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. : Catedral Santo Antônio :.
Beijar a mesa

Ione Buyst
 
A questão apresentada é a seguinte: pode uma ministra leiga ou um ministro leigo, que preside a celebração dominial da Palavra de Deus, beijar o altar no início (e no fim) da celebração, como fazem o padre e o diácono na missa?
1. Qual a origem do beijo da mesa? Presente em muitas culturas, o beijo pode ser um simples cumprimento ou transmissão de força através do sopro (Cf. 2Rs 4,34), ou expressão de veneração, respeito, entrega espiritual, amizade, fraternidade, pertença a um determinado grupo, amor, intimidade, comunhão (Cf. Rm 16,16). Na Roma antiga, o beijo era muito presente no dia-a-dia, também na cultura religiosa. Era costume geral reverenciar o templo das divindades beijando o altar ou a soleira e os umbrais da porta do templo, ou ainda beijar ou jogar beijos para as estátuas que representavam as divindades. No entanto, é impensável que os cristãos tenham levado esta prática para suas liturgias. Evitavam confusão com os cultos pagãos; afirmavam com vigor que não tinham sacrifícios, nem sacerdotes, nem templo, nem altar. Mas um outro costume, bem familiar, pode ter sido a origem do beijo da mesa da eucaristia: em casa, beijava-se a mesa das refeições, porque era considerada sagrada1. Nada mais natural, portanto, do que beijar também a mesa da refeição eucarística. No final do século IV, este costume se generalizou em Roma. E é encontrado também em liturgias orientais, como a bizantina, síria, armênia.
2. Que sentido tem beijar a mesa na liturgia cristã? Antes de tudo, trata-se de um sinal de veneração pela mesa comum, na qual se celebra a ceia do Senhor. Com o tempo, quando já não se via perigo de confusão com os chamados cultos ‘pagãos’, a mesa foi sendo chamada de ‘altar’ e considerado representação simbólica de Cristo. Assim, o beijo dado à mesa começou a ser entendido como um beijo a Cristo e era repetido várias vezes durante a missa. Na Idade Média, o beijo do altar começou então a ser entendido como veneração dos mártires, cujas relíquias estavam incorporadas no altar; recebiam de certa forma mais atenção que o próprio Cristo.
Na renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, o beijo da mesa da eucaristia na missa volta a ser considerado simplesmente como ‘sinal de veneração’; é dado somente no início da missa pelo presidente da celebração e pelos presbíteros e diáconos concelebrantes. No final da missa, somente o celebrante principal e os diáconos beijam o altar outra vez. O beijo é dado também pelo bispo quando preside as vésperas solenes2; portanto, não se limita à celebração eucarística.
3. E no caso da celebração dominical da palavra de Deus?
Em algumas regiões do Brasil, é costume o povo chegar na igreja e ir direto para o altar e beijar a toalha. Sinal de carinho, expressão de amor. Há relatos também do costume de levar as crianças que acabam de ser batizadas para beijar o altar.
Na celebração dominical da palavra de Deus, a presidência leiga não está agindo por conta própria: tem mandato explícito ou implícito da autoridade eclesiástica. Por isso, não poderíamos considerar que, ao beijar a mesa, está venerando-a em nome da comunidade, expressando o laço que une a comunidade a Cristo? Afinal, o mais importante é a mesa do Senhor, não a pessoa que a beija. Além disso, a quem é dado autorização para distribuir a comunhão eucarística, partilhar a Palavra de Deus, presidir a celebração dominical..., não poderia realizar este gesto tão simples de beijar o altar?
Ione Buyst, doutora em liturgia, autora de muitos livros e artigos tanto no campo acadêmico quanto no campo pastoral e popular. Atua na formação litúrgica como professora universitária e como assessora de cursos, retiros e encontros de pastoral e espiritualidade litúrgica; membro da equipe de redação da Revista de Liturgia e membro da Rede Celebra.
 
1 Cf. JUNGMANN, J. A. The Early Liturgy; To the Time of Gregory the Great. 2a. ed. London, Darton, Longmann & Todd, 1963, p. 128-9.
2 Ceremonial dos Bispos, n. 196 e 208.
 


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