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Meditações pacifistas sobre a eucaristia IV (2008)

 

III – LITURGIA EUCARÍSTICA

O banquete da reconciliação

 

Após ter-se servido da mesa da palavra, a comunidade põe e põe-se à mesa da eucaristia. Ceia do Senhor e fração do pão, a eucaristia apresenta-se sobretudo como o banquete da reconciliação.

As comunidades antigas tinham muito presente a palavra de Mt 5,23-24 – “quando fores apresentar a tua oferenda no altar, se ali te lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” - e as entendiam como um imperativo categórico. Mais que uma mensagem a ser transmitida ou uma afirmação de conteúdo intelectual, a paz que o Cristo veio nos dar é um dom que se expressa numa vivência e numa relação. E aqui se apresenta o desafio pastoral de superar certas celebrações onde o cumprir normas, rubricas ou deveres – ou mesmo deixar-se levar pela automação de um folheto que diz tudo o que eu devo rezar – apresenta-se mais forte do que comer e beber juntos, dando graças a Deus, por Cristo!

A ceia em comum – e quanto teremos que caminhar para que nossas eucaristias sejam mais ceias? – tem esta força de comunhão e esta capacidade de estabelecer laços.  Neste sentido, Santo Agostinho referia-se à eucaristia como mistério de amor, símbolo da unidade e vínculo da caridade (sacramentum pietatis, signum unitatis, vinculum caritatis)[1]. Aqui os vínculos entre pão e paz se explicitam: não há paz sem pão, não há pão sem paz. Da mesma forma que quando sento para dialogar, meu inimigo transforma-se em interlocutor, na eucaristia o outro emerge do anonimato e se torna companheiro e companheira – partícipe do mesmo pão!

É claro que não se trata de qualquer ceia, mas a Ceia do Cordeiro. E aqui contemplamos um dos símbolos onde mais se densifica a não-violência do cristianismo: o símbolo não-violento do cordeiro. Trata-se do cordeiro que “se humilha, não abre a boca” (Is 53,7), isto é, quem recusa a violência como forma de resolver os conflitos que se apresentam; mas especialmente trata-se daquele que “carregou o pecado das multidões e intercede pelos transgressores” (Is 53, 12), isto é, de alguém que renunciou a submissão e a resignação e que se põe alternativamente na estrada da vida. Quando invocamos o Cordeiro de Deus e pedimos sua paz, referimo-nos ao cordeiro não-violento e não-submisso, numa profissão de fé neste caminho da não-violência que nos conduz à paz. Como dizia Abraham Muste, um pastor e pacifista americano do século XX: “Não existe caminho para a paz, a paz é o caminho”.

Tudo isso recebe o selo de acabamento no abraço da paz, conforme a  antiga tradição: “o beijo da paz é o selo da oração” (Osculum pacis est signaculum orationis)[2]. Se Jungmann já se referia à estilização que o abraço da paz foi sofrendo ao longo da história da liturgia[3], hoje podemos notar a tendência de psicologizá-lo ou de torná-lo um mero cumprimento e saudação. No entanto, quando damos ou recebemos o abraço da paz, proclamamos ou escutamos a mesma mensagem de saudação que ouvimos sair da boca do Senhor: “a paz esteja contigo”! Como na liturgia não se fazem augúrios, mas se dizem palavras e se realizam ações eficazes, a saudação da paz reveste-se de uma força que nos conduz à mesma dinâmica do Deus da paz. Assim mais do que um simples abraço, ele se constitui num sinal de paz da Igreja ao mundo. Toda a vez que trocamos a saudação da paz – e necessitaríamos voltar ao costume antigo de torná-la um elemento constituinte (e não opcional) do rito eucarístico – revelamos ao mundo o nome do nosso Deus: “Senhor da paz” (Jz 6,24).

Marcelo Rezende Guimarães

 

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

 

            1 – Comente a seguinte frase: “Na Ceia do Cordeiro contemplamos um dos símbolos onde mais se densifica a não-violência do cristianismo: o símbolo não-violento do Cordeiro”.

             2 – Em que sentido a oração de ação de graças e a participação na Eucaristia realizam o símbolo da paz?

             3 – Como a celebração da Eucaristia realiza a reconciliação e promove a partilha do pão?



[1] AGOSTINHO DE HIPONA, In Joannis Evangelium, XXVI, 13.

[2] TERTULIANO, De Oratione, 18.

[3] JUNGMANN, J-A. Missarum sollemnia. Paris: Aubier, 1952, vol. 3, p. 256-257.

 


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