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Liturgia das horas: o ritmo orante de povo de Deus

“Nasce o Sol. É um novo dia. Bendito seja Deus! Quanta alegria!”

Tentando responder à necessidade transcendental (uma vida mais voltada para a espiritualidade e relacionamento com Deus) que toda pessoa sente de colocar-se em oração em diversas circunstâncias da própria vida, buscaremos neste artigo, ainda que sucintamente, fundamentar o estilo de oração herdado não só das primitivas comunidades cristãs, mas sobretudo da experiência do próprio Cristo, que encarnou-se na cultura judaica, fortemente marcada pela tradição da oração salmodiada.

O costume de rezar conforme as “horas”

Cristo sempre deu o exemplo de uma vida orante e instruiu os seus discípulos sobre a necessidade de rezar constantemente, sem nunca desistir (Lc 18,1).
Conforme a cultura judaica, encontramos o costume da tríplice oração: manhã (laudes), meio-dia e tarde (vésperas). No entanto, conhece-se também a oração noturna (Cf. Lc 6,12; At 16,25). Vale lembrar que para os judeus o dia começa com o pôr do sol, que nos lembra o tempo da espera até o raiar de um novo amanhecer.
Não é de se estranhar que no início da Igreja os cristãos tivessem continuado o costume da oração, uma vez que ela nasceu em ambiente judaico. No entanto, desde cedo os cristãos associaram à estas horas os fatos relacionados aos mistérios da vida de Jesus Cristo.
Assim, Cristo é celebrado como “o Sol nascente que nos veio visitar”, “o Sol da justiça”, “o dia sem ocaso”, “a luz que brilha em meio às trevas”... Neste caso, o novo e definitivo dia teve início com a aurora da manhã da ressurreição. Acabou o tempo da espera e chegou o dia sem ocaso, pois Deus cumpriu suas promessas e disso é sinal e realização a ressurreição do Senhor Jesus.
Quando chega a noite, os cristãos unem-se em prece, e celebram a esperança de que mesmo em meio às trevas “a luz verdadeira que ilumina todo homem” jamais se apagará. Cristo Ressuscitado venceu as trevas e manifestou, uma vez por todas, a glória eterna.

A vida marcada pelo tempo

O tempo marca a própria existência humana e seu ritmo de caminhada desde o nascer até o morrer. Em cada dia e em cada hora também encontramos aspectos desta realidade.
Pela manhã lembra-se a criação recriada na ressurreição do Senhor. Juntamente com o amanhecer de um novo dia, com toda criação que renasce, novos horizontes se abrem em nossa história; somos colocados em relação com todo o universo e sobretudo com a comunidade humana. O amanhecer é sinal da ressurreição que nos recria para uma vida nova em Cristo.
Em meio aos inúmeros trabalhos diários lembramos Deus atuando em nossa história, na continuidade de sua obra criadora até que ela chegue à perfeição. Cristo é nossa luz!
Ao término do dia, com a chegada das trevas, lembra-se a própria limitação humana. Contudo, a atitude de quem “vigia” durante a noite é a atitude daquele que não perdeu a esperança de ver um “novo alvorecer” que haverá de romper e dissipar toda treva, que não será capaz de suportar a luz verdadeira que a todos ilumina e jamais se apagará.
No ritmo das horas faz-se a memória da Páscoa de Jesus, de modo que o dia e a atividade humana adquirem sentido à luz do Mistério Redentor. Formando com Cristo um único Corpo a Igreja é constituída como um povo sacerdotal, capaz de oferecer ao Pai o perfeito culto de louvor que tem suas raízes nos méritos e dom de Cristo.


Oração das horas: louvor e clamor

O cristão é chamado a rezar “nas horas”, em comunidade, a fim de vivenciar o Mistério Pascal de Jesus Cristo em cada momento de sua existência. É chamado a reconhecer que em meio ao dia de trabalho o próprio Deus realiza o seu “trabalho divino” em cada pessoa através da graça que dele recebemos em Cristo Jesus.
A oração no ritmo das diversas horas diárias coloca-nos diretamente em comunhão com Deus Pai, pelo Cristo mediador, no Espírito Santo.
A Igreja, fiel esposa, juntamente com o seu amado, Jesus Cristo, ora no Espírito, em comunidade. É o próprio Espírito que vem em nosso auxílio e faz brotar do coração da Igreja que vive no tempo, não só o louvor, mas também o seu gemido de dor e seus lamentos, enquanto aguarda confiante a volta de seu amado, quando tudo será plenificado porque “Deus será tudo em todos”.
Esta oração faz-nos cantar as maravilhas do poder de Deus que nos arrancou das trevas e nos introduziu no Reino de sua luz. Incita-nos a sermos, no dia-a-dia continuadores de seu “ofício divino”, que conduz ininterruptamente a história e todo o cosmos à sua plena realização.
É uma oração que, acima de tudo, leva a pessoa a sair de seu egoísmo e entrar em comunhão com Deus, com o universo, com obra das mãos de Deus e com a comunidade humana, chamada à santificação, enquanto glorifica e louva o seu Senhor.

Uma proposta para os cristãos

A Liturgia das Horas sempre foi um precioso patrimônio dos cristãos em geral. Mas, infelizmente, em alguns momentos da história ficou reservada apenas aos clérigos e religiosos, especialmente de vida comunitária, que viviam em Mosteiros ou Conventos.
Contudo, o povo sempre encontrou formas simplificadas de santificar as diversas horas do dia. Podemos identificar, por exemplo, no surgimento do Rosário, uma forma simplificada de fazer a memória do Mistério Pascal, através da contemplação de cenas que recordam os vários momentos do Mistério Central. Assim, as cinco primeiras cenas recordam o Mistério da Encarnação e infância de Cristo, as oito cenas seguintes recordam o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor e o envio do Espírito Santo à Igreja. As duas últimas cenas inserem Maria, como Imagem da Igreja, no único Mistério de Cristo. Nestas duas últimas cenas podemos ver contemplada a esperança escatológico-cristã que se vê em Maria a imagem da humanidade que deseja alcançar a “coroa da vida” (Ap 2,10), na glória eterna junto de Deus. O Papa João Paulo II acrescentou à tradicional recitação do Rosário cinco outras cenas, com as quais se contempla mistérios da vida pública de Jesus Cristo. O mesmo se poderá dizer do costume de recitar o “Angelus” nas diversas horas do dia (manhã, meio dia, tarde), repetindo as horas mais importantes da Liturgia das Horas.
O Concílio Vaticano II dedicou o cap. IV da Constituição Sacrosactum Concilium à reflexão do Ofício Divino. Lembrou com particular relevo que não só os clérigos e as comunidades religiosas são chamadas a celebrar o oficio divino, mas recomendou aos leigos que também participem desta forma de oração litúrgica (SC 100).
De uns anos para cá, em algumas regiões do Brasil, se vem fazendo a experiência de rezar o Ofício Divino em comunidade, numa tentativa de inculturar à índole do povo brasileiro elementos da riquíssima Tradição da Igreja, que sempre rezou nas diversas horas do dia. Chegou-se à estrutura de um livro chamado “Ofício Divino das Comunidades”, que torna esta oração acessível ao povo mais simples.
Como diz Dom Clemente Isnard, ao apresentar o livro do Ofício Divino das Comunidades, “nota-se, no momento, uma sede maior do povo pela oração. O Ofício Divino das Comunidades, embora não sendo a Liturgia das Horas, pode levantar o nível da oração do nosso povo em direção da Tradição mais antiga da Igreja (Cf. ODC, p. 6).

José Adalberto Salvini



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