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Fonte: Católico.org
 
 
 
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Arte sacra: experiência do mistério de Deus

Pe. Egídio Balbinot
 
Introdução
 
O Concílio Vaticano II definiu a arte como uma das empresas mais nobres do espírito humano (SC 122). Define a arte sacra como sendo a melhor expressão da arte religiosa. Passados mais de 40 anos do Concílio ainda percebe-se um pouco de confusão entre arte religiosa e arte sacra. Fala-se de arte sacra englobando todo o tipo de arte realizada nas igrejas, inclusive os objetos de culto.
Neste breve texto pretende-se esclarecer os conceitos de arte sacra e arte religiosa e aprofundar qual é a função da arte sacra no momento em que vivemos.
 
1. O que é arte
 
O termo “arte” vem do latim “ars” significando técnica, habilidade. Normalmente entende-se arte como uma atividade ligada a manifestações estéticas do ser humano. Hoje se entende também o termo arte como atividade artística ou o produto da atividade artística. Ernest Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas.[1]
Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma beleza transcendente. Dessa forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de arte, desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. Como foi mencionado, a tendência é considerar o termo arte apenas relacionado, diretamente, à produção das artes plásticas.
A arte também pode ser definida, mais genericamente, como o campo do conhecimento humano relacionado à criação e crítica de obras que evocam a vivência e interpretação sensorial, emocional e intelectual da vida em todos os seus aspectos.
Toda verdadeira obra de arte fala de Deus; mesmo que acidentalmente, devido à fraqueza humana, pudesse levar-nos ao pecado. E não apenas pelo que fala, mas sobretudo, tanto maior a emoção despertada, pelo desejo que acende em nós de uma beleza mais alta.
Alguns autores afirmam ser difícil estabelecer distinções entre os termos arte sacra, arte litúrgica, arte religiosa e até mesmo, arte em geral. No entanto, pretende-se aqui, destacar algumas características próprias, especialmente relacionadas à arte sacra e religiosa.
 
2. Imagem de culto e imagem de devoção
 
Para chegar a uma definição mais compreensível de arte sacra, Cláudio Pastro, esclarece anteriormente o que é “imagem de culto” e o que é “imagem de devoção”. [2]
 
Imagem de culto                                           Imagem de devoção
Procede do ser objetivo de Deus. Só Deus é, o mundo é obra sua. Deus opera sobre e dentro do mundo. Habita e vem ao mundo em sua Palavra. Em sua encarnação Cristo funda a instituição salvadora que é a Igreja, conduzindo-a através da história, depois de ressuscitar, regendo-a no Espírito.
Parte do interior do individuo e do interior da comunidade crente do povo, da época, suas correntes e movimentos, da experiência do homem crendo e vivendo a fé. Apesar de se referir a Deus e seu governo, o faz como conteúdo da piedade humana.
 
Vem da transcendência e está dirigida à transcendência.
Surge da imanência, da interioridade.
A interioridade é divina, seu domínio está na esfera do céu. Não há nada para analisar, ou entender, mas se manifesta aquele que reina e o homem emudece, contempla, reza.
Não dá tanta expressão à realidade sagrada mas à realidade experimentada. Se trata de adquirir um predomínio sobre o objeto da experiência.
Na imagem de culto não se pergunta quem fez, como fez, porque fez, pois ela se impõe.
Sente-se a personalidade de um homem determinado, o que comove, a experiência, um entendimento de pessoa a pessoa.
Tem autoridade em si mesma. É Kerigma. Manifesta que Deus existe. Anuncia. Ordena que o homem adore. Eleva o homem do seu âmbito próprio ao sobrenatural. Com isso o homem se purifica, se ordena, se renova, se transforma.
Não tem autoridade, só a força de seu ser e vida interior. Elevando o homem acima de si mesmo, o leva numa mesma linha de sensibilidade.
 
É sagrada ética e religiosamente. Nela se faz perceptível o “tremendum”, o inacessível, o gloriosamente temível. O homem toma consciência que é criatura.
Descansa nas relações de semelhança e transição. A interioridade do homem se prolonga na imagem. A imagem de devoção mesmo que esteja na igreja, está enquanto a Igreja é o lugar de experiências religiosas, lugar de edificação. Porém, estas imagens não são necessárias para o mistério da salvação.
Na arte de culto as linhas e formas rígidas apresentam o mistério
Na arte de devoção as linhas e formas são agitadíssimas, envolventes, numa experiência humana do sagrado. Quer criar meios para “hipnotizar”, para sugerir o religioso.
 
 
 
 
3. O que é arte sacra
 
A partir das distinções acima é possível traçar algumas características, que vão definindo o que seja arte sacra.
Na Sacrosanctum Concílium nº 122, aparece uma distinção: dentro da arte em geral, devemos distinguir, num círculo menor, a arte cristã, e, dentro da arte cristã, num círculo menor ainda, a arte sacra.
Para alguns autores “chama-se de arte sacra somente a arte consagrada a Deus, ou por um ato interno, ou por intencionalidade inerente à obra, ou ainda apenas por indicar a sublimidade da atividade artística, definível como divina”.[3]
A arte sacra é objetiva, ela vem da essência do mistério da própria religião. A arte religiosa é devocional, é subjetiva; ela vem do freguês, que opta por esse ou aquele santinho; não tem nada a ver com o mistério do cristianismo.
Segundo Cláudio Pastro, "a arte sacra é algo feito do ser da Igreja, da profundeza do ser cristão, é uma continuidade da liturgia e da celebração cristã e se põe a serviço da Igreja. A função da arte sacra é testemunhar Jesus Cristo. Ela é o visualização plástica do evangelho, a petrificação dos dogmas, e por isso, nos aproxima mais do verdadeiro ecumenismo cristão do que qualquer outra coisa. Ela também é educativa”.
A obra de arte sacra é um fenômeno comunicativo, tem como objetivo expressar uma verdade que vai além do racional, do conhecido, do humano. Seu objetivo é celebrar com a comunidade. Não é apenas a expressão do artista, mas de toda a comunidade na qual ele está inserido e a qual sua arte serve. É uma arte simbólica e teocêntrica. Suas formas são simples, cruas, as cores são chapadas e sem nuances, sem efeitos especiais. É expressão de algo maior, não cabe em si mesma. A arte sacra é meio e não fim. Não tem a presunção de ser o centro, o fim em si mesma, ao contrário, sabe que serve a algo maior. Não é antropológica, nem lírica, nem acadêmica. É uma arte imaginativa, geométrica, abstrata e idealista.
A arte sacra faz um todo com a liturgia na construção do espaço do sagrado. Não tem razão de ser fora deste contexto, não serve para decorar a sala de uma casa, por exemplo.
A verdadeira arte sacra não é de natureza sentimental ou psicológica, mas ontológica e cosmológica. A arte sacra ultrapassa o pensamento do artista, seus sentimentos e suas fantasias. Vai além dos limites da individualidade humana.
A Arte sacra é um veículo do Espírito que serve ao humano e não o humano que serve o Espírito. A arte sacra é a arte capaz de expressar dentro do possível, a presença do “mistérium tremendum et fascinosum”.
 
4. O que é arte religiosa
 
A arte religiosa requer implica ou explicitamente a fé. Porém, apesar de apontar para o sagrado, ela não é necessariamente uma extensão da liturgia, entrando muitas vezes no devocionário, no decorativo, no assessório. As pinturas do Renascimento e do Barroco são exemplos deste tipo de arte. Os estudos dos grandes mestre desta época tinham por meta reproduzir a realidade, a anatomia do corpo humano, o naturalismo antropocêntrico.
Conclusão
 
Em síntese, a arte sacra é feita do ser da Igreja, procurando expressar o mistério, o sublime. É uma extensão da liturgia, da teologia, da tradição inspirada na palavra. A arte religiosa fala sobre o sagrado, mas não parte necessariamente de dentro do sagrado.
A finalidade da arte sacra é permitir que o sagrado se manifeste ao homem, e não o contrário, o homem para Deus.
“A arte sacra nos ajuda a viver a dialética entre o tempo e a eternidade, terra e céu, vida e imortalidade. A arte sacra deve nos fazer intuir e perceber que dentro do histórico irrompe o supra-histórico, dentro do cotidiano emerge o sobrenatural, dentro do esforço e da luta de cada dia, a gratuidade da graça de Deus. A arte transcende e espiritualiza a matéria. Dentro do sensorial ela faz eclodir o espiritual. (...) Assim como Maria Madalena de repente reconheceu o Cristo, onde antes via apenas o jardineiro, a arte sacra deve nos ajudar a reconhecer na liturgia a presença do Cristo Ressuscitado, para podermos exclamar como Maria: Rabbuni! Mestre! ( Jo 20, 11-18).” [4]
A função da arte sacra é testemunhar o Cristo, o Deus vivo, a plasticidade dos evangelhos e a tradição da Igreja. A preocupação está na maior comunicação do mistério. Daí que o artista sacro deve ser alguém que tenha intimidade com a teologia e a sagrada escritura. Os cristãos orientais levam isso tão a sério que o pintor sacro não assina sua obra porque o verdadeiro autor é Deus.


[1] GOMBRIGH, Ernst H.; A história da arte; São Paulo: LTC. Editora, 2000.
[2]Para o que segue abaixo cf. PASTRO, Claúdio. Arte sacra e espaço sagrado hoje, São Paulo, Loyola, 1993. p. 110 a 120.
3 GATTI, V. Arte. In: Domenico Sartore e Aquille M. Triacca, Dicionário de Liturgia, São Paulo, Paulinas, 1992 p. 88
[4] BUYST, Ione. Jesus Cristo, a arte e o povo. In: A vida em Cristo e na Igreja, maio-junho de 1980, p. 3.


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