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Fonte: Católico.org
 
 
 
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. : Catedral Santo Antônio :.
Como são amáveis, Senhor, as vossas moradas

Pe. Egídio Balbinot
Introdução
Depois do Concílio Vaticano II, apesar de toda a renovação litúrgica, a dimensão do espaço celebrativo não foi suficientemente trabalhada. Há por isso muita insegurança e confusão com relação a este aspecto. Neste texto, pretendemos, a partir de uma rápida visão da realidade, destacar alguns elementos teológico-litúrgicos-pastorais do espaço celebrativo.
 
1. Olhando a realidade
Na maioria das nossas comunidades cristãs podemos constatar:
- igrejas mal construídas ou mal acabadas.
-construção de espaços que servem para tudo (celebração, reunião, aula, catequese).
- falta de critérios na organização do espaço interno.
- tendência a desejar que todos os objetos sejam ‘móveis’.
- tendência de ‘adaptar tudo a tudo’. Após o Concílio em nome da renovação litúrgica e da adequação do espaço, cometeram-se muitos equívocos como: retirada e quebra de altares históricos, retirada de imagens de devoção popular, etc.. Na maioria das vezes o povo não foi consultado.
- falta de projetos e planejamentos de construção. Acaba-se com isso gastando mais em reformas do que a construção em si.
- falta de uma Comissão Diocesana de Arte Sacra, como nos pede a SC 44 e 45.
- exageros e degenerações nos edifícios e obras de arte. Igrejas pintadas com tintas fortes e agressivas.
- o ambão ou mesa da palavra ainda não é devidamente usado ou confeccionado com mau gosto, ou pior, usa-se um pedestal de partituras musicais.
- pouco valor à palavra de Deus (Bíblia, lecionário).
- uso de materiais artificiais e de gosto duvidoso (vitrôs de plástico, altares e cadeiras de fórmica, imagens de gesso feitas em série, flores artificiais, velas elétricas).
- preocupação exagerada em ‘preencher o espaço’ (imagens de devoção, cartazes, painéis, via-sacra, enfeites).
- iluminação forte e agressiva (uso de lâmpadas florescentes, holofotes).
- precário sistema de som, pouca ventilação, pouca entrada de luz natural.
- falta de espaços de acolhida.
- igrejas sujas e sacristias desordenadas.
- o primeiro critério nas construções é simplesmente financeiro e funcional. O aspecto teológico, litúrgico e artístico, fica em segundo plano.
- por falta de lugares próprios ou improvisados, o Mistério Pascal não é celebrado adequadamente.
- Não se sabe o valor dos materiais. Usa-se material de banheiro, de cozinha, de cinema.
- Fazemos genuflexão diante de Nossa Senhora e a colocamos sobre o altar, ou pior, sobre o corporal.
- Não se sabe o valor da luz, do tempo litúrgico, das cores. Usa-se flores e cores a bel prazer.
- Em nome da modernidade e para fugir do jansenismo dolorista, substituímos a cruz de Cristo por uma pintura de mau gosto. Onde estaria o equilíbrio?
- Com a maior facilidade, damos as costas para o altar, fazendo na frente dele os ritos iniciais e a liturgia da palavra.
- A pia batismal já não tem mais lugar em nossas igrejas. No lugar delas pequenos jarros e bacias (de plástico).
 
2. Alguns elementos bíblicos e teológicos
 
2.1.O templo é imagem do universo
O templo primitivo e natural é o próprio mundo, é a própria natureza. “O céu é a terra estão cheios de tua glória” (Is 4). Os antigos já tinham os bosques sagrados como o ‘locus’ dos romanos que se constituíam dos seguintes elementos: a montanha, com sua gruta, pedras, árvores e fontes tudo protegido por uma linha demarcatória marcando o lugar como sagrado. O edifício sagrado é pois, uma imitação em miniatura do mundo. Com o desenvolvimento da arquitetura o templo se tornou uma casa e seus componentes minerais e vegetais se transpuseram para formarem os próprios elementos do edifício. “Assim sendo a ‘linha’ rudimentar se tornou parede; as árvores se transformaram em pilares; a pedra se tornou o altar; a fonte de água a piscina batismal; a gruta fez surgir o nicho da ábside e o teto foi assimilado à abóbada celeste. Surgia o Templo como uma paisagem petrificada”.[1] 
 
2.2. O homem é imagem do sagrado
Assim como o templo sempre foi a imagem do universo, o homem é a imagem do sagrado (microtheos). No homem está contido todo o Mistério que chama à Vida. O templo deveria espelhar um universo redimido, uma imagem do céu. É um lugar de intimidade, de proteção, de beleza, onde o ser humano tem a possibilidade de renascer e de se recriar. O espaço sagrado torna-se uma referência para o homem se reequilibrar. Os materiais como pedra, madeira, ferro, água, sal, óleo, são a extensão do Espírito que habita na pessoa. A maneira de dispor estes objetos ou a forma de usá-los atestam sacralidade ou banalidade.[2]
 
2.3. A Igreja é um símbolo
Segundo o NT o Templo é Cristo, o Cristo inteiro, isto é, cabeça e membros: Cristo e a Igreja que se reúne para celebrar a sua memória nas ações sacramentais e na oração comunitária. Este templo de Deus que é Cristo e sua Igreja, encontra expressão tangível cada vez que a comunidade dos fiéis se reúne em nome dele.
O edifício do culto cristão, não é mais para os cristãos como acontecia para os templos pagãos, a morada da divindade. “É antes, o lugar em que a comunidade dos fiéis se reúne para celebrar os mistérios de Cristo, a fim de que ele esteja presente entre os homens. Mas o lugar que acolhe a comunidade celebrante com Cristo e, em Cristo, o mistério da salvação, se transforma em lugar ‘sagrado’ por causa da presença permanente do Cristo no sacramento do seu corpo”.[3]O corpo de Cristo se estende, misticamente, no corpo da Igreja, edifício de Deus (1Cor 3, 9). “O templo cristão não nasce da necessidade de localizar uma presença de Deus, mas da conveniência de dar um digno espaço material ao rito do culto cristão”.[4]
“O templo é sinal da presença e ação salvífica do Pai; é imagem do Corpo Místico de Jesus Cristo, único e verdadeiro templo, construído com pedras vivas para oferecer novos sacrifícios (cf. Jo 2, 19 e 21). O próprio Deus consente que nossos edifícios sejam sua casa, pois nesse espaço ele nos dá vivenciar a sua união conosco e a união fraterna entre nós”.[5]
A igreja-edifício é também sinal da Igreja viva, da comunidade que vive da comunhão trinitária. “Vós quisestes habitar esta casa de oração para nos tornarmos, pelo auxílio contínuo da vossa graça, o templo do Espírito Santo, irradiando o brilho de uma vida santa. Assim, santificando-a sem cessar, conduzis para a vossa glória a Igreja, esposa de Cristo e mãe exultante de inúmeros filhos, simbolizada pelos templos visíveis”.[6]
A liturgia é uma realidade simbólica e o templo o lugar privilegiado da realização desta realidade. O próprio templo é símbolo.
O espaço sagrado só tem sentido porque nos reunimos para celebrar e atualizar o Mistério Pascal. Daí a liturgia ser um ‘hoje sem fim’. Liturgia e espaço sagrado são uma única celebração. Um é complemento do outro. Toda a construção cristã e o que aí se celebra é imagem da NOVA JERUSALÉM (Ap 21 e 22).
É o LUGAR:
Þ Da presença, da manifestação da revelação.
Þ O lugar da Aliança.
Þ Da Assembléia convocada = Igreja.
Þ Da aula magna = palavra viva hoje.
Þ Do Memorial Pascal.
Þ Do enlace e do convívio da Esposa com seu Senhor.
Þ Do Banquete do Cordeiro (sacrifício).
Þ Do repouso.
Þ Da adoração (em espírito e verdade).
NÃO É O LUGAR DE: Teatro, cinema, shopping, templo, casa, palácio, sala de áudio-visuais, sala de aula, casa de espetáculo, salão de esportes, sede de sindicato..
As igrejas construídas pelos homens são sinais visíveis da Igreja, povo de Deus convocado e reunido em assembléia, na liturgia em torno do Cristo. Se a Igreja cristã pode ser dita sinal da presença de Deus é, antes de mais nada, porque ela é a construção onde se reúnem em assembléia os cristãos que são o corpo de Cristo, assim a construção cristã é a casa da Igreja, daqueles que são convocados e O celebram.
 
3. Algumas sugestões pastorais
 
3.1. Em relação à funcionalidade do espaço celebrativo[7]
Segundo os documentos da reforma litúrgica, podemos assinalar algumas funções da arquitetura em relação ao espaço celebrativo:
a) Do ponto de vista da comunicação no interior da assembléia que celebra, a arquitetura deve tornar possível:
- A constituição da assembléia, a reunião e o encontro interpessoal dos que estão presentes à celebração.
- A participação na celebração com uma relativa comodidade e sossego.
- A percepção da palavra proclamada e do ministro que a profere.
- A percepção de todos os gestos dos ministros e ações ou ritos, ou seja, a comunicação pelo gesto e a comunicação visual em geral.
- A presidência litúrgica e a moderação e animação da assembléia em função da oração, do canto e das atitudes e movimentos.
- A diferenciação e o exercício dos diversos ministérios e ofícios litúrgicos.
- A atuação do coro ou schola cantorum e a comunicação entre esta e o resto da assembléia.
- A distribuição e ordenação mútua dos vários espaços ou lugares no interior da igreja: presbitério, capela do Santíssimo, batistério ou fonte batismal, lugar da penitência (sala da reconciliação), sacristia, etc...
- A colocação e hierarquização das imagens de Cristo, da Santíssima Virgem e dos santos.
- A disposição, junto ao altar, da cruz, dos candelabros e dos demais objetos necessários.
b) Do ponto de vista da experiência religiosa e da comunicação com Deus na ação litúrgica, a arquitetura deveria possuir também algumas qualidades:
- Ser válida para a celebração segundo os livros litúrgicos atuais, de maneira que possam ser conjugados o olhar e o contemplar, o escutar e o meditar, o cantar e o recitar, o aclamar e o guardar silêncio, a atuação ritual e o simples estar presente, etc.
- Capacidade e harmonia com todas as dimensões essenciais do homem: corporeidade, espírito, liberdade, respeito, beleza, recolhimento, comunhão, paz, etc.
- Expressividade simbólica e referência ao transcendente, vivência do invisível, convite à interioridade, à conversão e à fé.
- Simplicidade, nobreza, dignidade nos materiais, na decoração, na ambientação.
c) Do ponto de vista das relações da liturgia com a vida, deve-se levar em conta na arquitetura:
- A importância da passagem da vida comum à celebração, não como uma ‘ruptura de nível’ mas como um convite a perceber outra dimensão da vida.
- A necessidade, portanto, de zonas intermediárias, de espaços de encontro antes da celebração, de ambientes de silêncio (átrio, pórtico, claustro, jardim, etc.).
- A importância do acolhimento e da facilidade de acesso ao lugar da celebração e da saída sem pressa e sem aglomeração.
- Para isso é necessário eliminar na medida do possível os obstáculos, as escadas, as portas muito estreitas, etc. e facilitar uma ambientação alegre e acolhedora.
- A importância dos ritos iniciais que facilitam a formação da assembléia e criam um ambiente festivo: procissão de entrada, ritos do fogo e da luz na vigília pascal, aspersão com água benta, etc.
- Também não se deve esquecer a imagem externa da igreja no conjunto da arquitetura da cidade, do bairro ou da comunidade rural. Hoje não se trata mais de fazer a igreja sobressair como um sinal de prepotência, mas sim de ser ela uma clara e testemunhal referência da comunidade cristã que ali se reúne. A cruz, o campanário e outros sinais contribuem também para dar fisionomia a um povo, a uma sociedade e a uma paisagem, inclusive na grande cidade.
 
3.2. Em relação à organização:
- É importante levar em conta todo o processo de planejamento da construção do espaço sagrado. O espaço litúrgico não pode ser idéia de uma só pessoa. Não se trata só de levantar quatro paredes. Ele deve ser resultado da oração, da fé e da espiritualidade da comunidade. Deve ser ainda um trabalho de conjunto envolvendo liturgistas, engenheiros, arquitetos, pároco, lideranças e comunidade. O momento da organização do espaço litúrgico é uma oportunidade única de fortalecer a comunidade eclesial. A comunidade deve participar e estar unida em oração desde a escolha e bênção do terreno, até a bênção e a dedicação da igreja.[8]
- A comunidade também precisa ser educada para a arte. Que condições tem um conselho para decidir sobre um projeto de um arquiteto ou de um liturgista? Sem formação litúrgica e artística evidentemente o conselho pensará apenas no bolso. Por isso a construção de uma igreja seria uma oportunidade única de uma sólida formação procurando recuperar as raízes fundamentais da nossa fé e da arte cristã.
- O belo e o artístico não necessariamente significam luxo. Podemos Com materiais naturais, simples e baratos podemos organizar um espaço esteticamente belo. O povo pobre gosta do belo e tem direito a ele. É preciso portanto, aproveitar as idéias dos artistas locais e dos materiais tão significativos que normalmente são desprezados (madeira bruta, pedra, metais, elementos da natureza, etc).
 
4. Elementos conclusivos
- A liturgia é uma sinergia: ação conjunta entre Deus e o povo. O espaço litúrgico deve ser o lugar onde Deus se revela para seu povo e o povo revela-se e exprime-se para o seu Deus. O espaço litúrgico é lugar daqueles que foram convocados pelo Pai, arrancados do poder das trevas e constituídos como povo de Deus (cf. 1Pd 2, 4-5) para o seguimento de Cristo. É o lugar da assembléia que manifesta sua unidade e sua ministerialidade. É o espaço do sonho, da esperança, da utopia, da antecipação. É espaço do KAIRÓS, do momento privilegiado. É um espaço missionário, um espaço de envio. É o lugar provisório dos peregrinos que caminham para a casa do Pai.
 
Bibliografia
 
MARASCHIN, Jaci O espaço da liturgia (cap. 4), In: A beleza da santidade: ensaios de liturgia, São Paulo, Aste, 1996.
BUYST, Ione. O local da celebração na periferia das cidades. In: Revista de Liturgia nº 72, nov/dez. 1985, p. 5-13.
DANNEELS, Godfried. A obra de um Outro. In: 30 dias nº 1, jan. 1996.
CNBB, Por um novo impulso à vida litúrgica (Instrumento de trabalho), cap. VI: O espaço e os objetos celebrativos, p. 107-119.
PASTRO, Cláudio, Guia do Espaço Sagrado, Loyola, 1999
MACHADO,Regina. O local da celebração: arquitetura e liturgia, Paulinas 2001.


[1]   Cláudio PASTRO, Arte Sacra: o espaço sagrado hoje, p. 86.
[2] Cf. Claúdio PASTRO, As coisas novas tem raízes antigas, In: Revista de Liturgia, nº 72, nov/dez. 1985, p. 19.
[3]   Cf. Instrução Eucharisticum Mysterium, 1967, nº 49,
[4]   Cláudio PASTRO, Arte Sacra: o espaço sagrado hoje, p. 240.
[5]   CNBB, Animação da vida litúrgica no Brasil, nº 139.
[6]    Prefácio B, Missa da Consagração de uma Igreja.
[7] Para o que segue, cf. Julián López MARTÍN, No espírito e na verdade, vol.II p. 247-248.
[8]   Ver os diversos ritos no Ritual de Dedicação de Igreja e de altar.


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