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Fonte: Católico.org
 
 
 
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Iconografia cristã

A iconografia, arte verdadeira e própria dos primeiros cristãos, se desenvolve através dos séculos a partir das catacumbas, atravessa os concílios, a iconoclastia, perfazendo um longo caminho. A iconografia é arte teológica, tornando possível a união da arte e da teologia na criação de um ícone. Mais que uma obra de arte, o ícone faz um apelo àquela arte que permite a passagem do visível ao invisível. A beleza de um ícone não é exclusivamente estética, nem exclusivamente espiritual, mas interior. Quem o contempla deve acolher a luz que é Deus para poder perceber no olhar purificado, a clareza do Tabor, que transfigura a matéria. O ícone, representação de uma realidade transcendente, preenche a nossa visão de um universo de beleza. A meditação diante do ícone se torna um suporte de ordem porque fixa no espírito através da imagem, que o envia e o concentra através da realidade simbólica. No ícone a matéria não é violentada, mas é como Deus a criou. Porque todos os materiais e os ingredientes utilizados provêm do mundo mineral, vegetal e orgânico e são chamados a participar da transfiguração do cosmo, pois o iconógrafo deve espiritualizar a realidade sensível. O ícone é teofânico, signo visível da presença invisível, e ultrapassa o pintor e o espectador, a causa do elemento transcendente que nela habita. O ícone, portanto é a Palavra em cor e forma. O ícone possui um valor sacramental. Não só reflete a Glória do Reino, mas contém a energia vivificante, possui uma função mediadora na oração mais pessoal.
O ícone não é nada mais do que uma oração. É uma oração expressa em cores e formas. E é isto o que distingue o ícone de qualquer outra “obra de arte”.
Assim como é impossível ensinar alguém a rezar simplesmente por palavras, também é impossível ensinar ou aprender a orar com os ícones sem que haja uma experiência. Por isso vamos experimentar hoje, esse tipo de oração. É uma oração muito simples, pois os ícones são para os “pobres de coração” (cf.Mt.5,3). Não se reza com os ícones simplesmente com o intelecto, mas com o coração. É uma oração de humildade, onde temos que nos despojar de nossos pré-conceitos e concepções pessoais. Orar com os ícones significa entregar-se e participar daquilo que nele já está proposto. Como disse, o ícone mesmo já é uma oração.
Não admiramos o ícone simplesmente por ser uma obra de arte. O ícone não quer nos transmitir o estético, mas a BELEZA mesma, que tem sua origem no próprio Deus. O ícone, portanto, é um reflexo do mundo celeste; uma janela para o invisível.
A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente o Cristo. Ela não representa o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova “economia” das imagens:
Antigamente Deus, que não tem nem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora que se mostrou na carne e viveu com os homens posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (...) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor. (S.J.Damasceno) (Catecismo da Igreja Católica 1159)
A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a Sagrada. Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra iluminam-se mutuamente. A iconografia é uma sucinta profissão de fé, que concorda com a pregação da história evangélica, crendo que, de verdade e não na aparência, o Verbo de Deus se fez homem (CIC 1160).
Toda a iconografia é referente ao Cristo, inclusive quando se trata da Virgem Mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificado neles. Por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” (cf. Rm 8, 29; 1Jo 3,2) e transfigurado “à sua semelhança”, assim como os anjos, também recapitulamos em Cristo (CIC 1161).
“A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus”(S.J.Damasceno). A contemplação dos ícones santos, associada à meditação da Palavra de Deus e ao canto dos hinos litúrgicos, entra na harmonia dos sinais da celebração para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida dos fiéis(CIC 1162).
Os ícones são pintados para nos levar ao espaço interior de oração e nos aproximar do coração de Deus. Em contraste com a arte mais conhecida do Ocidente, os ícones são feitos segundo regras antiqüíssimas. Suas formas e cores não dependem meramente da imaginação e do gosto do iconógrafo, mas são transmitidas de geração em geração, obedecendo tradições veneráveis. A primeira preocupação do iconógrafo não é tornar-se conhecido, mas proclamar o reino de Deus com sua arte. Os ícones são destinados a ocupar um lugar na liturgia sagrada e, assim, pintados conforme as exigências da liturgia. Como a própria liturgia, os ícones tentam nos dar um vislumbre do céu.
Isso explica porque os ícones não são tão fáceis de “ver”. Eles não falam imediatamente a nossos sentidos. Eles não excitam, fascinam, agitam nossas emoções nem estimulam nossa imaginação. De início, parecem até um tanto rígidos, sem vida, esquemáticos e sem graça. Não se revelam a nós na primeira visão. É apenas gradualmente, após uma presença paciente, cheia de prece, que começam a falar conosco. E, quando falam, falam mais a nossos sentidos interiores que aos exteriores. Falam ao coração que busca Deus. Um ícone é como uma janela para a eternidade.
Quando o ícone nos apresenta um santo, testemunha a sua presença e exprime seu mistério de intercessão e de comunhão conosco e com toda a Igreja.
Certamente o ícone não tem realidade própria; em si, ele é somente uma prancha de madeira; é justamente porque ele tira todo seu valor teofânico de sua participação na Trindade, no “todo outro” por meio da semelhança, que ele não pode encerrar nada nele mesmo, mas irradia como que por irradiação esta presença. A ausência de volume exclui toda materialização, o ícone traduz uma presença energética que não pode ser localizada nem guardada, mas que irradia ao redor de seu ponto de condensação.
É esta teologia litúrgica da presença, que distingue absolutamente um ícone de um quadro religioso qualquer e faz a linha de demarcação entre os dois. Podemos dizer que toda obra puramente estética se realiza em um tríptico, onde o artista, a obra e o espectador formam as três portas ou partes. O artista procura, sobretudo expor seu dom e suscitar uma emoção de admiração na alma do espectador. O conjunto está contido neste triângulo de imanetismo estético. E mesmo se a emoção passa ao sentimento religioso, isso não é mais do que a capacidade subjetiva do espectador de a experimentar. Uma obra de arte é para se olhar, ela encanta a alma; emocionante e admirável ao máximo, ela não tem função litúrgica. Ora, a arte sacra do ícone transcende o plano emotivo que é agitado pela sensibilidade. Uma certa aridez hierática desejada e o despojamento ascético da alma da obra se opõem a tudo isso que é suave e emoliente, a todo enfeite e gozo propriamente artísticos.
 
   Fontes Bibliográficas
·        Evdokimov,Paul - L´art de l´icône-Théologie de la beauté - Desclée de Brouwer/1972
·        Catecismo da Igreja Católica
·        Dicionário de Espiritualidade – Ed.Paulinas/1989
·        Dicionário de Teologia Fundamental – Ed.Santuário-Ed.Vozes/1994
·        NOUWEN, Henri J. M., Contempla a face do Senhor, Loyola, São Paulo, 2001.
 


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