| Seja bem-vindo! Hoje é
 
 
Acompanhe o santo do dia
Fonte: Católico.org
 
 
 
Home
Pároco
Atendimento na Paróquia
Estudos litúrgicos
Curiosidades
Catedral Sto Antônio
Pastorais
Regiões Pastorais
Padroeiro
Orientações Pastorais
Orações
Estudos e Reflexões
Espaço Litúrgico
Mensagens
Folheto Litúrgico
Contato
 
. : Catedral Santo Antônio :.
“SAGRAÇÃO” OU “ORDENAÇÃO” EPISCOPAL?

Uma discussão, que não é nova, esquentou os ânimos dos professores da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, quando no início deste ano chegaram em suas mãos os convites para a “sagração episcopal” de dois de seus colegas.

 

1.  Por que “sagração”?

Quem defende os termos “sagração episcopal, bispo sagrante” e “bispos consagrantes” se refere ao Código de Direito Canônico de 1983, particularmente aos cânones 1012 a 1014, onde se fala do “bispo consagrado”, de “consagrar alguém como bispo”, de  “principal bispo consagrante”, da “consagração episcopal” e dos “bispos consagrantes”.

Estes cânones constam no capítulo “Da celebração e do ministério da ordenação” (cân. 1010 a 1023). No cânon 1009 se constata que  “as ordens são o episcopado, o presbiterato e o diaconato”. Nos cânones 1010 a 1012 se fala simplesmente em “ordenação, ordenações” ou “sagrada ordenação”, sempre se referindo aos três graus do sacramento da ordem e, portanto, incluindo a “ordenação episcopal”. No cânon 1022 encontramos a expressão “bispo ordenante” e no cânon 835 § 2 “presbíteros consagrados”. Como se vê, o Código nem sempre é coerente na sua terminologia.

Os defensores de “sagração” referem-se também a documentos do Concílio Vaticano II, por exemplo, aos números 21 e 22 da Constituição sobre a Igreja, “Lumen Gentium”, onde de fato se fala em “sagração episcopal”. Além disso, alegam que o núcleo da celebração da ordenação é, ao lado da imposição das mãos, a “oração consecratória”.

 

2.  Por que “ordenação”?

Quem está a favor do termo “ordenação” argumenta a partir dos livros litúrgicos e de documentos do magistério que tratam da liturgia das ordenações. O atual Pontifical Romano, elaborado por ordem do Concílio Vaticano II e publicado em 1968, fala em “ordenação”  episcopal como em “ordenação de presbíteros e diáconos”, em “bispo ordenante principal” e “bispos ordenantes”. Esta, aliás, é a terminologia que o Papa Paulo VI introduziu através da sua Constituição Apostólica “Pontificalis Romani” de 18 de junho de 1968, pela qual aprovou “o novo rito para ordenação de diácono, presbítero e bispo”. Quando Paulo VI se refere neste texto a documentos anteriores que usam o termo “sagração” ou derivados, ele não muda esta terminologia. Mas quando ele fala do rito restaurado ele usa só o termo “ordenação do bispo”.[1]

Para apreciarmos a importância desta mudança de terminologia pelo Papa Paulo VI, convém lembrar que o Papa se refere à Constituição Apostólica “Sacramentum Ordinis” de Pio XII de 30de novembro de 1947, que estabelece que matéria e forma dos três graus do sacramento da ordem são a imposição das mãos e as palavras da oração consecratória que determinam a aplicação desta matéria, para pôr fim às dúvidas dos séculos passados com respeito à matéria do sacramento da ordem e particularmente ao caráter sacramental da ordenação de um bispo. De fato, nos séculos passados o termo “sagração episcopal”, usado também no Pontifical Romano de Clemente VIII, publicado em 1586 e em vigor até a sua substituição pelo Pontifical de Paulo VI, insinuava que o bispo não é ordenado sacramentalmente como o é um diácono ou presbítero.

Aliás, os antigos sacramentários, por exemplo, o Veronense, o Gelasiano e o Gregoriano, falavam indiferentemente de “benedictio, ordinatio” ou “consecratio” nos seus títulos, usando em seguida sempre a palavra “consecratio” para apresentar o rito essencial  de cada uma das ordens.[2]

Todavia, a terminologia que deveria expressar sem ambigüidade esta fé e teologia, até hoje, nem de longe, é de uso comum na Igreja.

É compreensível que os documentos do Concílio Vaticano II ainda não usavam de maneira coerente o novo e antiqüíssimo vocabulário para as três ordenações, porque o Pontifical de Clemente VIII estava em uso.

Os autores do Código de Direito Canônico, no entanto, deveriam tê-lo usado. Mas a falta de precisão na terminologia se nota no Código, quando ele trata da liturgia, não somente com respeito à ordenação episcopal, que acima já constatamos.[3]

O Catecismo da Igreja Católica, por sua vez, tem o título “A ordenação episcopal” e fala também, quando não está citando a Constituição “Lumen  Gentium”, só de “ordenação de um bispo” (n. 1559).

 

3.  E o termo “consagração”?

Não levando em consideração a terminologia usada pelo novo Pontifical, alega-se ainda em favor de “sagração” que se fala geralmente em “bispo sagrante” e “bispos consagrantes” e, além disso, em “oração consecratória”. Na realidade, o Pontifical atual não usa estes termos. Ele fala, como já foi mencionado, em “bispo ordenante principal”, de “bispos ordenantes” e de “prece de ordenação”.

Podemos observar, neste contexto, que também em outros ritos não se usa mais o termo “consagração”, como era costume. Agora se diz “dedicação de altar” e “bênção de cálice e patena”. Fala-se ainda, sim, da “consagração das virgens”, da  “consagração do pão e do vinho” na missa e da “consagração do crisma” dentro do rito da bênção do óleo dos catecúmenos e dos enfermos e confecção do crisma”. O ritual do batismo de crianças evita a expressão “consagração a Nossa Senhora”  e fala de “um ato de devoção a Maria, confiando à sua proteção a vida e a fé das crianças”.

Conceitos e vocábulos são menos importantes do que a fé e a verdade que querem expressar. Mas eles ajudam não somente para expressar o que sabemos e cremos, e sim, para termos uma fé e um saber claros para nós nos inteirarmos mais facilmente da verdade e para podermos também anunciar nossa fé sem dificuldades, numa linguagem compreensível e sem ambigüidades.

 

 

 

 

 



[1] Sobre a importância desta mudança de terminologia veja A. G. MARTIMORT, A Igreja em oração, v. 3, Petrópolis, Vozes, 1991, p. 152s.

[2] Cf. ibidem.

[3] Dos numerosos textos do Código que mostram tal falta de precisão, apenas um exemplo: No fim do § 1 do cân. 834, que cita o n. 7 da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia, a palavra “culto” significa a vertente ascendente da ação litúrgica; mas logo em seguida, no início do § 2 do mesmo cânon, “culto” significa a ação litúrgica inteira, com suas duas vertentes, a descendente e a ascendente. Ao redigir este § 2, os autores do Código certamente não estavam conscientes da distinção que se faz desde o movimento litúrgico e que foi sancionada pelo Concílio Vaticano II, entre estas duas vertentes da liturgia (cf. SC 5). No entender do Vaticano II, também o título do livro IX do Código não é exato, pois “munus de santificar” diz  só pela metade o que é a liturgia.



© 2007/2008 Catedral Santo Antônio Chapecó.  Todos os direitos reservados. | créditos |