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Meditações pacifistas sobre a eucaristia II (2008)

I – RITOS INICIAIS

A assembléia dos não-violentos

 

A assembléia que se reúne para celebrar a Eucaristia é, ela mesma, a reunião do povo da paz, o povo que o Cristo resgatou quando, por sua morte, destruiu o muro que separava o povo pagão e o povo judeu e estabeleceu a concórdia (Ef 2, 14-17). Muitas comunidades, como a de Roma, no século III, vão recusar o batismo aos soldados[1], na certeza de que ao povo cristão é proibido matar. As comunidades primitivas se auto-entendiam também como realizadoras da profecia de Isaías das espadas transformadas em arados e do fim de toda guerra. Orígenes, no século III, assim se expressa: “Pois nós não pegamos mais em espada contra nenhum outro povo e nem nos dedicamos a fazer a guerra: em Jesus Cristo nos tornamos filhos e filhas da paz”[2]. Justino de Roma, no século II, ao se dirigir ao imperador para justificar o proceder cristão, insiste: “Nós estávamos antes cheios de guerra, de mortes mútuas e de toda maldade, mas renunciamos em toda a terra aos instrumentos guerreiros e transformamos as espadas em arados e as lanças em instrumentos para cultivar a terra, e cultivamos a pieda­de, a justiça, a caridade, a fé e a esperança”[3].

Assim como a obra do Cristo foi definida por quem escreveu as sagradas escrituras em chave pacifista, a própria vida cristã – a vida das e dos outros Cristos - pode ser descrita nesses termos. Já o salmista apresentava a busca da paz como um imperativo: a relação com Deus pode ser definida e sintetizada na máxima “procura a paz e vá atrás dela” (Sl 34,15). São Paulo, por sua vez, recordava aos coríntios o chamado de Deus para viver em paz feito à cada homem e mulher (1 Cor 7,15). Não é por acaso que no livro do Cântico dos Cânticos, o esposo toma o nome de Salomão, o pacífico (Ct 3, 11), enquanto a esposa é chamada de Sulamita, a pacífica (Ct 7,12). Quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, tornamo-nos a Sulamita, a comunidade da paz, unida ao Cristo-Salomão, Messias da Paz!

Da mesma forma que o Ressuscitado proclamou aos discípulos reunidos “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19.21.26), em muitas epístolas São Paulo, começava com a saudação “paz a vocês” (Rm 1, 7; 1Cor 1, 3; 2Cor 1, 2; Gl 1, 3; Ef 1, 2; Flp 1,2 etc.), assim também em cada assembléia eucarística, a paz do Cristo é dada como um dom ao povo reunido para celebrar. Ele mesmo torna-se a nova Jerusalém, a nova visão de paz[4] que nos é dada como revelação num mundo de tantas violências. Se a Jerusalém do tempo de Jesus não compreendeu as vias da paz (Lc 19,42), a assembléia litúrgica é a reunião dos homens e mulheres da paz (Lc 10,6) que acolheram a mensagem da salvação. O próprio ato de constituição da assembléia litúrgica realizado pelos ritos iniciais permite que ela mesmo realize aquilo que pede na oração da paz: “dá-nos segundo o vosso desejo a paz e a unidade”.

Dessa forma, participar da assembléia litúrgica e depor as armas tornam-se sinônimos. A participação na eucaristia torna-se um ato profético de recusa à violência, como se cada um e cada uma que dela participam entendessem como dirigidos para si as palavras do Senhor: “embainha a tua espada, pois todos os que tomam a espada morrerão pela espada” (Mt 26, 52). O que torna abominável a sua manipulação para bênção de exércitos e campanhas militares.

 

 

 

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

 

1 – Em que sentido a assembléia reunida é sinal e anúncio de paz?

 

2 – Como participar da assembléia litúrgica imbuído do Espírito de Cristo, príncipe da paz?



[1] HIPÓLITO DE ROMA, Tradição apostólica, 36.

[2] ORÍGENES, Contra Celso, V, 33.

[3] JUSTINO DE ROMA, Diálogo com Trifão, 110.

[4] Este é o significado etimológico da palavra Jerusalém: visão de paz.



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