tendência religiosa do homem que o leva a confessar a grandeza de seu Criador e a referir a Ele tudo quanto existe. Sem dúvida, esta religiosidade pode sofrer desvios “de tipo supersticioso ou de rara credulidade”, mas enquanto movimento do homem para Deus é uma atitude positiva na ordem da graça e dos sacramentos. ( Dimensión antropológica de la bendición).
Parece que o símbolo, juntamente com o gesto, trabalha mais o inconsciente do fiel, incidindo sobretudo na dinâmica psicológica; enquanto que a palavra, trabalha mais no nível do consciente. Mas ambos podem operar uma mudança no modo de ver o mundo, de sentir e de ser.
Na prática,
- a bênção é dada por pessoas as mais diversas... (casa, saúde, pragas, crianças, sal, imagens, amuletos, terços, lojas, etc).
- o rito é extremamente diversificado; o local também.
- os suplicantes são das mais diversas classes e segmentos sociais.
- o sentido também é muito diferente para um e para outro.
- o resultado buscado e realizado é variadíssimo.
 
Bibliografia
BENINCÁ, Eli. Por que o povo pede bênção. Revista Liturgia set/out-95.
CEELBRAÇÃO DE BÊNÇÃO – Cadernos de Liturgia Nº. 7. Editora Paulus, 1996.
 
Pe. Ivo Oro


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