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. : Catedral Santo Antônio :.
PRESBITÉRIO

FORMA E FUNÇÃO
SIMBOLISMO
PROBLEMAS NA ADAPTAÇÃO À REFORMA LITÚRGICA
O QUE EVITAR NAS NOVAS CONSTRUÇÕES
 
Regina Celi Machado
 
Neste número vamos dar especial atenção ao presbitério, que é o espaço de maior importância do edifício igreja. É no presbitério que acontece a função litúrgica. É no presbitério que se encontram as peças principais e os objetos litúrgicos.
 
O presbitério é o lugar onde costuma ficar aquele que preside a celebração. É lá também que ficam, na maioria das vezes, a mesa da eucaristia e a mesa da Palavra.
 
O presbitério deve ficar num plano mais elevado quando a assembléia for numerosa para facilitar a visibilidade e a acústica. Mas não excessivamente elevado para não parecer distante do povo. Ao contrário, deve dar idéia de estar inserido na assembléia. Em pequenas capelas este desnível é até desnecessário. E conforme a arquitetura, pode estar num nível abaixo da assembléia.
 
Deve haver unidade entre o presbitério e a assembléia, pois sacerdotes e ministros formam com os fiéis um só povo de batizados. O ideal, são degraus em linha curva avançando no espaço da assembléia. As linhas retas dão impressão de separação. Também não deve haver nenhuma espécie de mureta separando a nave do presbitério, com exceção das igrejas com valor histórico, ou tombadas pelo patrimônio, onde esses detalhes são mantidos para conservação viva da história.
 
O presbitério deve ter uma dimensão tal que os ritos possam ser realizados comodamente. Devem caber os móveis necessários e ter espaço para a mobilidade do presidente, dos ministros e de todos aqueles que terão que estar no local.
 
As peças essenciais no presbitério são a mesa da eucaristia, a mesa da Palavra e a cadeira da presidência. Pode haver uma ou duas credências, castiçais, a cruz processional, o círio pascal e uma estante móvel para os comentários e avisos. Mais nada. Não devemos carregar o local com muita coisa, muitos arranjos e imagens, se não corremos o risco de esconder o principal e desvalorizar a liturgia. Além de desviar a atenção e a participação do fiel.
 
PROBLEMAS
 
Com a reforma litúrgica tivemos que adaptar o presbitério à nova liturgia, e daí foram criados problemas para os quais até hoje não estamos preparados. Por exemplo:
 
Paredão dos fundos do presbitério vazio.
 
Com a retirada do antigo altar mor e do retábulo nos fundos do presbitério surge uma enorme parede vazia. As soluções encontradas para preencher esse vazio nem sempre são as mais adequadas. Alguns optam por cobrir a parede com uma cortina, o que dá uma péssima impressão, parece esconder algo. Há alguns que chegam ao absurdo de terem mais de uma cor de cortina para mudar de vez em quando. Conheci uma igreja que tinha várias cortinas com as cores do tempo litúrgico. E ainda há os que pregam sobre a cortina frases recortadas em isopor. Deixemos de lado a crítica em relação ao bom ou mau gosto e vamos nos abster ao simbólico e ao litúrgico. A cortina esconde algo, nesse caso uma parede vazia. Mas o espaço da celebração litúrgica não deve esconder nada, deve ser um espaço da verdade, onde a verdade é proclamada e vivida. A verdade é bela, dizia o grande coreógrafo brasileiro Klaus Vianna.
 
Outra forma comumente usada para solucionar a parede vazia do fundo do presbitério é pendurar alguma coisa, ou a imagem do ou da padroeira, ou a imagem do Cristo na cruz, ou o sacrário ou ainda pinturas.
 
A imagem do padroeiro ou padroeira não deveria ocupar o ponto mais importante do espaço. O lugar central, o lugar para o qual os olhares devem naturalmente convergir é o altar, a mesa da eucaristia. É ali que o Cristo está preferencialmente presente. Não é o padroeiro o centro do espaço, mas o Cristo, e o Cristo da eucaristia. O local do padroeiro deve ser outro, uma capela, um local lateral, um local privilegiado, mas que não entre em concorrência com o Cristo. Se este ficar no presbitério, de preferência que não fique no centro exato.
 
Uma enorme cruz com o Cristo também não é o mais indicado para ocupar a parede dos fundos. A cruz deve estar presente no presbitério, mas não como uma imensa peça, como se fosse a cruz o destino de todo cristão. A cruz é passagem para a ressurreição, mas não o fim. A cruz deveria ser processional, acompanhar a caminhada do cristão, estar presente discretamente no presbitério com um apoio de pé. Se colocado na parede, algo mais discreto que não tome conta do espaço.
 
O sacrário muito menos deveria ocupar a centralidade deste espaço tão nobre. Até o século XII e XIII as hóstias consagradas eram conservadas na sacristia e serviam para a comunhão dos enfermos. A partir daí o pão eucarístico adquire maior importância e passa a ser colocado num nicho na parede e fechado com uma portinha decorada. Foi assim que começou o sacrário que conhecemos hoje.
Depois do Concílio de Trento as igrejas passam a ter uma capela do Santíssimo onde se desenvolve o culto da adoração eucarística e a distribuição da comunhão. A partir do século XVI a reserva eucarística passa a ocupar um altar, logo passando a ocupar o altar mor e se torna o lugar mais importante da igreja. Hoje, a peça principal é a mesa da eucaristia, onde o pão é consagrado e repartido. A reserva eucarística deve ficar fora do presbitério, numa capela própria para oração individual e comunitária.
 
Pinturas, mosaicos podem ser usados nestas paredes, mas sempre com muito cuidado. Não é qualquer pintura que serve. Encontramos coisas tão horrendas que não ajudam a liturgia e o clima de oração. Devemos ser muito criteriosos com o que vamos colocar em local tão nobre. É preferível não fazer nada, deixar o vazio a colocar não importa o quê. Vi certa vez uma parede de presbitério toda revestida de espelho, sempre preocupada com a função e o simbolismo das coisas, perguntei o por quê, me responderam que era para lembrar ao fiel que ele é a imagem e semelhança de Deus. E assim nos perdemos e caímos no ridículo, não cumprimos o papel evangelizador, perdemos os fiéis e não sabemos por quê.
 
Distância entre o altar e a parede de fundos do presbitério.
 
Com a retirada do altar dos fundos, um grande espaço surge entre o altar mais próximo da assembléia e a parede. O que fazer neste enorme espaço? A solução encontrada, em algumas igrejas foram lamentáveis. Houve quem construísse uma parede criando um novo espaço atrás, o que compromete a unidade da arquitetura anterior. Essas meias paredes são muito feias, quebram a verticalidade quando não vão até o alto e escondem a ábside.
 
Em todos os anos de trabalho reformando igrejas, cada vez me convenço mais que o melhor não é esconder, os espaços existem e foram construídos em outra época com outra teologia e outra liturgia, devemos assumir que ocupamos um espaço já existente e construído para outros fins, a adaptação deverá considerar isso e não ser uma mentira, procurando esconder a realidade.
 
Outros aproveitam o espaço para encher de coisas, às vezes parecendo um verdadeiro depósito. Enchem de flores, imagens, e o que mais a imaginação conseguir criar.
 
A melhor opção que já vi para este problema do grande espaço atrás do altar é o de aproveitá-lo com bancos ou cadeiras para as lideranças, os ministros, e, quando houver uma pequena comunidade, celebrar de costas para a entrada, com os fiéis ocupando estes bancos entre o altar e a parede de fundos.
 
Altura do presbitério.
 
Na antiga liturgia o presidente da celebração não interagia com a assembléia, a celebração se dava de costas para os fiéis, o presbitério era alto para valorizar este espaço e a posição de quem o ocupava e para separar ainda mais o fiel do clero. Hoje, um presbitério muito elevado prejudica o bom andamento da liturgia, prejudica a comunicação com a assembléia e a participação desta.
 
Pior que um presbitério com uma escadaria grande, é aquele que deixa só um trecho de escada e o restante com um paredão na altura do presbitério. A sensação de isolamento e de separação é ainda maior. Dá a impressão de um palco de teatro.
 
É muito difícil fazer uma reforma que diminua a altura do presbitério porque este tem ligação com sacristia e outros espaços laterais ou de fundos com o mesmo nível, mas é possível rebaixar pelo menos a frente onde está colocado o altar e o ambão, onde se dá a maior parte da celebração. Há casos, muito bem resolvidos em que o altar foi trazido para baixo, para o nível da assembléia. Isto é possível em igrejas pequenas ou com a assembléia em pequena rampa em direção ao presbitério, como foi o caso da paróquia dos frades dominicanos em Perdizes – São Paulo.
 
 
 
Pouco espaço ao redor do altar.
 
Este problema surge porque ou o presbitério é muito pequeno ou porque há muitas e grandes peças no presbitério.
Normalmente é fácil aumentar um pouco o presbitério para o lado da assembléia. O mais indicado é fazer essa introdução na assembléia em curva não prejudicando as laterais e dando a impressão do presbitério estar inserido na assembléia.
 
O presbitério é o lugar do altar, da cadeira da presidência e dos ministros e, não obrigatoriamente, do ambão e da estante do comentarista. Só! O resto pode ser retirado para dar mais mobilidade. Não há necessidade de muitos arranjos que só escondem as peças e desvalorizam o conjunto pelo excesso. Imagens também não devem estar no presbitério, como já dissemos. E as peças essenciais não precisam ser muito grandes, um altar de 1m x 1m ou 1,20m x 80 cm já basta, ambão de 30 cm x 40 cm é o necessário e uma estante leve para o comentarista, os bancos ou cadeiras para a presidência e os ministros medem 45 cm x 45 cm. Todas essas medidas são da base, não da altura.
 
Nas fotos podemos ver igrejas com o presbitério vazio de supérfluos, com pouca separação em relação à assembléia e com o vazio da parede dos fundos muito bem resolvido.
 
QUADRO RESUMO
 
O presbitério é o espaço mais importante do edifício igreja e como tal deve ser respeitado. O presbitério não é depósito. 
 
As peças essenciais no presbitério são a mesa da eucaristia, a mesa da Palavra e a cadeira da presidência e dos ministros. Pode haver uma ou duas credências, castiçais, a cruz processional, o círio pascal e uma estante móvel para os comentários e avisos. Mais nada.
 
O presbitério deve ter uma dimensão tal que os ritos possam ser realizados comodamente. Devem caber os móveis necessários e ter espaço para a mobilidade do celebrante, dos ministros e de todos aqueles que terão que estar no local.
 
O presbitério não deve estar separado nem distante da assembléia por muitos degraus nem muretas.
 
Reformas em presbitérios para adaptação litúrgica não podem ignorar a unidade da arquitetura da igreja, as reformas devem ser muito bem planejadas e as soluções improvisadas nunca são satisfatórias.
 


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