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. : Catedral Santo Antônio :.
A teologia subjacente do Batismo

Pe. Gregório Lutz
 
No batismo, como em todos os sacramentos e na liturgia em geral, celebramos em palavras e gestos simbólicos a nossa salvação. O batismo é, portanto, e isso salienta aos olhos, uma celebração, mas celebração de um mistério. Em consonância com estas duas dimensões do batismo, seu lado externo e sensível, e seu lado interno, espiritual, vamos neste capitulo sobre o sentido teológico do batismo primeiro mostrar a estrutura do rito deste sacramento e em seguida tentar mergulhar no mistério que se celebra, sem, no entanto, entrar nos detalhes de todos os elementos do rito e seus significados, o que será feito em outro capitulo deste subsidio.
I           A estrutura do rito do batismo
Já a estrutura do rito do batismo tem um sentido teológico. O mais evidentemente isso aparece nas duas partes principais do rito, que conhecemos, à semelhança da missa, como liturgia da palavra e liturgia sacramental. Estas duas grandes partes formam a estrutura básica também das outras celebrações litúrgicas, especialmente dos sacramentos, e, o que nos interessa agora particularmente, do batismo. Como nas outras celebrações litúrgicas, são importantes também a abertura e o encerramento do rito, em nosso caso os ritos da acolhida e os ritos finais.
1.        Deus em diálogo conosco
A liturgia da palavra abre não apenas os nossos ouvidos, mas sobretudo o nosso coração para a Palavra de Deus, para Deus mesmo. E logo damos também uma primeira resposta, que consiste na oração dos fiéis, eventualmente no canto da ladainha de todos os santos, e na oração da libertação que se concretiza na unção com o óleo dos catecúmenos. Segue então o rito propriamente sacramental. O batismo mesmo, o banho com água, é precedido pela bênção da água batismal; pois é da água e do Espírito que é invocado sobre a água, que renascemos para a vida nova dos batizados. Precede o banho batismal ainda, imediatamente, a renúncia ao mal e a profissão de fé; porque o batismo, também de crianças pequenas, é um sacramento de fé. No caso do batismo de crianças são os pais e padrinhos que têm e professam sua fé que se comprometem a transmitir a seus filhos e afilhados. Ao rito central do banho batismal seguem alguns ritos complementares que exprimem e explicam clara e sensivelmente que o batizado é ungido, como Jesus Cristo, para ser sacerdote, profeta e rei; que ele foi revestido de Cristo e que ele é luz do mundo, uma vez iluminado pelo batismo. Percebemos assim que a liturgia da palavra e a liturgia sacramental são como dois grandes momentos do diálogo amoroso de Deus com quem é batizado e toda a comunidade celebrante: Deus nos fala e nós respondemos a ele. Ele suscita pela palavra a nós dirigida a nossa fé, e na fé nós nos dirigimos a ele, já na oração e na profissão de fé, mas, sobretudo na consagração pela ação batismal.
Convém lembrar que estas duas grandes partes principais da liturgia batismal correspondem a ação de Deus na história da salvação em geral, à ação do Deus da Aliança com o seu povo. Deus oferece sua aliança a nós, que já somos seus pela criação, sobretudo através do seu Filho Jesus, que se fez um de nós pela encarnação e se humilhou até â morte de cruz. Mas o mesmo Jesus voltou ao Pai pela sua ressurreição e glorificação. Nesta volta ao Pai ele nos leva consigo, para que nós estejamos também onde ele está. Este caminho de volta ao Pai começa para cada um de nós no batismo.
2.        Deus nos acolhe e envia
Além das partes principais da celebração do batismo, da liturgia da palavra e da liturgia sacramental, os ritos da acolhida, com os quais se inicia a celebração, e os ritos finais são partes essenciais da liturgia do batismo. Sobretudo a acolhida tem neste sacramento um sentido mais profundo do que em outras celebrações; pois, em geral, as pessoas reunidas em assembléia são acolhidas para uma determinada celebração litúrgica; mas na celebração do batismo, as crianças que serão batizadas, são acolhidas como novos membros da Igreja e da família de Deus, como filhos e filhas do Pai do céu e como irmãos e irmãs de Jesus Cristo. Também para os pais e padrinhos, e mesmo para toda a comunidade, a acolhida tem na celebração do batismo uma qualidade especial, porque são eles que respondem em nome da criança ao convite e à acolhida da parte de Deus.
Nos ritos finais chamam a atenção para uma apreciação teológica o horizonte que se abre para os demais sacramentos da iniciação cristã e os diversos pedidos de bênção. De fato, o batismo e apenas o primeiro dos sacramentos da iniciação cristã, que se completará pela celebração da crisma e da eucaristia plenamente participada, como se explicita na introdução ao Pai nosso e numa eventual procissão com a criança batizada até à mesa da eucaristia
Uma bênção da mãe depois do parto faz parte da tradição antiquíssima da Igreja. Depois do Concilio Vaticano II, esta bênção recebeu um caráter mais explicito de ação de graças; e acrescenta-se a ela uma bênção também do pai. Como geralmente nas orações de bênção, a ação de graças desemboca em pedidos. Nestas bênçãos, como também naquela para os padrinhos, abre-se uma perspectiva para o futuro, para a vida de fé da criança, que dependerá muito da vida cristã dos seus pais e padrinhos.
É, portanto, no rito assim estruturado que se celebra o mistério do batismo, sobre cujas diversas dimensões refletiremos a seguir.
II        A teologia do rito do batismo
No batismo como em todos os sacramentos e na liturgia em geral, celebramos em palavras e gestos simbólicos a nossa salvação. A liturgia e também o batismo não são apenas um conjunto de cerimônias, mas em primeiro lugar ação de Deus, da qual nós participamos. Através desta participação, a obra de Cristo, realizada uma vez por todas, é levada a efeito em nós. A pergunta que nos colocamos agora, é: o que acontece de valor salvífico quando uma criança é batizada? Qual o significado profundo do batismo, dos ritos, dos gestos e das palavras que compõem a liturgia batismal? Aquilo que se realiza no batismo, o mistério que neste sacramento celebramos, é tão rico que podemos apresentar e analisar apenas alguns aspectos, e estes ainda só globalmente. Mas espero que mesmo assim se abram para nós caminhos pelos quais podemos penetrar mais fácil e profundamente naquilo que os ritos simbolizam.
1.                         O batismo é um sacramento de fé.
No Novo Ritual de Batismo de crianças não se prevê mais, no inicio dos ritos da acolhida, à primeira pergunta de quem preside, aos pais: “O que vocês pedem à Igreja”, a resposta obrigatória: “A fé”. A pergunta ficou, mas as respostas são agora espontâneas. E mesmo se nenhum pai e nenhuma mãe pedem a fé explicitamente, ela se supõe, e aquele que preside em todo caso lembrará que os pais e padrinhos devem ser pessoas de fé e dispostas a transmiti-la a seus filhos e afilhados.
Se alguém neste momento pedir a fé, deixaria claro que para ele ela é um dom gratuito, uma graça. Mas isso fica mais do que evidente já pelo fato do batismo de crianças. A criança não tem ainda fé, ela só a pode receber. A semente da fé lhe será dada pelo batismo, mas esta semente deve brotar e crescer com a ajuda dos pais e padrinhos e de todo a comunidade eclesial na qual ela vai crescer. De qualquer maneira, a fé não é algo que tenha sua origem ou sua fonte em nós. Ela nos é dada por Deus que se inclina para nós como um pai ou uma mãe, que nos chama, que nos fala, que nos ama. É claro que este volver-se de Deus para nós, quase que naturalmente, exige que nós nos voltemos para ele para dar-lhe a nossa resposta , pela qual o reconhecemos como Criador e Pai, que nos deu a vida natural através dos nossos pais, mas que no batismo nos faz participantes da sua própria vida divina, da vida eterna.
Desde os primórdios da Igreja, a fé como abertura do coração humano diante de Deus que nos salva por Jesus Cristo, é condição indispensável para o batismo. No dia de pentecostes, depois do discurso de São Pedro “todos ficaram de coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Irmãos, o que devemos fazer?’ Pedro respondeu: ‘Arrependam-se e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo’” (At 2,37s). No mesmo livro, nos Atos dos Apóstolos, lemos também como o diácono Felipe tinha explicado ao eunuco da Etiópia a Escritura e anunciado Jesus, e como 0 eunuco então pediu o batismo. Felipe lhe disse: “É possível se você acredita de todo coração”. Ao que o eunuco respondeu: “Eu acredito que Jesus Cristo é o Filho de Deus”. E Felipe o batizou (At 8,37s).
Estes e muitos outros textos do Novo Testamento nos mostram a relação intima entre fé e batismo: a fé que nasce da pregação da palavra de Deus é condição para o batismo. É isso que nos lembradas observações preliminares gerais para a iniciação cristã: “O batismo é, antes de tudo, o sinal daquela fé com a qual os seres humanos respondem ao evangelho de Cristo, iluminados pela graça do Espírito Santo” (n. 3).
Evidentemente, no caso do batismo de crianças, aquele que recebe o sacramento não pode acolher a palavra divina, nem fazer um ato de fé. Em lugar das crianças, são os pais e padrinhos que professam a fé. São eles que, no diálogo introdutório, assumem com a comunidade o compromisso de educar o batizado na fé. Eles renunciam a satanás e proclamam a sua fé; eles pedem que a criança seja batizada na fé da Igreja que acabam de professar; o pai recebe e acende a vela que simboliza Cristo que iluminará a vida do batizado.
Por ser o batismo um sacramento de fé, exige-se do candidato adulto uma preparação prévia, o catecumenato, para que ele se possa aproximar do batismo com uma fé viva. Igualmente os pais e padrinhos de uma criança a ser batizada precisam ter uma fé sólida para poderem educar seus filhos e afilhados na fé. Aos pais e padrinhos que não têm tal fé, oferecesse uma ajuda para revigorar sua fé, a fim de que possam cumprir sua missão de ser o primeiros mestres da fé da criança que apresentam para o ,batismo. Mais tarde, também a comunidade eclesial ajudará a criança a crescer na fé, particularmente pela catequese. Este processo de crescimento na fé será marcado pela celebração dos dois outros sacramentos da iniciação cristã, da (primeira) eucaristia e da confirmação.
2.                         O batismo nos faz membros da Igreja
O primeiro sinal que fala aos nossos sentidos na celebração do batismo, do ministério que nela se realiza, é a comunidade reunida, pronta para acolher um novo membro. Pode ser que seja toda a comunidade do lugar ou do bairro, reunida talvez para a missa dominical; pode ser que sejam apenas os pais, padrinhos e parentes das crianças que vão ser batizadas nessa hora. Em todo caso, na assembléia concreta torna-se presente a Igreja de Jesus Cristo.
Nesta assembléia, nesta igreja as crianças a serem batizadas são acolhidas. O batismo não cria apenas uma nova relação com Deus, mas igualmente com o povo de Deus e até com os santos do céu, que são invocados na ladainha de todos os santos ou pelo menos no fim da oração dos fiéis. Muitos textos do Novo Testamento nos falam desta inserção do batizado na família de Deus, no corpo de Cristo. São Pedro, por exemplo, escreve que como pedras vivas somos inseridos na construção do templo espiritual, que é a Igreja (Cf 1 Pd 2,5). São Paulo afirma: “Quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres, todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo”(1 Cor 12,13). Recebemos o dom da fé e a graça do batismo na Igreja, para sermos Igreja.
O Cristo ressuscitado tinha dado aos apóstolos a tarefa de fazer com que todas as nações se tornassem discípulos dele, batizando-os e ensinando-os (cf. Mt 28,19s). A Igreja cumpriu esta missão desde o primeiro dia de sua existência. Nos Atos dos Apóstolos (2,41.47; 5,14; 11,24) lemos como os batizados foram agregados à Igreja e como assim cresceu o número daqueles que seriam salvos. Sobretudo são Paulo vê uma relação indissolúvel entre batismo e comunidade ou Igreja. O mais claramente possível ele exprime essa visão na fórmula: “Há um só corpo e um só Espírito, assim como ê uma só a esperança da vocação com que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Et 4, 4-6).
O rito de acolhida chega a seu ponto culminante na assinalação com a cruz. Esta é a marca que diz que o batizado pertence a Jesus Cristo. Diz igualmente que pertencemos à Igreja que é a comunidade daqueles que seguem Jesus, carregando sua cruz de uma vida sofrida, dedicada aos outros, sempre de doação no dia-a-dia, até a morte. Entramos, no entanto, com o batismo num caminho que não termina com a morte, mas que nos leva através da morte a uma vida nova, à vida verdadeira, já neste mundo, mas sobretudo e plenamente no mundo novo, na Jerusalém celeste.
3.                         Somos batizados na água e no Espírito
No seu encontro noturno com Nicodemos, Jesus fala do batismo como de um novo nascimento “da água e do Espírito” (Jo 3,5).
De fato, o batismo é sempre realizado com água: por imersão, infusão ou aspersão. Água é um elemento que tem uma importância extraordinária: serve para limpar e é bebida; toda vida nasce da água; mas a água e também uma força que pode destruir. Ela tem significados que remetem para além dela e de seus efeitos próprios. Ela simboliza libertação de culpa, morte e renascimento. Podendo significar morte e vida, a água serve, em várias religiões, para indicar a entrada de alguém numa comunidade ou passagem de uma fase de vida para outra. No judaismo encontramos vários tipos de purificações e banhos. A lei prescreveu abluções cúlticas em certas doenças e no caso de contato com animais impuros ou cadáveres. Os profetas dão um sentido mais profundo a estas abluções. Eles anunciam que Deus purificará no futuro os corações e que ele derramará, como água, o seu Espírito. No tempo de Jesus, exigia-se dos pagãos que queriam aderir à religião judaica o banho ou o “batismo dos prosélitos”. João Batista batizou aqueles que esperavam o perdão dos seus pecados e queriam começar uma vida nova. Jesus também foi batizado por João. Mas o batismo de Jesus manifestou novos elementos, aquela novidade que os profetas tinham anunciado para a era messiânica: desceu o Espírito Santo e o Pai proclamou Jesus como seu Filho.
A Bíblia nos conta logo na primeira página que desde o principio “ó Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2). Do seio desta água ia nascer a vida. Quando o autor sagrado fala do Espírito que pairava sobre as águas, ele pensava, sem dúvida, nesta fecundidade extraordinária da água. No entanto, quando o Espírito Santo fecunda a água do batismo, há nascimento para uma vida mais sublime, para a vida do próprio Deus. Da água e do Espírito nascem no batismo os filhos e filhas de Deus.
A oração sobre a água batismal lembra a presença de Deus sobre as águas na origem do mundo, nas águas do dilúvio e na passagem dos filhos Abraão pelo Mar Vermelho e, finalmente, quando Jesus foi batizado no rio Jordão, e pede que “desça sobre esta água a força do Espírito Santo” e pede que “desça sobre esta água a força do Espírito Santo” e “que o Espírito Santo dê por esta água a graça de Cristo, a fim de que homem e mulher... sejam lavados da antiga culpa pelo batismo e renasçam pela água e pelo Espírito Santo para uma vida nova”.
4.                         O batismo nos lava do pecado
No grande Credo da missa, no símbolo Niceno-Constantinopolitano, professamos “um só batismo para a remissão dos pecados”.
Já o uso da água no ato de batizar indica este sentido: Quando lavamos, o fazemos para limpar, para purificar. O batismo por imersão, que sempre era e ainda é uso geral nas Igrejas orientais e que no nosso novo Ritual para o Batismo de Crianças figura como primeira opção para a realização do banho batismal, mostra ainda mais claramente do que as outras maneiras possíveis de se realizar o batismo, a purificação interior. Se vemos na imersão , como são Paulo o faz na carta aos romanos (6,3-7), o sepultamento do “nosso velho homem”, fica evidente para os olhos da nossa fé que o batismo liberta da culpa e da escravidão do mal. Além do rito da água, os textos da liturgia batismal lembram que este sacramento tira o pecado. Quando um adulto é batizado, todos os pecados que ele tinha cometido na sua vida anterior são perdoados, se ele estiver arrependido; no caso de uma criança pequena, é tirado o pecado original, a raiz do pecado. A oração sobre a água pode servir como exemplo de tais textos: “Ó Deus, ... ao longo da história da salvação vos servistes da água para fazer-nos conhecer a graça do batismo... Nas águas do dilúvio prefigurastes o nascimento da nova humanidade, de modo que a mesma água sepultasse os vicias e fizesse nascer a santidade. Concedestes aos filhos de Abraão atravessar o Mar Vermelho a pé enxuto, para que, livres da escravidão, prefigurassem o povo, nascido da água do batismo”. No fim desta oração pedias que “homem e mulher, criados à vossa imagem, sejam lavados da antiga culpa pelo batismo”.
Esta fé no “batismo para a remissão dos pecados”, que a liturgia expressa em gestos e palavras, remonta às origens da Igreja. No dia de pentecostes, São Pedro disse: “Seja cada um de vós batizado em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos pecados” (At 2,38). E Ananias a Paulo: “Recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados” (At 22,16). Na carta aos Efésios (5,25) São Paulo lembra “como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela palavra”. Estes são apenas alguns exemplos de muitos textos em que o Novo Testamento testemunha a mesma fé.
5.                         O batismo nos dá nova vida
Na bênção da água batismal pedimos: “Que o Espírito Santo dê, por esta água, a graça de Cristo, a fim de que homem e mulher, crivados à vossa imagem, sejam lavados da antiga culpa pelo batismo e renasçam para uma vida nova”. Logo depois do ato de batizar, quem preside a celebração se dirige àqueles que neste momento serão ungidos com o crisma, dizendo: “Vocês renasceram pela água e pelo Espírito Santo”. Na entrega da veste batismal ele diz: “Vocês nasceram de novo”.
Assim a liturgia do batismo torna explicita a fé da Igreja, que é baseada nas palavras de Jesus a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo, quem não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). E logo depois Jesus continua: “Em verdade, em verdade te digo: Quem não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é Espírito. Não te admires de eu te haver dito: Deveis nascer do alto. O vento 'sopra onde quer, e ouves o seu cuido, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 5-8).
Nos escritos de São Paulo o batismo não é diretamente chamado “nascimento”, a não ser “banho de regeneração” (Tt 5,5); mas ë uma verdade fundamental para São Paulo que o batizado vive uma vida nova.
Não é fácil explicar teologicamente esta vida nova. Mas mesmo se acreditamos que Deus é Pai de todos os seres humano e que Jesus Cristo morreu para salvar a todos, não se pode negar a novidade da vida daqueles que por terem sido batizados podem chamar Deus de “Abba, Pai!”, que se tornaram “herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” e “templo do Espírito Santo” (Rm 8, 15-17; 1 Cor 6,19).
Embora isso não seja dito explicitamente em algum texto ou claramente indicado por um gesto simbólico do rito do batismo, é evidente que a vida nova do batizado é participação da vida de Deus que é um em três pessoas. De fato, as três pessoas divinas “entram no jogo” do batismo. O Pai aparece como fonte também da vida nova que o batismo dá. Pode-se considerar esta vida nova mais diretamente participação da vida do Filho de Deus, no qual somos filhos e filhas do Pai do céu. Conforme afirma São Paulo,(Rm 8,15; Gl 4,6), esta filiação acontece pelo Dom do Espírito Santo. Em todo caso, é a vida única de Deus, do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que recebemos no batismo. No fundo é isso que nos querem dizer as palavras centrais do rito do batismo: “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
6.                         No batismo celebramos o mistério pascal
O caráter pascal do batismo é talvez a dimensão mais fundamental deste sacramento e quase que um resumo de toda a teologia batismal.
Já na oração sobre a água a pascalidade do batismo é evidente, sobretudo quando na última parte desta oração o círio pascal é mergulhado na água a ser abençoada: “Concedestes aos filhos de Abraão atravessar o Mar Vermelho a pê enxuto para que, livres da escravidão, prefigurassem o povo nascido na água do batismo”. Terminando esta oração, quem preside diz: “Nós vos pedimos, ó Pai, que por vosso Filho desça sobre esta água a força do Espírito Santo. E todos os que, pelo batismo, forem sepultados na morte com Cristo, ressuscitem com ele para a vida”.
Na teologia batismal de são Paulo a dimensão pascal do batismo ocupa um lugar de destaque. Seja por ora suficiente lembrar como ele na carta aos romanos (6,3-11) relaciona o batismo à pessoa e à morte e ressurreição de Jesus: Pelo mergulho de quem é batizado na água batismal e o surgir da mesma realiza-se nele aquilo que Jesus sofreu e fez na sua páscoa. Quem é batizado, morre e recebe a promessa de ressuscitar com Cristo.
O antigo ser é entregue à morte, a fim de que o batizado seja doravante livre para Deus. 0 batismo determina toda a sua vida. Morto e ressuscitado com Cristo, ele deve evitar todo pecado e estar à disposição de Deus e dos seus irmãos e irmãs, vivendo uma vida nova.
Que o batismo é celebração da páscoa evidencia-se também pelo costume que herdamos da Igreja antiga, de celebrar este sacramento na noite da páscoa ou, se isso não for possível, num domingo, que é a celebração semanal da páscoa. É por isso que nas observações preliminares, para o batismo de crianças lemos: “Para pôr em evidência a índole pascal do batismo, recomenda-se a sua celebração na vigília pascal, ou no domingo, dia em que a Igreja comemora a ressurreição do Senhor” (n. 9).
7.                         O batizado participa da missão de Cristo sacerdote, profeta e rei
À ação central do batismo, ao banho de água, segue a unção dos recém-batizados com óleo de crisma no alto da cabeça. As palavras que precedem esta unção pós-batismal explicam o sentido da mesma: “Queridas crianças, pelo batismo Deus Pai as libertou do pecado e vocês renasceram pela água e pelo Espírito Santo. Agora fazem parte do povo de Deus. Que ele as consagre com o óleo santo para que, inseridas em Cristo, sacerdote, profeta e rei, continuem no seu povo até a vida eterna”.
No Antigo Testamento os sacerdotes, os profetas e os reis eram ungidos. Eles eram, no entanto, apenas protótipos, prefigurações de Jesus, que é O Ungido (em grego: Cristo; em hebraico: Messias). Quando Jesus foi batizado no rio Jordão, manifestou-se, pela descida do Espírito Santo sobre ele em forma de pomba, que ele era o Ungido anunciado; e, a partir de então, ele exerceu sua missão de profeta, sacerdote e rei. É também desta tríplice missão de Jesus, e não somente da vida divina dele, que os batizados participam.
O Novo Testamento nos fala explicitamente da missão sacerdotal dos batizados: “Àquele que nos ama, e que nos lavou dos nossos pecados com seu sangue, e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, o Pai, a ele pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap 1,5s). São Pedro escreve: “Dedicai-vos a um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pd 2,5); e mais adiante: “Vós, porém, sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa”(1 Pd 2,9).
Parece bom lembrar que a missão dos batizados de serem sacerdotes, profetas e reis, não se limita à liturgia. Exercemos nossa missão em primeiro lugar e sobretudo na vida. A liturgia é o ponto culminante da vivência do sacerdócio existencial, do testemunho e do senhorio sobre si mesmo e tudo que Deus colocou à nossa disposição. Em tudo o batizado deve proclamar o evangelho, e sempre ele é responsável por si mesmo, seus irmãos e irmãs e o mundo inteiro. Na liturgia celebramos aquilo que em nosso dia-a-dia vivemos.
8.                         O batismo é a porta da vida no Espírito
Na entrada de alguns batistérios antigos encontramos a inscrição “Ianua vitae spritalis" –“Porta da vida no Espírito”. Nessas palavras se exprime uma das convicções mais profundas da espiritualidade cristã antiga, a saber, que o batismo é o começo e a base de toda a nossa vida de cristãos. A partir do batismo ela se deve desenvolver e consumar, e isso na força do Espírito de Deus.
Mais do que qalquer outro texto da liturgia batismal, a bênção da água mostra como no inicio do ser cristão estã o Espírito Santo, o Espírito que já na origem do mundo pairava sobre as águas, o Espírito que se manifestou sobre Jesus quando ele foi batizado no Jordão, o Espírito que nos faz nascer para uma vida nova no batismo e com a força do qual a água do batismo traz a participação da morte e da ressurreição de Jesus Cristo.
Esta fé no batismo como porta da vida no Espírito encontra-se explicitada no Novo Testamento, além do 3ª capítulo do evangelho de São João, sobretudo nos escritos de São Paulo. É o “poder regenerador e renovador do Espírito Santo” (Rt 3,5) que opera no batismo. Fomos lavados, santificados e justificados “em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus” (1 Cor 6,11). O Espírito faz de nós em Cristo filhos e filhas de Deus, o que nos dá o direito de chamar Deus de Pai (Cf. Rm 8,15; Gl 4,6). Mais ainda: “Deus nos marcou com seu selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito” (2 Cor 1,21). Por isso, o batismo foi chamado também de signação. Agora e para sempre somos marcados com o sinal de Deus. Com a tradição da Igreja o Catecismo da Igreja Católica chama este selo de caráter sacramental e explica que “esta configuração com Cristo e com a Igreja, realizada pelo Espírito, é indelével, permanece para sempre no cristão como disposição positiva para a graça, como promessa e garantia divina e como vocação ao culto divino e a serviço da Igreja” (n. 1121).
O dom do Espírito em plenitude será dado ao batizado na confirmação. Para o pleno desenvolvimento da vida cristã o Senhor dá o seu Espírito e se dá a si mesmo cada vez quando celebramos a eucaristia. Os outros sacramentos marcam momentos decisivos da existência humana, em que Deus está ao nosso lado com a sua força salvífica. Mas não somente nos pontos altos o Espírito é nossa força. Ele nos anima sempre, dá sentido a tudo que fazemos e sofremos. Ele transforma o nosso dia-a-dia e nos faz viver já a vida realmente nova, a vida que é eterna.
Evidentemente, a vida no Espírito não é simplesmente um dom que recebemos rio batismo, nos outros sacramentos e no decorrer da vida. Ela ë um dom para o qual nos devemos abrir sempre de novo. Assim se realiza em nós o que o profeta Isaias tinha anunciado para o Messias e o que este confirmou de si mesmo na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18), mas que também cada batizado pode dizer de si, na medida em que está aberto para o Espírito. Só com a luz e a força do Espírito de Deus poderemos transformara mundo e colaborar na vinda do Reino de Deus.
A disposição constante de receber o dom que é o Espírito Santo, assim como a convivência e a cooperação com o mesmo Espírito devem realizar-se em comunidade, na Igreja. Cabe à família ajudar a criança a conhecer e a assumir inicialmente a vida no Espírito; igualmente importante é que os pais e padrinhos a introduzam na vida da comunidade eclesial, onde a vida no Espírito poderá atingir plena força e maturidade. É claro que não há caminho melhor de se introduzir uma criança na vida eclesial do que dando o exemplo de participação ativa na comunidade da Igreja, que é o lugar onde paira o Espírito Santo.
 


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