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Fonte: Católico.org
 
 
 
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A Liturgia e o Espaço no Primeiro Milênio Cristão

Pe. Egídio Balbinot
 
Introdução
Pretende-se neste breve texto destacar, num primeiro momento, as características da liturgia no primeiro milênio cristão e, num segundo momento, destacar as principais características do espaço litúrgico no qual aparecem inicialmente a “domus eclesiae” e depois a basílica. A celebração litúrgica se amolda ao espaço onde é celebrada e, por sua vez, o espaço vai se configurando conforme a liturgia celebrada.
 
1. Algumas características da liturgia no primeiro milênio[1]
Uma das principais características da liturgia no primeiro milênio, é de ela ser vivida e compreendida tendo como centro o mistério pascal de Jesus Cristo. Era uma liturgia pascal.
A liturgia também tinha um cunho eminentemente eclesial-comunitário. Refletia um modo de ser igreja toda ela ministerial. A assembléia era sentida e vivida como corpo de Cristo, povo sacerdotal. Por isso se zelava pela distribuição de diferentes serviços nas ações celebrativas, e toda a assembléia se sentia celebrante. Temos, portanto, uma liturgia cujo ator da celebração era a comunidade presidida por seus pastores. O povo todo reunido em assembléia se sentia sujeito da celebração de liturgia. E todos participavam ativamente.
Outra característica é que o povo tinha um contato direto com a Palavra de Deus na liturgia. Ao serem proclamadas as Escrituras, o povo sentia que era Deus mesmo que estava falando. Portanto, a escuta da Palavra era vivenciada como um momento privilegiado de diálogo de Deus com seu povo.
Procurando ser fiel à tradição cristã e apostólica, nas assembléias litúrgicas se usava uma linguagem própria de sua cultura, com sua língua e costumes próprios.
A liturgia romana, da qual somos herdeiros, tinha a característica de ser simples, sóbria, despojada e prática, mas ao mesmo tempo elegante e nobre. As orações eram curtas, objetivas, concisas, e muito bem elaboradas. Sem muitos rodeios, mas com elegância literária e impressionante densidade teológica, ela se atém ao essencial, a saber, ao mistério celebrado.
A celebração eucarística tinha como finalidade adorar a Deus Pai, mas por meio de Jesus Cristo, na representação do seu sacrifício único. O culto eucarístico era impressionantemente sóbrio. Com muita reserva se falava de adoração do santo alimento. Não existiam sinais de veneração (genuflexão, elevação, toque de campainha etc.) no ‘momento da consagração’, nem depois. Entendia-se que na missa romana a eucaristia nos é dada por Deus em primeiro lugar para ser comida e bebida, e não tanto para ser adorada.
Em síntese, durante o primeiro milênio, o que se procurava era garantir o essencial quando se celebrava a divina liturgia, a saber: o mistério pascal como motivo central da celebração, o contato direto de todos com a Palavra de Deus proclamada na celebração, a participação ativa, consciente e plena de todos na celebração, o jeito de celebrar adaptado aos diferentes povos com sua cultura. O batismo era visto como um verdadeiro ‘mergulho’ da pessoa no oceano de água viva de Deus, para em comunidade se viver a vida de Deus.
A missa era encarada mesmo como uma ceia, um banquete do qual todos faziam questão de participar, comendo e bebendo do corpo e sangue do Senhor. Todos os sacramentos eram vistos como presença viva do Deus da vida.
 
2. Características do espaço litúrgico neste período
Após a ascensão de Jesus, os primeiros cristãos continuam a se reunir no Templo de Jerusalém até a sua destruição. Em outras cidades, os cristãos se reúnem nas sinagogas.
No tempo dos apóstolos o espaço é determinado pela reunião que os cristãos faziam nas casas, no domingo, dia do Senhor. Escreve São Paulo em Rom 16,5: "Saudai a Prisca e Aquila... saudai também a comunidade que se congrega em casa deles". Ou ainda em 1Cor16,19: "As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Àquila e Prisca, juntamente com a comunidade que se reúne em sua casa".
Os primeiros cristãos estavam convencidos de que o verdadeiro templo consistia na própria assembléia. São Paulo diz: “É santo o Templo de Deus que sois vós” (1Cor 3,17). Pedro também usa a mesma linguagem quando diz: “Também vós, como pedras vivas sois empregados na construção de um edifício espiritual”(1Pd 2.5).
“É compreensível, pois, que os cristãos dos dois primeiros séculos não tenham pensado em construir lugares específicos para o culto. Uma ampla sala doméstica bastava para hospedar a igreja local, a assembléia do pequeno rebanho dos chamados, quando celebravam a ceia eucarística depois de haver lido os escrito dos apóstolos. Às vezes parece que se passava de uma sala para outra, do lugar da palavra ou do ágape, para o da ceia do Senhor. Para o batismo era suficiente reunir-se perto de um córrego de água ou aproveitar as termas privadas”. [2]
No século III quando a liturgia já tem uma certa estrutura a “domus eclesiae” já é num lugar fixo e pensado em vista das funções celebrativas, de acolhida e da caridade. Havia uma sala para a ceia, um lugar para o batismo, e outras salas para as atividades da caridade.
Outro lugar de celebração são as catacumbas que não foram construídas pelos cristãos para servir de esconderijo. Os cristãos se reuniram nelas, porque durante muito tempo foram respeitadas como locais inatingíveis à ação policial. Também a celebração nas catacumbas está ligada ao culto aos mártires.
As catacumbas influenciaram muito a arte cristã através das inscrições, pinturas, símbolos e outras decorações que são preciosas testemunhas da identidade entre a fé de nossos dias e daqueles tempos, entre a fé que nós professamos e a daqueles que a beberam na fonte.
A partir do ano 313, com a liberdade religiosa proclamada por Constantino há uma liberação para que os cristãos se reúnam em locais públicos chamados de basílicas. A basílica era o tribunal de justiça. No centro da "abside" há a cadeira do PRETOR que julga os casos. Ao seu lado os juízes assistentes, pois ele raramente era jurista, mas político, administrador. Em frente dele um pequeno altar em forma dum bloco decorado, no qual se oferecia incenso a Minerva, deusa da justiça. Dentro do recinto do público dois ambões, espécie de tribunas, ligeiramente elevadas, para que os oradores fossem vistos pelo público: um para os depoimentos das testemunhas, outro para a defesa dos advogados.
Esta disposição do espaço influenciou muito a posterior construção das igrejas que conservaram este estilo basilical e também a distribuição interna das peças que compõe o espaço. Assim no espaço da basílica cristã temos: no fundo da abside a cátedra do Bispo ou celebrante principal, o sacerdote "que preside". A seu lado os presbíteros assistentes, diáconos, auxiliares. No lugar do altar da Minerva, o altar cristão, em várias formas. Próximos dele, os ambões para o evangelho, a epístola e outras leituras. Acrescentaram à basílica um bloco a mais na entrada: um pequeno claustro, com o batistério no centro, criando um ambiente de preparação.
“A qualidade estética das basílicas não provinha apenas da sua estrutura, harmoniosa nas suas dimensões, com a nave de largura igual à altura. A beleza era decorrente sobretudo da sua faustosa decoração: os mosaicos da abside, do arco de triunfo e das paredes; o cibório sobre o altar e as balaustradas em torno; os cortinados bordados entre as colunas; a profusão de lâmpadas, sem esquecer o esplendor dos pavimentos”.[3]
A assembléia dominical constitui o centro do culto cristão na celebração eucarística. Os batizados no entanto ainda não podem participar. Por isso os batistérios são construídos fora da basílica propriamente dita. Os batistérios assumem formas arredondadas lembrando a ressurreição de Cristo e a forma octogonal, que evoca o oitavo dia, o dia da eternidade.
Também os túmulos dos mártires serviam como local de celebração. No túmulo, ou num local ao lado se celebrava o chamado "refrigerium", ou banquete fúnebre e mais tarde se introduziu a "fração do pão".O rito da "fração do pão" suplantou o banquete fúnebre e constituiu o único e novo banquete, garantia a Ressurreição memorial do mistério de Cristo. Com o edito de Constantino, sobre estes túmulos foram edificadas basílicas capazes de conter grande número de fiéis.
Do ponto de vista estrutural a basílica apresenta duas características fortes: arquitetura simples e decoração interna rica. A beleza da basílica reside na perfeição dos seus contornos e das suas dimensões e na leveza da construção. As filas de colunas, as paredes simples, as armações triangulares que sustentam o teto lembram a tenda. Nela o povo de Deus aprende que é povo peregrino e que a assembléia dominical representa uma parada na caminhada em busca da terra prometida.
No seu interior, a basílica brilha através dos mosaicos, das peças de mármore, das suntuosas cortinas e dos lampadários com correntes de prata. O Cristo Pantocrator aparece no fundo da abside. O Cordeiro imolado aparece cercado de doze cordeiros, os apóstolos. O rio da vida corre em meio a um jardim. No centro do arco, o trono espera a volta do Cristo. Sobre as paredes aparecem representações do AT e NT. O conjunto da decoração destaca o caráter escatológico da liturgia. A liturgia da terra antecipa a grande liturgia celeste. O Cristo que ensina e prega ao povo, que o reúne para a ceia, é o que foi imolado na cruz, mas também o Cristo da páscoa e da ascensão, o Senhor da história.
Na basílica também há um destaque especial para a cátedra episcopal, assento de quem preside e ensina. A cátedra não é exaltação do bispo, porém a expressão visual da função do bispo na igreja: ela representa o próprio Senhor.
O ambão, na basílica aparece como um trono de mármore, decorada com mosaicos. O diácono nele abre com respeito o evangeliário, em meio a luzes e incenso, acompanhado do aleluia.
O altar da basílica tem dimensões pequenas e é de pedra. Ele é coberto por um baldaquino ou cibório sustentado por quatro colunas de mármore. Balaústres e grades separam-no do resto da nave. Sendo símbolo de Cristo o altar antigo, recebe no momento da sua dedicação, as relíquias dos mártires.
O estilo basilical é apocalíptico. No espaço cristão o Rei se manifesta e julga. Os cristãos pertencem à realeza, da estirpe do Rei Davi. O estilo basilical tem o sentido de Aula Magna, de atenção ao mistério que aí se dá pela palavra e Eucaristia, lugar de participação a um banquete divino e real.
 
Conclusão
As características do espaço sagrado presentes nas igrejas do primeiro milênio, sem dúvida ajudam na compreensão e vivência da centralidade da liturgia: o mistério pascal de Jesus Cristo. Além disso o povo se sente como verdadeira assembléia convocada a participar do banquete do ressuscitado.
Como sabemos, a partir da Idade Média a liturgia e conseqüentemente o espaço se desviam da rota entrando para o caminho do devocionalismo, do luxo, da unificação da linguagem e do individualismo religioso. Nosso esforço agora é de, tendo presente as fontes e as origens da nossa tradição cristã, vivenciar uma liturgia autentica e construir espaços que levem em conta a teologia do Vaticano II.
 
Bibliografia
 
JOUNEL, P. Lugares da celebração, in: Domenico Sartore e Achille Triacca, Dicionário de Liturgia, São Paulo, ed. Paulinas 1992, p. 694-706.
PASTRO, Cláudio, Arte Sacra, O espaço sagrado hoje, Loyola, 1993.
MARTIMORT, A. G. Os lugares sagrados. In. A Igreja em Oração. Petrópolis, Vozes, 1988.
MARTIN, J. L. O lugar da celebração. In. No espírito e na verdade. Petrópolis, Vozes, 1997.
SONDA, Laíde, O lugar do culto cristão. Disponível em: http://www.franciscanos.org.br/artesacra/sacraeiconografia. Acesso em 17 de fevereiro de 2007.
SONDA, Laide, Teologia do Templo. Disponível em: http://www.franciscanos.org.br/artesacra/sacraeiconografia. Acesso em 17 de fevereiro de 2007.
 


[1] Anotações feitas na exposição do Frei José Ariovaldo da Silva, no Seminário sobre os 40 anos da Sacrossanctum Concilium, realizado em Vitória, ES em 2003.
[2] Jounel, P. Lugares da celebração, in: Domenico Sartore e Achille Triacca, Dicionário de Liturgia, São Paulo, ed. Paulinas 1992, p. 695.
[3] Jounel, P. Lugares da celebração, in: Domenico Sartore e Achille Triacca, Dicionário de Liturgia, São Paulo, ed. Paulinas 1992, p. 696.
 


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