| Seja bem-vindo! Hoje é
 
 
Acompanhe o santo do dia
Fonte: Católico.org
 
 
 
Home
Pároco
Atendimento na Paróquia
Estudos litúrgicos
Curiosidades
Catedral Sto Antônio
Pastorais
Regiões Pastorais
Padroeiro
Orientações Pastorais
Orações
Estudos e Reflexões
Espaço Litúrgico
Mensagens
Folheto Litúrgico
Contato
 
. : Catedral Santo Antônio :.
Novos céus e nova terra: vida no campo e na cidade - Frei Carlos Mesters e Franc

O assunto que nos foi proposto é este: "Novos céus e nova terra: vida no campo e na cidade". Tema a ser aprofundado dentro do tema geral do Congresso "A sustentabilidade da vida e a espiritualidade", com a seguinte pergunta: "Diante dos graves desafios que hoje enfrentamos, quais as motivações que a Bíblia nos pode oferecer para continuar e aprofundar a luta pela vida?" Três coisas nos vieram à mente:

(1) A expressão "Novo Céu e Nova Terra" trouxe à memória a profecia de Isaías (Is 65,17), nascida na época do cativeiro como fruto de uma nova visão da criação e do universo que encheu o povo de nova esperança.

(2) A expressão Vida no campo e na cidade trouxe à memória a difícil travessia do campo para a cidade, tanto hoje como ontem. Jesus anunciou a Boa Nova aos camponeses da Galiléia. Paulo procurou inculturá-la no mundo urbano da Ásia Menor e da Grécia. Travessia feita através de uma crise profunda do próprio Paulo.

(3) A mudança que está ocorrendo hoje na maneira de olharmos o universo. Estamos saindo de uma visão antropocêntrica do universo, cuja origem, em parte, vem de uma interpretação viciada da Bíblia, e estamos entrando numa nova visão, da qual, por ora, não conhecemos os contornos exatos.

A Bíblia não tem resposta para os graves desafios de hoje. Ela pode, isto sim, ajudar-nos a mudar os olhos com que analisamos os desafios. Ela pode reforçar a esperança que nos anima na luta, dando-lhe um sabor de vitória. Eis o esquema da nossa reflexão:

 

Introdução: a leitura viciada da Bíblia

Na raiz da depredação interesseira da natureza que está esgotando os recursos da Terra, está a busca de uma falsa segurança. Colocamos a segurança não no ser, mas no ter: "Quanto mais possuo, mais segurança eu tenho!" E fundamentamos esta busca desenfreada de bens numa interpretação viciada de frases da Bíblia que nos vêm do passado. Por exemplo, Deus diz no livro de Gênesis: "Submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra" (Gn 1,28). Afirmações semelhantes encontram-se também em outros livros da Bíblia (cf. Sb 10,1-2; Eclo 17,1-4; Sl 8,7). Interpretadas ao pé da letra, como nos foi ensinado, estas frases parecem dizer que nós, seres humanos, por ordem divina, somos os donos do mundo, recebemos o direito de dominar todas as coisas e a licença para fazer o que bem entendermos com os recursos da natureza. Isto nos levou a olhar a terra como objeto a ser explorado para nos enriquecer, como uma simples mercadoria e não como mãe que nos dá vida e nos sustenta. Esta falsa mentalidade fez crescer em muitos a vontade de explorar os outros, impedindo que eles também tenham acesso aos mesmos bens. Nosso relacionamento com a terra entrou em crise e a sobrevivência da humanidade corre perigo. O resultado é o desequilíbrio total de tudo:

· é o caos da poluição ameaçando a vida no planeta. O cosmo volta a ser caos "sem forma e vazio" (Gn 1,2);

· é o irmão matando o irmão, é Caim matando Abel (Gn 4,1-16);

· é a violência extrema e agressiva, pior do que a de Lamec (Gn 4,17-24);

· é a manipulação da religião e a desintegração de tudo, igual àquela que deu origem ao Dilúvio (Gn 6,1-7):

· é uma nação querendo dominar as outras, criando a confusão da Torre de Babel (Gn 11,1-9).

 

1ª PARTE: Novo Céu e Nova Terra

Aprender a lição do povo da Bíblia

A Crise que provocou a mudança

Uma crise nunca vem de repente, mas nasce aos poucos. É como o cupim que vai entrando nas vigas do telhado. Bem devagar! O dono da casa não se dá conta, nem presta atenção. Vai vivendo despreocupado, desatento de tudo. De repente, um temporal cai sobre a casa e o telhado desaba. O dono dá a culpa ao carpinteiro: "Mau serviço!" Assim está acontecendo hoje conosco. Assim aconteceu com o povo de Deus.

Desatento, o povo da Bíblia permitiu que o cupim de uma falsa imagem de Deus fosse comendo por dentro a viga da sua fé. Ao longo dos 400 anos da monarquia (de 1000 a600 aC), Javé, o Deus libertador do Êxodo, foi sendo reduzido a um Deus-Quebra-Galho, a um ídolo, manipulado pelo poder civil e religioso para legitimar a corrupção e a ganância dos reis. Os profetas alertavam sobre o perigo, mas ninguém lhes dava atenção. O dono da casa, o povo de Deus, cego por causa da idolatria e desatento de tudo, não se dava conta do que estava acontecendo.

Assim, no mês de agosto de 587 aC, Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu a Palestina e destruiu a Cidade de Jerusalém (2Rs 25,8-12; Jr 52,12-16). Perderam tudo que, até àquele momento, tinha sido a expressão visível da presença de Deus: O Templo, morada perpétua de Deus (1Rs 9,3), foi incendiado (2Rs 25,9). A Monarquia, fundada para durar sempre (2Sm 7,16), já não existia (2Rs 25,7). A Terra, cuja posse tinha sido garantida para sempre (Gn 13,15), passou a ser a propriedade dos inimigos, (2Rs 25,12; Jr 39,10; 52,16). Os sinais (sacramentos) tradicionais da presença de Deus foram destruídos como um vaso de argila que se quebra em mil pedaços (Jr 18,1-10). Desapareceu o quadro de referências que tinha orientado o povo até àquele momento. Os que tinham identificado Deus com estes sinais tradicionais da Monarquia, do Templo, da posse da terra, diziam: Fracassamos. Não demos conta de observar as cláusulas da aliança. Por isso, "Deus nos abandonou" (Jr 33,23; Is 40,27; 49,14). "Acabou-se a esperança que vinha de Deus" (Lm 3,18). Muitos preferiram o deus de Nabucodonosor que parecia mais forte. Hoje, muitos preferem o deus do sistema neo-liberal.

Humanamente falando, não havia mais saída. Estavam sem futuro. O telhado desabou. Deram a culpa ao carpinteiro. A terceira Lamentação retrata bem o sentimento de desespero do povo:

Eu sou o homem que conheceu a dor de perto, sob o chicote da sua ira. Ele (Deus) me conduziu e me fez andar nas trevas e não na luz. Ele volve e revolve contra mim a sua mão, o dia todo. Consumiu minha carne e minha pele, e quebrou os meus ossos. Ao meu redor, armou um cerco de veneno e amargura, me fez morar nas trevas como os defuntos, enterrados há muito tempo. Cercou-me qual muro sem saída, e acorrentado, me prendeu. Clamar ou gritar de nada vale, ele está surdo à minha súplica. ... Fugiu a paz do meu espírito, a felicidade acabou. Eu digo: "Acabaram-se minhas forças e minha esperança em Javé" (Lm 3,1-8.17-18).

A imagem de Deus que transparece nas entrelinhas deste lamento é a de um carrasco que só quer castigar e vingar. Quem olhar a vida e a natureza com esta falsa imagem de Deus nos olhos, nunca irá reencontrar a presença amorosa de Deus na vida, nem irá querer lutar pela preservação da vida na terra. Como sair desta situação?

Nasce um novo olhar sobre o universo, uma nova fonte de esperança

Jeremias ajudou o povo a perceber a presença de Deus de outra maneira. Apesar de ter sofrido os mesmos contratempos e de ter passado pelo terrível sofrimento da destruição dos sinais (sacramentos) de Deus, ele não perdeu a esperança. Pelo contrário. Ele dizia ter muitos motivos de esperança! E o motivo maior, ele o encontrou na natureza, na terra. É como se dissesse: A maior certeza que eu tenho e que me sustenta é que o sol vai nascer amanhã. Ou seja, é no movimento da natureza e na lógica da criação que Jeremias redescobre a manifestação do amor e do poder de Deus. Ele diz: "Assim diz Javé, aquele que estabelece o sol para iluminar o dia e ordena à lua e às estrelas para iluminarem a noite, aquele cujo nome é Javé dos exércitos: quando essas leis falharem diante de mim - oráculo de Javé - então o povo de Israel também deixará de ser diante de mim uma nação para sempre" (Jr 31,35-36; cf. Jr 33,19-21). Nabucodonosor, o rei da Babilônia, o sistema neo-liberal, pode ser forte, mas ele não tem poder para impedir o nascimento do sol amanhã! Deus é maior!

O ritmo da natureza, do sol, da lua, das estações, das chuvas, das estrelas, das plantas revela o poder criador de Deus. É a expressão do bem-querer do Deus Criador, da pura gratuidade! É uma certeza que não falha. É a prova de que Deus não rejeitou o seu povo. Nossa fraqueza pode levar-nos a romper com Deus (como de fato aconteceu), mas Deus não rompe conosco, pois cada manhã, através da seqüência dos dias e das noites, ele nos fala ao coração e diz: "Como é certo que eu criei o dia e a noite e estabeleci as leis do céu e da terra, também é certo que não rejeitarei a descendência de Jacó e de meu servo Davi." (Jr 33,25-26). Esta intuição de Jeremias está na origem da narrativa da Criação de Gênesis (cf. Gn 1,16 e Jr 31,35).

Esta nova maneira de olhar a natureza abriu um novo horizonte. A certeza da presença amorosa de Deus provocou uma busca renovada dos sinais de Deus na natureza que nos envolve e da qual depende toda a nossa vida: as chuvas, as plantas, as fases da lua, o sol, as estações do ano, as sementes, etc. Tudo tornou-se sinal da presença gratuita de Deus.

Assim, ao lado da atenção dada às Dez Palavras (Dez Mandamentos) que estão na origem da Aliança, o povo alargou o olhar e começou a dar maior atenção às palavras divinas que estão na origem das criaturas. O autor que fez a redação final da narrativa da Criação (Gn 1,1-2,4a) teve a preocupação em descrever toda a ação criadora de Deus por meio de exatamente Dez Palavras.

Ele começa dizendo: "No princípio, Deus criou o céu e a terra" (Gn 1,1). Em seguida, descreve o caos anterior à ação criadora: "A terra estava sem forma e deserta; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas" (Gn 1,1-2). Ele usa três imagens: Trevas, Águas, Deserto. As três eram usadas para descrever a situação do povo no cativeiro. Trevas: "Deus me fez morar nas trevas como um defunto enterrado há muito tempo" (Lm 3,6). Águas: "As águas subiram por cima da minha cabeça e eu gritei: estou perdido" (Lm 3,54). Deserto: Isaías compara o povo no cativeiro a um toco de raiz ressequida enterrada num chão deserto (Is 53,2). O povo perdeu tudo, menos a memória e a Palavra de Deus (Is 40,8). Qual a força desta Palavra? A resposta está na descrição da criação. Na narrativa aparece dez vezes a expressão "e Deus disse". São as Dez Palavras ou os Dez Mandamentos da Criação.

 

1. Gn 1,3 E Deus disse: haja luz

2. Gn 1,6 E Deus disse: haja firmamento

3. Gn 1,9 E Deus disse: as águas se juntem e apareça o continente

4. Gn 1,11 E Deus disse: a terra produz verde

5. Gn 1,14 E Deus disse: haja luzeiros

6. Gn 1,20 E Deus disse: as águas produzam seres vivos

7. Gn 1,24 E Deus disse: que a terra produz seres vivos

8. Gn 1,26 E Deus disse: façamos o ser humano

9. Gn 1,28 E Deus disse: sejam fecundos

10. Gn 1,29 E Deus disse: dou as ervas para vocês comer.

A Lei de Deus entregue ao povo no Monte Sinai tem no seu centro as Dez Palavras divinas da aliança. Da mesma maneira, a narrativa da Criação tem no seu centro Dez Palavras divinas. Assim como fez para o seu povo, Deus fez para as criaturas todas: fixou para elas "uma lei que jamais passará" (Sl 148,6). Dez vezes Deus falou e dez vezes as coisas começaram a existir. Falou: Luz!, e a luz começou a existir. Falou: Terra!, e a terra apareceu. Gritou os nomes das estrelas, e elas começaram o seu percurso no firmamento. "Ele diz e a coisa acontece, ele ordena e ela se afirma" (Sl 33,9). A harmonia do cosmo que vence a ameaça permanente do caos é fruto da obediência das criaturas aos Dez Mandamentos da Criação.

O povo não observou a Lei da Aliança. Por isso veio a desordem do cativeiro. As criaturas, ao contrário, sempre observam a Lei da Criação. Por isso existe a Ordem do cosmo. No Pai-Nosso Jesus dirá: "Seja feita a vossa vontade na terra assim como é feita no céu". Jesus pede que nós possamos observar a Lei da Aliança com a mesma perfeição com que o sol e as estrelas do céu observam a Lei da Criação. Na ordem do universo, tão visível no céu estrelado, descobrimos a motivação para lutar pela justiça, pela mudança da ordem social, pela preservação da integridade da criação.

 

Os dois Decálogos

Temos dois decálogos: o decálogo da criação e o decálogo da aliança. O decálogo da criação descreve a ação criadora de Deus, o decálogo da aliança descreve a resposta fiel do ser humano. O decálogo da criação já existia muito antes do decálogo da aliança. Existia desde a criação do mundo e era visível na ordem do cosmo, mas o seu alcance para a vida do povo só foi descoberto, quando a observância do decálogo da aliança entrou em colapso e criou o impasse do cativeiro.

A descoberta do decálogo da criação foi o resultado da teimosia da fé dos pequenos, de homens e mulheres como Oséias e Gomer, Jeremias, os discípulos e discípulas de Isaías e tantos outros, pais e mães de família, que continuavam na busca do Deus Criador. A total gratuidade da presença universal de Deus criador enche de esperança os seres humanos no meio da sua fraqueza. A bondade imensa de Deus, expressa na criação e que faz chover sobre bons e maus (Mt 5,45), deu coragem ao povo do cativeiro para recomeçar com garra a observância da lei da aliança do povo com Deus. Agora, eles observam os mandamentos, não mais para merecer a salvação, e sim para agradecer e retribuir a imensa bondade com que Deus os amou primeiro e cujo amor não depende da observância da lei. Eles sabem que nada nem mesmo o fracasso pode separá-los do amor de Deus (Is 40,1-2a; 41,9-10.13-14; 43,1-5; 44,2; 46,3-4; 49,13-16; 54,7-8; etc.). Agora vão lutar com mais garra do que antes.

A fé no Deus Criador abriu um horizonte, cujo alcance para a vida só se compara com o horizonte que a ressurreição de Jesus abriu para os discípulos confrontados com a barreira intransponível da morte. A descoberta do decálogo da Criação é como se fosse um fundamento novo colocado debaixo de um prédio que ameaçava cair por falta de observância da parte dos engenheiros e operários. Você não vê o fundamento novo, pois está debaixo do chão, mas você sabe que ele existe, pois o prédio pode até balançar, mas não cai. A fé na gratuidade da presença universal de Deus torna-se a infra-estrutura da observância dos mandamentos e uma motivação a mais a lutar pela preservação da vida na terra.

Foi no contato renovado com a natureza que Jeremias redescobriu o alcance libertador da fé no Deus Criador. É disso que nós precisamos hoje: de um novo olhar sobre o universo para entender de outro modo nosso relacionamento com a terra. Precisamos redescobrir, como dizia o índio a Orlando Vilas Boas, "a grande sabedoria que move tudo" e que se revela de mil maneiras na natureza e no dia a dia da nossa vida. Precisamos de um reencontro com o Deus Criador para poder lutar com esperança fundada pela vinda do "Novo Céu e da Nova Terra".

 

2ª PARTE: Vida no Campo e na Cidade

A difícil travessia

A Boa Nova de Deus anunciada por Jesus

Jesus era um camponês do interior da Galiléia. Trabalhava na roça, no campo. Nas horas livres servia ao povo como "carpinteiro". Como em Jeremias, a experiência de Deus, colhida na contemplação da natureza, modificou em Jesus o olhar sobre a vida e sobre o universo e está na raiz dos ensinamentos que dava ao povo. Dois exemplos:

No sermão da montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levou Jesus e esta afirmação revolucionária: "Eu lhes digo: amem os seus inimigos!"

No mesmo Sermão da Montanha, ele ensina como procurar a justiça e encarnar a Boa Nova de Deus na vida: "Por isso, é que eu lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? Quem de vocês pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente de pouca fé! Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas" (Mt 6,25-30.33). A observação das plantas e dos passarinhos levou Jesus tirar uma conclusão de como realizar a busca do Reino e a sua justiça.

Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: "Antigamente foi dito, mas eu digo...". A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas.

Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macro-cosmo e do micro-cosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.

 

A crise que provocou a mudança em Paulo

Paulo, nascido em cidade grande e teólogo formado, teve uma resistência muito grande em aceitar a nova maneira de encarar a Boa Nova de Deus vinda de um camponês sem estudo lá do interior da Galiléia. Resistiu e combateu até onde pôde. Mas foi derrubado nas suas pretensões. A visão de Deus anunciada por Jesus foi mais forte. Foi um processo doloroso que o levou a modificar por completo sua visão do universo, do mundo, da vida, de Deus. A inculturação não aconteceu no gabinete do rabino Paulo, mas na crise vivida junto ao povo. A sua teologia posterior expressa nas cartas sistematizou a descoberta que ele fez na sua prática junto ao povo. Vejamos:

No areópago de Atenas, Paulo encontrou-se com os magistrados, os notáveis e as autoridades que o tinham convidado para uma conversa. Foi um confronto de alto nível entre duas maneiras diferentes de ver o mundo e a vida. De um lado os epicureus e os estóicos, membros das duas principais correntes filosóficas gregas (At 17,18). Do outro lado, Paulo, missionário semita, judeu cristão. A pregação de Paulo no areópago de Atenas simbolizava a mensagem cristã atingindo o coração do sistema dominante na época. Mas a reação da elite grega diante do anúncio da ressurreição foi de descaso e de zombaria. Pouca gente se converteu (At 17,32-34). Não mostraram nenhum interesse. Para eles, Paulo não passava de um vendedor ambulante de mais uma das muitas religiões e filosofias da moda (At 17,18). Como nós hoje diante do sistema neoliberal, Paulo se viu confrontado com uma cultura aparentemente impenetrável, sobre a qual a sua mensagem não provocou nenhum impacto. Esta experiência de fracasso teve um reflexo profundo na vida de Paulo. Desanimado, viajou para Corinto e chegou por lá "cheio de fraqueza, receio e tremor" (1Cor 2,3), "em meio às angústias" (1Ts 3,7). Por que o anúncio da Boa Nova não teve o efeito como nas outras vezes? Culpa de quem: do conteúdo, do pregador ou dos ouvintes?

Em Atenas, lá no areópago, Paulo tinha elaborado um discurso conforme as regras da retórica e da sabedoria dos gregos (At 17,22-31). Chegou a citar a frase de um poeta grego de Tarso (At 17,28). Mas esqueceu ou omitiu duas coisas muito importantes e centrais. No seu discurso, ao falar da ressurreição, Paulo não falou da Cruz, nem mencionou o nome de Jesus. Ele disse: "Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora anuncia aos homens que todos e em todo lugar se arrependam, pois ele estabeleceu um dia em que irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou e creditou diante de todos, ressuscitando-o dos mortos" (At 17,30-31). Apresentada assim, a ressurreição, em vez de ser uma provocação concreta à consciência das pessoas a partir dos gestos e palavras de Jesus de Nazaré, ela tornou-se uma doutrina alternativa à teoria da alma imortal da cultura dos gregos. Paulo talvez pensasse que os argumentos de um discurso bem elaborado dentro das normas da cultura grega pudessem converter a elite. Mas o seu discurso não teve nenhum efeito nos ouvintes. "Quando ouviram falar de ressurreição dos mortos, alguns caçoavam e outros diziam: ‘Nós ouviremos você falar disso em outra ocasião'" (At 17,32).

Esta experiência negativa, porém, teve um efeito profundo no próprio Paulo. Os ouvintes não se converterem, mas Paulo, ele sim, se converteu. Foi a sua segunda queda. A primeira foi no caminho de Damasco (At 9,3-9). O fracasso da sua pregação em Atenas revelou que não é a retórica, nem a sabedoria humana de um discurso bem montado que converte os corações, mas sim o poder de Deus (1Cor 2,4-5). O defeito não estava no conteúdo, mas no próprio Paulo, ou melhor, na seleção que Paulo fez do conteúdo. Não se evangeliza uma sociedade a partir da elite e, para evangelizar a elite, não se deve mudar nem adaptar o discurso, como Paulo tinha feito omitindo a Cruz e o nome de Jesus.

Teólogo formado na escola do doutor Gamaliel em Jerusalém (At 22,3), Paulo teve que experimentar a total inutilidade dos seus argumentos. Em vez de derrubar, foi derrubado na sua pretensão de vencer o inimigo com os argumentos da razão. O sistema da cultura helenista não se abalou, nem se alterou. Pouca gente se converteu. A maioria do pessoal nem se interessou. "Até logo! Fica para outra vez!" (At 17,32). Até agora, o sistema neoliberal não se abalou com os nossos argumentos.

Paulo soube tirar a lição dos fatos. Em Atenas omitiu o nome de Jesus e não falou da Cruz. Para os coríntios, ele escreve: "Irmãos, eu mesmo, quando fui ao encontro de vocês, não me apresentei com o prestígio da oratória ou da sabedoria, para anunciar-lhes o mistério de Deus. Entre vocês eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado" (1Cor 2,1-2). Sua pregação não tem mais nada daquela linguagem baseada na sabedoria dos gregos. Parece um outro Paulo, diferente do Paulo do areópago. Aprendeu a lição.

Mudou tudo: a linguagem, os destinatários e o conteúdo. Em vez da oratória humana, a linguagem da Cruz. Em vez da elite intelectual, o povo do cais do porto. Em vez de falar só do ressuscitado, falou de Jesus e de Jesus Crucificado que venceu a morte. Em Corinto, Paulo dirige sua mensagem não à elite, mas ao povo da periferia da sociedade: "Irmãos, vocês que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem são vocês: entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade" (1Cor 1,26).

 

Como Paulo inculturou a Boa Nova nas cidades do império

A primeira carta que temos de Paulo é a 1ª aos Tessalonicenses, escrita no ano 51 em Corinto neste contexto da descoberta da presença da Sabedoria da Cruz de Jesus no meio dos pobres. Nesta mesma carta, já aparece a maneira que Paulo encontrou para inculturar esta descoberta em ferramenta concreta de ação pastoral.

A conversão para Cristo é apenas um lado da vida de Paulo, o mais conhecido. O outro lado da mesma medalha é a sua identificação cada vez maior com os assalariados e os escravos. A conversão tirou Paulo de uma posição na sociedade e o colocou em outra, bem inferior. Acabou sendo um trabalhador assalariado com aspecto de escravo. "Por causa de Cristo perdi tudo" (Fl 3,8). Mal e mal ganhava o suficiente para poder sobreviver (2Cor 11,9).

De acordo com o costume dos professores e missionários ambulantes da época, Paulo tinha três opções possíveis para ganhar a vida: 1. Alguns impunham um preço pelo ensino que davam; 2. Outros, bem poucos, viviam das esmolas que pediam nas praças; 3. Outros ainda, a maioria, se empregavam como professores particulares em alguma casa de família de gente mais rica (foi o caso de Aristóteles) e lá viviam, recebendo alguma ajuda em dinheiro. As três opções tinham em comum que nenhuma delas aceitava trabalhar com as próprias mãos. Na sociedade grega ou helenista, "trabalhar com as próprias mãos" era visto como o trabalho próprio de um escravo e impróprio para um cidadão ou homem livre. O sonho comum dos gregos era este: uma vida tranqüila, só de estudo e meditação, sem trabalho manual. Os filósofos e missionários realizavam este sonho, pois não trabalhavam com as próprias mãos. A comunidade os acolhia e os sustentava de bom grado, pois via neles uma amostra do sonho de todos. Em algumas passagens do livro do Eclesiástico transparece esta mesma ideologia (Eclo 38,24-34).

Paulo não aceitou nenhuma destas três opções. Ele reconhecia aos companheiros o direito de receber um salário pelo trabalho que faziam na comunidade (1Cor 9,6-14); reconhecia também que ele mesmo tinha este direito (1Cor 9,4). Mas fazia questão de não aceitar pagamento pelo seu trabalho na comunidade. Paulo queria anunciar o evangelho de graça (1Cor 9,18; 2Cor 11, 7; 1Ts 2,9; 2Ts 3,8; 2Cor 11,9; 12,13-14; At 20,33-34). E fazia disto uma questão de honra, "um título de glória" (1Cor 9,15). Nunca aceitou esmola nem ajuda, a não ser da comunidade de Filipos (Fl 4,15-16; 2Cor 11,9). Em lugar daqueles três caminhos, já aceitos pela sociedade, ele escolhe um quarto caminho: "trabalhar com as próprias mãos" (1Cor 4,12). Por que Paulo não fez como todo mundo? Pois, como cidadão romano e homem livre, não precisava trabalhar como escravo; como missionário ambulante, podia ser sustentado pela comunidade. Esta o aceitaria de bom grado. Mas ele recusou este direito (1Cor 9,15). Por que fez questão de trabalhar com as próprias mãos?

A grande massa urbana daquele tempo era de escravos: eram pobres, passavam necessidade, trabalhavam com as próprias mãos. Foi, sobretudo, no meio deles que surgiram as primeiras comunidades cristãs do mundo grego (cf. 1Cor 1,26; 2Cor 8,1-2). Pela sua condição de vida, um escravo jamais poderia subir e tornar-se um cidadão ou homem livre. Quem nascia escravo, nascia numa prisão perpétua! Um escravo jamais poderia realizar o sonho comum de, um dia, ter uma vida tranqüila, só de estudo e de meditação, em que já não fosse necessário trabalhar com as próprias mãos. Este sonho ficava fora das possibilidades reais da grande maioria do povo. Mais ou menos como hoje: a televisão, a propaganda, as novelas alimentam em todos um sonho, que só pode ser alcançado por alguns poucos ricos da classe média alta. Pois pela sua condição de vida, a maioria do povo é prisioneiro do salário mínimo! Para ele, o sonho da televisão é uma ilusão, um sonho irreal.

Se Paulo fosse viver e agir como os outros missionários, estaria alimentando, querendo ou não, a ilusão, o sonho irreal de todos. Apresentando-se, porém, como missionário que vive do trabalho de suas próprias mãos, ele provoca uma ruptura: faz com que o evangelho por ele anunciado apareça não como algo que fica fora das possibilidades dos escravos e trabalhadores, mas sim como algo que faz parte da vida deles. É o processo da inculturação. Paulo apresenta um novo sonho, diferente do sonho irreal da ideologia dominante da época.

Em Éfeso, Paulo "ensina diariamente na escola de um homem chamado Tiranos" (At 19,9). Uma tradição muito antiga do "textus occidentalis" informa que este ensinamento diário era feito "entre a quinta e a décima hora", isto é, entre onze horas da manhã e quatro da tarde. Ou seja, durante a hora do almoço e do descanso! Paulo só tinha as horas da sesta para anunciar o Evangelho. Nas outras horas, desde a manhã até tarde da noite (1Ts 2,9; 2Ts 3,8), ele tinha que trabalhar para poder sobreviver! Ele era realmente um trabalhador que anunciava o evangelho.

Este testemunho de vida de Paulo é o pano de fundo de toda a sua atividade missionária. Foi exatamente neste ponto do trabalho com as próprias mãos, que Paulo recebeu os maiores ataques dos outros missionários. Estes não tinham a percepção de Paulo, pois pensavam mais de acordo com a ideologia dominante (1Cor 9,11-18; 2Cor 11,7-15). Foi trabalhando com as próprias mãos pelo seu sustento, que ele se tornou um exemplo vivo e que ajudava o povo das comunidades a perceber onde estava a fonte da verdadeira vida honrada (1Ts 4,11-12), a saber: na sua própria condição de trabalhadores e escravos. Foi através do seu trabalho como meio de vida, que Paulo mostrava concretamente como o evangelho podia e devia ser inculturado na vida do povo pobre das periferias das grandes cidades do seu tempo. É este o grande desafio que ele deixa para nós que estamos sendo confrontados com o mesmo problema da travessia do Campo para a Cidade.

 

3ª PARTE: As informações da ciência

Contemplar a Criação de Deus

Hoje, estamos numa virada da história como nunca tivemos antes. De um lado, a incrível depredação da natureza e, de outro lado, a descoberta progressiva da grandeza da natureza e do universo. Os contatos com as outras culturas e religiões, a teoria quântica, a bioenergética, a descoberta dos segredos da natureza estão relativizando todos os nossos conhecimentos. Nossas motivações dogmáticas estão sendo relativizadas, as certezas que nos acompanhavam estão sendo questionadas, o sentido da vida que nos orientava desaparece no horizonte. Muitas perguntas estão surgindo e a resposta nem sempre aparece. Mais do que nunca estamos sendo desafiados para aprofundar as motivações da nossa fé para além da forma tradicional a que fomos habituados. Como em Jeremias e em Jesus, a contemplação renovada da natureza é um caminho aberto.

Um exemplo concreto. Diz a Bíblia:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas. Deus disse: "Que exista a luz!" E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas: à luz Deus chamou "dia", e às trevas chamou "noite". Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia. (Gn 1,1-4)

Assim começa na Bíblia a narrativa da criação. O povo pergunta: "Quanto tempo faz que houve esse princípio?" Pelas informações da própria Bíblia, tomadas ao pé da letra, seria em torno de seis mil anos (6.000), ou exatamente 5.769 anos conforme o calendário judaico. A ciência informa que o universo tem em torno de quatorze bilhões de anos (14.000.000.000).

A Bíblia diz que Deus colocou as estrelas no céu para servirem de lâmpadas durante a noite. "A grande lâmpada", o sol, para iluminar o dia, e a "pequena lâmpada", a lua, para iluminar a noite (Gn 1,16-18). A ciência informa que só dentro da nossa galáxia, chamada Via Láctea, existem mais de 100 bilhões de estrelas. O sol é apenas uma destas 100 bilhões de estrelas. É uma estrela relativamente pequena, situada na periferia da Via Láctea. Além da Via Láctea, existem em torno de 100 bilhões de galáxias (100.000.000.000). Faça o cálculo! Há muito mais estrelas do que seres humanos em toda a história da humanidade!

A ciência informa que o sol é um milhão de vezes maior que Terra. A cada segundo o sol gasta, gratuitamente, quatro milhões de toneladas de si mesmo para transformá-las em luz. É graças a esta luz, enviada para Terra, que nós existimos. Sem a luz do sol, a vida não teria sido possível. Ela jamais teria surgido na face da terra. O sol já presta este serviço há vários bilhões de anos e o combustível disponível no sol a ser transformado em luz ainda vai dar para mais uns 4 a 5 bilhões de anos.

Ao redor do nosso sol gira um determinado número de planetas como Marte, Vênus, Saturno, Júpiter e outros. Um deles é Terra, nossa terra. Solta no espaço, a Terra gira em torno do sol e é mantida no seu lugar pela invisível força da gravidade. Até hoje ninguém sabe explicar bem como esta força consegue manter tudo no seu lugar. Vênus fica mais perto do sol e, por isso, o calor demasiado faz com que nele a vida seja praticamente impossível. Não há água, só vapor. Marte fica mais longe do sol e por isso é frio e a vida não é possível. Um gelo só!

Uma evolução de bilhões de anos fez com que Terra, iluminada pela luz do sol, criasse condições para que a água pudesse aparecer e a vida pudesse nascer e desenvolver-se nas milhares de formas, desde as algas marinhas até à mente humana. Cada ser humano, nos nove meses que passa no seio de sua mãe, refaz esse longo processo da evolução de bilhões de anos.

Tudo isto nos obriga a mudar o olhar, a mudar as atitudes, a ser menos pretensiosos, menos dogmáticos, menos antropocêntricos, mais humildes. Ao mesmo tempo, tudo isto nos ajuda a redescobrir, como Jeremias e Jesus, a imensa grandeza da fé no Deus Criador que nos acolhe e aceita. Ajuda a reler a Bíblia e a Tradição e descobrir nelas outros aspectos de grande beleza e profundidade, jamais percebidas anteriormente.

 

Conclusão: Lutar pela chegada do fim deste mundo

"Diante dos grandes desafios que hoje enfrentamos, quais as motivações que a Bíblia nos pode oferecer para motivar e aprofundar a luta pela vida?" Com esta pergunta iniciamos nossa reflexão. A bíblia não oferece solução para os desafios que hoje enfrentamos. Mas, como pudemos verificar, ela ajuda muito a modificar os olhos, a ter esperança fundada, a aprofundar nossas motivações, a lutar com mais garra pela vida e pela integridade da criação.

No passado, nos momentos de maior desespero, sobretudo em época de perseguição por parte do império, quando o horizonte se apagava e a esperança corria perigo de esmorecer, a profecia assumia a forma de apocalipse e o povo começava a esperar e a lutar pelo fim do mundo, não do mundo em geral, mas sim pelo fim deste mundo de injustiça que persegue e mata a vida. O Apocalipse leva a lutar pelo fim deste mundo injusto, para que possa, enfim, aparecer o Novo Céu e a Nova Terra. São Pedro, no seu discurso ao povo no Templo, chega a sugerir que nós, pela nossa conversão e compromisso, podemos apressar a chegada deste fim (cf. At 3,19-21). Por isso, vale a pena continuar a luta pela vida, pela justiça, pela integridade da criação. Mas, é importante lembrar as palavras do senhor Antônio, animador de comunidades lá no Ceará: "Eu não trabalho para mim, nem para os meus filhos, mas para os netos e bisnetos!" Nascemos muito tempo antes de nós, e vamos morrer muito tempo depois de nós.

 

[Exposição realizada no congresso anual da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião), cujo tema foi Sustentabilidade da Vida e Espiritualidade, realizado de 7 a 10 de julho de 2008, em Belo Horizonte]

 Fonte: Adital



© 2007/2008 Catedral Santo Antônio Chapecó.  Todos os direitos reservados. | créditos |