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Fonte: Católico.org
 
 
 
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O que fazere com o domingo

Durante longo percurso histórico (sobretudo no segundo milênio), em nossa Igreja, uma grande maioria de cristãos viu no domingo apenas o frio cumprimento da “lei” do descanso e do culto, sem motivação teológico-espiritual. Simplesmente se guardava o domingo e se ia à missa neste dia porque existia uma lei da Igreja que obrigava...
Hoje, já vivemos outra situação. Lá por sexta-feira ou sábado, quando as pessoas se despedem uma da outra, já é bastante comum dizer: "Bom final de semana!". Não se diz mais "bom domingo", como antigamente. Com algumas exceções, é claro... Mas, para uma grande maioria, o importante não é mais o domingo. O mais importante é o final de semana, do qual faz parte também esse dia. Temos que admitir que, para muita gente, o domingo simplesmente foi substituído pelo “final de semana”.
No mundo e na sociedade em que vivemos hoje, o domingo tem como característica a suspensão dos trabalhos. Trata-se de dia de folga e de folguedos, com início já na sexta à noite. Dia de lazer. Dia próprio para passear, viajar, fazer turismo, visitar amigos e parentes, brincar, ir à praia, fazer uma pescaria. Dia próprio para dormir um pouquinho mais, assistir um jogo de futebol, ir ao cinema, ao teatro, a um show, à igreja, comer num restaurante etc. Tanta coisa se faz no domingo, ou melhor, no final de semana. Existe inclusive toda uma indústria de prestação de serviços para atender à imensa demanda de lazer dos homens e mulheres de hoje. São as chamadas indústrias do lazer. Empresas de turismo, hotéis, restaurantes etc., para atender à folga dos finais de semana.
Para outros, mesmo sendo o dia próprio do lazer, o domingo também não deixa de ser um dia de trabalho. Certas necessidades do mundo hodierno obrigam pessoas a trabalharem nesse dia. Nos serviços de transporte, nos hospitais, em grandes indústrias com funcionamento ininterrupto, em indústrias do lazer etc. Outras pessoas, devido ao sufoco econômico que passam, aproveitam a folga do domingo para fazer algum biscate. Outras aproveitam a folga para construir ou reformar a casa, participar de algum mutirão... E assim por diante.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou em 1989 um documento sobre a “animação da vida litúrgica do Brasil”. É o famoso Documento 43. Nele, a CNBB aponta para as seguintes dificuldades em relação ao domingo:
 “Sentimos fundo no coração a deturpação do domingo, imposta pelas injustiças e pelo consumismo de nossa época dominada pelo espírito secularista. Alguns são obrigados a trabalhar no domingo por imposição de suas profissões. A caridade com que exercem seus deveres é seu sacrifício espiritual, já que estão impedidos de celebrar plenamente o dia do Senhor. Inaceitável, outrossim, é a sociedade que obriga multidões à luta pela sobrevivência por causa do trabalho mal remunerado, que desfigura o Domingo feito dia de horas-extras. A própria realidade urbana dificulta, muitas vezes, a vivência cristã do Dia do Senhor. Lamentamos também o consumismo secularista, que leva centenas de pessoas ao mero lazer, viagens e programas, que mais parecem criados para distrair ou dirigir as atenções em direção oposta ao culto e à religião. Corremos também o risco de esvaziar o sentido do Domingo com o excesso e superposição de comemorações, que pretendemos realçar neste dia, sem notar que não sobra espaço para celebrar o mistério pascal..." (n. 117-119).
Diante destas dificuldades, e de outras que eventualmente se possam apontar, nos perguntamos agora: Tem valor e sentido ainda o domingo? Se o tem, qual seria? Voltaremos ao assunto, tentando responder a estas questões.
 
                Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:       
 
  1. Como passamos o domingo em nossa comunidade? O que fazemos?
  2. Como passamos o domingo na família? O que fazemos?
  3. O que está sendo mais valorizado nesse dia?
  4. Além das dificuldades acima apontadas, que dificuldades você indicaria a mais, em relação ao domingo?
  5. Que dificuldades maiores você pessoalmente sente em relação do domingo?
  6. Entre as dificuldades todas, qual você julga a mais séria, e por que?
 
 

Frei José Ariovaldo da Silva



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