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. : Catedral Santo Antônio :.
Descrição de uma imagem da anástasis

 
1.. Interpretação da imagem
Este é um ícone do século XVIII e XIX da escola grego-romana. O ícone da ressurreição de Cristo, faz uma representação gráfica da descida de do Senhor à mansão dos mortos para libertar as almas dos justos.
O centro desta composição é o Cristo glorioso e luminoso que tendo arrombado as portas dos infernos, Cristo as esmaga e agarra o punho de Adão, que ele arranca com vigor das trevas da morte. Com Adão, é toda a humanidade que é arrancada por Cristo, que tomou a iniciativa da nossa salvação. Aos pés do Cristo vemos desencaixadas as portas da mansão dos mortos.
À direita vemos Eva saindo do túmulo. Ela Está vestida de vermelho como símbolo da humanidade, pois ela é a mãe de todos os viventes. Eva levanta as mãos cobertas pelo seu manto em sinal de reverência. Atrás de Adão e Eva aparecem os justos. Na primeira fila junto de Adão são identificáveis o Rei Davi e seu filho Salomão, vestidos com vestes de Rei.
Na segundo fila são identificáveis João Batista e Daniel, com os barretes na cabeça. Atrás de Eva estão Moisés com as tábuas da lei, Jonas e outros profetas.
Aos pés de Cristo glorioso se abre o Hades como uma furna negra e muito semelhante á gruta de Belém, no ícone da Natividade, e às turvas e escuras águas, no ícone do Batismo.
Ao fundo elevam-se algumas montanhas que, além de significar a profundidade dois infernos, simbolizam a solidez dos fundamentos de nossa fé. Com efeito, a montanha da direita se inclina para a montanha defronte e pretende evocar simbolicamente a Cristo segunda pessoa da Santíssima Trindade, que aceitara se encarnar assumindo a condição de servo, humilhando a si mesmo.
As vestes do Cristo são brancas. O branco é o símbolo da revelação, da transfiguração, do deslubrante. O resplendor das vestes de Cristo emana luz: tudo ao seu redor aparece efetivamente, como uma grande auréola ou o arco- íris como símbolo de todas as cores.
Essa alvura triunfal torna mais perspicaz o entendimento, são as mesmas vestes que Pedro, João e Tiago contemplaram no monte Tabor.[1]
No seu corpo transfigurado, Cristo escapa às leis do mundo, a gravidade da corrupção e da morte…Ele está suspenso no espaço. Vencedor da morte, Ele é transparência, abertura e comunhão.
Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos e,
levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres atemorizadas: rejubilai!
E aos apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.
 
Este é o sentido da descida de Jesus ao Hades, a sua morte tornando-se sua vitória. E a luz desta vitória ilumina agora nosso velar junto ao túmulo:
"Ó Vida, como podes morrer?
Como te delongas no túmulo?
Mas é para destruir o poder da morte
e ressuscitar os mortos do inferno.
"Tu foste depositado no túmulo, ó Cristo, tu a Vida!
Pela Tua Morte, destruíste o poder da morte,
e para o mundo, Tu fizeste brotar a vida.
"Ó que alegria esta!
Ó grande êxtase pelo qual Tu
inundaste os mortos detidos no inferno,
fazendo luzir o lume
em suas profundezas sombrias!"
A vida entra no reino da morte; a luz divina inunda as trevas tenebrosas e ela brilha para todos aqueles que aí habitam, pois o Cristo é a vida de todos, única fonte de toda vida. Ele morre, pois, por todos, porque tudo que atinge sua vida, atinge a própria Vida... a descida ao Hades é o encontro da vida de todos com a morte de todos:
"Tu desceste sobre a terra para salvar Adão
e não o encontrando, ó Mestre,
tu o foste procurar até no Inferno"
"A multidão dos anjos ficou estupefata
vendo-Te contado dentre os mortos, ó Salvador,
enquanto Tu aniquilavas a força da morte
e contigo Tu acordavas Adão
e libertavas todos os homens.
[2]
 
2. Sentido teológico
No Credo dizemos esta fórmula: “... foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos...”. “Descer aos infernos” significa que Jesus morreu realmente, que como todos os homens se afundou na limitação e angústia da morte. “Os infernos” na linguagem tradicional de Israel eram o “sheol”, o abismo onde iam parar todos os homens, tanto os bons como os maus, ao término da vida. Era um lugar de silêncio, de tristeza, onde não existia nenhuma esperança. Neste episódio “o inferno” é a câmara de torturas da Torre Antônia. Jesus desceu também a este inferno antes de descer ao da morte.
Os judeus no Antigo Testamento tinham uma imagem do cosmos muito diferente da nossa. Representavam-no como um disco enorme e plano, circular, rodeado pelas imensas águas do oceano. Estava assente sobre quatro colunas que mergulhavam no abismo. Por cima do espaço encontrava-se o firmamento. Era uma cúpula sólida, sobre a qual se supunha que havia água, e que servia para separá-las das águas de baixo. Desta cúpula pendiam o sol, a lua e as estrelas. Para que chovesse, abriam-se as comportas de cima, e então as águas caíam sobre a terra. O terceiro estrato deste cosmos era o lugar em hebreu chamado sheol, a morada dos mortos, o mundo subterrâneo, colocado debaixo da terra. Para lá iam todos os defuntos, sem exceção. Quando a palavra sheol teve que ser traduzida para o grego, usou-se o vocábulo hades. E mais tarde, ao passar para o latim, traduziu-se por infernus, que significa precisamente isso: “lugar inferior, subterrâneo”. Estas três palavras, pois, indicam a mesma realidade.
A expressão “desceu aos infernos”, como se compreende, está composta de conceitos que já não são os nossos. Agora que sabemos que a terra não é plana mas redonda, e também não acreditamos que os mortos desçam para nenhum “lugar inferior”. Contudo, a verdade de fé continua em pé. Com ela, só se quer dizer que Jesus morreu “realmente”, que passou pela humilhação de estar morto, separado desta vida, excluído do resto do mundo que continuou a viver. Por isso, quando nós católicos confessamos, na nossa fé, que Jesus Cristo descendeu aos infernos, queremos simplesmente dizer que permaneceu no estado real de morte; que chegou ao limite extremo do seu abaixamento; que com ela tinha tocado no fundo.
O Catecismo da Igreja Católica assim se expressa: “As freqüentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus "ressuscitou dentre os mortos" (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados”(CIC 632).
Diz ainda o Catecismo: “Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que "os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da vida", "destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, o Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte" (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 39 1,18), e "ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos" (Fl 2,10). (CIC 635).
 
3. Conclusão
Há diversas representações da “Anástasis”. Além de dar destaque ao Cristo todas elas procuraram também com detalhes e formas diferentes apresentar o mistério da ressurreição de Jesus.
A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente o Cristo. Ela não representa o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova “economia” das imagens:
Antigamente Deus, que não tem nem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora que se mostrou na carne e viveu com os homens posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (...) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor. (S.J.Damasceno) (Catecismo da Igreja Católica 1159)
A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a Sagrada. Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra iluminam-se mutuamente. A iconografia é uma sucinta profissão de fé, que concorda com a pregação da história evangélica, crendo que, de verdade e não na aparência, o Verbo de Deus se fez homem (CIC 1160).
 
   Fontes Bibliográficas
 
·        Catecismo da Igreja Católica
·        Dicionário de Espiritualidade – Ed.Paulinas/1989
·        Dicionário de Teologia Fundamental – Ed.Santuário-Ed.Vozes/1994
·        NOUWEN, Henri J. M., Contempla a face do Senhor, Loyola, São Paulo, 2001.
 
 


[1] http://www.psleo.com.br/icono03.htm

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