| Seja bem-vindo! Hoje é
 
 
Acompanhe o santo do dia
Fonte: Católico.org
 
 
 
Home
Pároco
Atendimento na Paróquia
Estudos litúrgicos
Curiosidades
Catedral Sto Antônio
Pastorais
Regiões Pastorais
Padroeiro
Orientações Pastorais
Orações
Estudos e Reflexões
Espaço Litúrgico
Mensagens
Folheto Litúrgico
Contato
 
. : Catedral Santo Antônio :.
Meditações pacifistas sobre a eucaristia III (2008)

 

II – LITURGIA DA PALAVRA

O evangelho da paz

 

Reunido o povo, é servida a mesa da palavra. A atitude que guia a assembléia é aquela que orientou o salmista: “quero ouvir o que o Senhor irá anunciar, a paz para o seu povo e seus fiéis” (Sl 85, 9). O próprio São Paulo sintetiza o anúncio de Cristo como o “Evangelho da Paz” (Ef 6, 15), de forma que a paz não se apresenta tanto como um tema, mas como a própria chave de leitura e interpretação da palavra proclamada, seja das leituras bíblicas mas também das orações e outras palavras ditas no decorrer da celebração.

Há ainda entre nós, com variantes, uma espécie de teologia de guerra justa que, mesmo que não justifique explicitamente a guerra ou a violência, também não se posiciona claramente diante deles, numa aparente neutralidade. O evangelho da paz, isto é, a contribuição das comunidades cristãs com a construção de um mundo de paz, começa com o desvelamento das condições de produção da violência e da guerra. Lactâncio, um pai da Igreja do século IV, ao justificar que o cristão não devia realizar o serviço militar, afirmava: “Quando Deus manda não matar, não proíbe apenas o assassinato, que também é proibido pela lei do mundo. Mas Ele proíbe de realizar também aqueles atos que são considerados legais pelos homens”[1]. Da mesma forma, é importante que a leitura da Palavra de Deus faça-nos despertar frente à banalização da violência e da guerra que a sociedade promove e realiza, como se elas fossem elementos naturais e constituintes do cotidiano e da sociedade humanas.

Por outro lado, faz-se fundamental explicitar a teologia da paz, concretizando o mandato do Senhor de dizer “paz a esta casa” (Lc 10,5). No contexto da disseminação, por todos os modos, de uma vasta teologia da guerra, como afirmaram recentemente um grupo de Igrejas dos Estados Unidos “o silêncio equivale à traição”. Faz-se, pois, necessário resgastar o pacifismo perdido do cristianismo naquela direção que Erasmo de Roterdã, um humanista cristão da Renascença, afirmava: “a paz é o centro da fé cristã” (summa religionis nostrae pax). Em suma, trata-se de estruturar uma leitura e um olhar não-violentos do evangelho e das escrituras, tomando a bem-aventurança “felizes os que promovem a paz” como uma das chaves de interpretação da própria Palavra de Deus.

A mesa da palavra torna-se o espaço, por excelência, de formação da consciência cristã neste duplo caminho. Primeiro, o de descrer da guerra e da violência, como já nos advertia Inácio de Antioquia, pai da Igreja do século II: “nada é melhor que a paz: na qual toda a guerra se torna inoperante”[2]. Segundo, o de  aderir ao próprio caminho da paz, segundo a advertência de Santo Agostinho, bispo do século IV: “de maior glória é matar as mesmas guerras com a palavra do que aos homens com a espada; e obter e conservar a paz com a paz e não com a guerra”[3].

A palavra acolhida e interpretada transforma-se em energia pela oração. Aqui trata-se de recuperar a inspiração do salmista que convidava os peregrinos a rogar para que Jerusalém e todo Israel vivesse em paz (Sl 125,5). É uma espécie de motivo condutor, invocar a “paz sobre todo o povo” (Sl 29,11; Sl 122,6; 128, 6), também sobre aqueles que nos perseguem e nos fazem mal (Mt 5,44). Sustentar pela oração os grupos e instituições que trabalham pela paz, trazer ao coração de Deus as situações de violência e guerra, não cessar de pedir pela paz da terra, aparecem, no atual contexto, como elementos importantes que nenhuma assembléia litúrgica pode dispensar.

 Marcelo Rezende Guimarães

 

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

 

1 – Em que sentido e como o anúncio da Palavra é fonte de paz?

 2 – Como acolher a Palavra de Deus na assembléia litúrgica para que a paz se estabeleça na comunidade e no mundo?

 3 – Até que ponto a assembléia assume a súplica pela paz?



[1] LACTÂNCIO, Instituições divinas, VI, 20, 15-17.

[2] INÁCIO DE ANTIOQUIA, Carta aos efésios, XIII, 2.

[3] AGOSTINHO DE HIPONA, Carta 229, 2.

 



© 2007/2008 Catedral Santo Antônio Chapecó.  Todos os direitos reservados. | créditos |