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Formação litúrgica em mutirão II

A Equipe de Reflexão de Música da CNBB elaborou um texto de contribuição para as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, refletindo sobre a urgente necessidade de formação litúrgico-musical, nos mais diversos níveis da atividade pastoral. Apresentamos algumas partes do texto para ampliar a reflexão e motivação, em vista de uma sólida formação para todos os que exercem o serviço do canto e música litúrgica em nossas comunidades.
  
Constata-se que a atividade mais freqüente em nossa Igreja, a mais visível e a que mais reúne gente é a Liturgia. Ao celebrar, o que mais se faz é cantar! Desta constatação percebe-se a importância do canto e da música na vida da Igreja e no testemunho dos cristãos. Pastores e comunidades precisam encarar com muita responsabilidade este serviço pastoral. Mas é importante compreender que a música, na Liturgia, não é mero acessório para embelezar, nem mero diversivo para quebrar a monotonia do rito. Ela é parte integrante e significativa da ação ritual (SC 12) e tem uma capacidade especial de atingir os corações, e, enquanto rito, uma grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar o Mistério celebrado. Para isso, necessita estar intimamente vinculada ao rito, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico, organicamente inserida no contexto da grande Tradição bíblico-litúrgica da Igreja, bem como, da vida e cultura da comunidade celebrante. Por isso, não se canta qualquer coisa, em qualquer tempo ou circunstância ou momento, com qualquer tipo de texto, melodia ou arranjo musical, valendo insistir na importância prioritária da Palavra, a serviço da qual se coloca a arte musical (cf. SC 121).

Pelo visto, é urgente atentar para a qualidade do nosso cantar litúrgico, para a importância dos vários ministérios litúrgico-musicais na vida das comunidades, e, mais que urgente, para a formação e capacitação das pessoas e equipes que os exercem. É preciso cuidar de um modo permanente da formação litúrgico-musical elementar das comunidades, a fim de garantir um cantar litúrgico autenticamente eclesial, belo, vibrante e significativo da riqueza insondável de Cristo (Ef 3,8). E já se pode imaginar o alento espiritual que uma tal experiência poderá trazer ao povo cristão, à vivência do discipulado e ao compromisso missionário, e as benéficas conseqüências para a vida da Igreja e da sociedade. E são várias as instâncias e níveis dessa necessidade de formação, desde as pessoas e equipes que exercem os ministérios litúrgico-musicais em suas comunidades, até aqueles e aquelas a quem cabe cuidar da formação continuada dos formadores.

Uma prioridade estratégica são os centros de formação, tanto das congregações e ordens religiosas, quanto do clero diocesano. Percebe-se uma grande lacuna na formação musical de nossos seminaristas. Basta atentar para as agendas dos futuros presbíteros, para a demanda de atividades celebrativas que os espera, para a importância da música nelas implicada, para a responsabilidade pastoral que isso deles exigirá, e perceber que a formação litúrgico-musical deve ser encarada como elemento essencial.

Urge, portanto, organizar a formação litúrgico-musical, com encontros periódicos de estudo, reflexão, articulação, aprofundamento e ensaio em todos os níveis:
 - Em nível comunitário: Cantores e cantoras, instrumentistas, regentes, animadores e animadoras do canto na assembléia, equipes de celebração,...
 - Em nível paroquial: Padres e equipe paroquial de Música Litúrgica,...
 - Em nível diocesano: Bispo, equipe diocesana de Música Litúrgica, assessor (a) de Música Litúrgica,...
 - Em nível regional: Bispo responsável, equipe regional de Música Litúrgica, assessor (a) de Música Litúrgica,...
 - Em nível nacional: Comissão Episcopal de Pastoral Litúrgica, Equipe de Reflexão de Música Litúrgica, assessor de Música Litúrgica da CNBB.
 - Seminários e casas de formação de congregações e ordens religiosas: seminaristas, aspirantes e demais formandos e formandas,...

 A qualidade do nosso cantar litúrgico depende de um bom investimento na formação de todos aqueles e aquelas que estão envolvidos no serviço litúrgico-musical de nossas comunidades.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1. Como está a formação litúrgico-musical em nossa comunidade?
2. O que devemos e podemos fazer para melhorar a formação litúrgico-musical?



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