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Fonte: Católico.org
 
 
 
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Romaria da terra: inculturação da peregrinação

Pe. Egídio Balbinot
 
Introdução
 
A palavra romaria provém dos termos romerus, romerius, romipeta ou romarius, nomes dados aos peregrinos que a partir do século VI se dirigiam para Roma, devido a expansão muçulmana na Terra Santa.
Com a formação das várias línguas nacionais, o termo foi assumido pela linguagem popular: romeo ou romipeto, em italiano; romieu, em francês; romero, em espanhol, romeiro, em português; romaign, romen ou roam, em inglês.[1]
A cada ano acontecem inúmeras romarias da terra pelo Brasil, reunindo milhares de pessoas. Em todas elas, o ponto central são os problemas do povo, sua caminhada e suas formas de organização e resistência.
A romaria da terra tem pois como finalidade celebrar a luta pela terra, tendo como fonte de inspiração a espiritualidade do caboclo catarinense, alimentada pelo monge João Maria e que tem sua fonte principal nos cruzeiros feitos de cedro. A cruz de cedro foi o símbolo da luta pela resistência na terra, marcada por uma profunda mística religiosa. O núcleo da espiritualidade de João Maria era “estender as condições das bem-aventuranças a toda a terra, destruindo o mal, simbolizado pela República. A restauração da Monarquia era o mesmo que a inauguração do tempo final, em que Deus se tornaria visível”.[2]
Na romaria da terra, seguindo os passos de João Maria e carregando a cruz de cedro, os romeiros reforçam a mística e a espiritualidade para continuar “uma luta sem guerra”, na conquista de terra, justiça e liberdade para os excluídos da terra.
Neste texto, pretendemos fazer uma comparação entre as romarias tradicionais e as romarias da terra apresentando as semelhanças e as diferenças que nelas ocorre. Teremos também como ponto de referência as romarias da terra de outros Estados, especialmente do Rio Grande do Sul, por terem fundamentalmente as mesmas características das romarias da terra de Santa Catarina, ou seja, a celebração das lutas pela terra.
Como ponto de partida, no quadro a seguir, apresentaremos alguns elementos de comparação entre as romarias da terra e as romarias aos santuários: [3]
 
 
 
ROMARIAS AOS SANTUÁRIOS
ROMARIAS DA TERRA
Local: Santuário
Local: Campo aberto
O romeiro se prepara para a romaria
São preparadas pela CPT e pelos agentes de pastoral
Os romeiros contam ou recordam as graças que receberam
Os romeiros narram seus sofrimentos lutas e conquistas
Pagamento de promessas
Não há pagamento de promessas
Controle da Igreja oficial ou dos
encarregados pelo santuários
Controle da CPT
Só os Bispos e os padres falam
Falam os bispos, os padres e os leigos
Tradição religiosa
Tradição de luta
Tema religioso
Tema sócio-político
Cantos religiosos tradicionais
Cantos de compromisso e de luta
Esmola para o “santo”
Coleta para as despesas da romaria
Pedidos ao “Santo”
Carta de reivindicação, agradecimento ou denúncia
Confissão sacramental
Caminhada penitencial
Venda de objetos religiosos
Venda de subsídios, recordações da romaria e símbolos populares
Bênção de objetos religiosos
Bênção de sementes
Procissão
Caminhada de recordação das lutas e vitórias
Festa com objetivo de lucro
Confraternização
Sacramentos: Eucaristia, penitência, batismo
Sacramento: Eucaristia
 
Tendo como ponto de referência o quadro acima, aprofundaremos alguns elementos característicos das romarias da terra.
 
1. Romaria da terra: recuperação da memória das lutas do povo
 
As romarias da terra se inserem no contexto da religiosidade popular. Elas têm, porém, como um de seus principais pilares a recuperação social das lutas do campo. Elas recuperam fatos históricos de especial significado para o povo retomando e recriando o imaginário coletivo popular.
Citamos, como exemplo, a primeira romaria da terra do Rio Grande do Sul e a primeira romaria da terra de Santa Catarina.
A primeira romaria da terra do Rio Grande do Sul realizou-se no dia 7 de fevereiro de 1978. O objetivo da romaria era recuperar a memória das lutas pela terra, lembrando os 350 anos do martírio dos missionários jesuítas Roque Gonzales e companheiros, os 222 anos da morte de Sepé Tiarajú (indígena assassinado em fevereiro de 1756) e os 458 anos do martírio permanente do povo indígena no Brasil.[4]
A primeira romaria da terra de Santa Catarina também teve como eixo motivador a luta dos pequenos pela terra na guerra do Contestado. A romaria propiciou uma nova leitura da história, não a partir da história oficial, mas a partir da ótica dos fracos. Essa recuperação histórica “trouxe uma força enorme para os romeiros de Taquaruçu.(...) Reacendeu sem dúvida, nesse dia, nos milhares de peregrinos, a “memória perigosa” de como marcha inexoravelmente na história o processo de espoliação dos pequenos. (...) A romaria da terra de Taquaruçu foi sem dúvida uma grande releitura histórica e bíblica para nossa realidade conflitiva de hoje”.[5]
Segundo Hélcion Ribeiro, a recuperação histórica da guerra e da resistência do Contestado, através da romaria da terra, faz acordar a Igreja de Santa Catarina para descer de seus altares e ouvir os gemidos históricos do povo. A força histórica dos fracos e a luta de resistência como categorias políticas, segundo ele, têm possibilitado a partir da memória histórica dos oprimidos, novas formas de luta com os sem terra, com os acampados, com o movimento das mulheres agricultoras, com a desestabilização de sindicatos pelegos.[6]
Assim, a memória dos sofrimentos e das lutas do povo, recuperada nas romarias da terra, ajuda os romeiros a perceber a presença constante de Javé junto a eles. A memória do passado dá força e ânimo para sonhar com um futuro melhor e viver a fidelidade com Deus.
 
2. Romaria da terra: celebração das atuais lutas do povo
 
Desde as primeiras romarias da terra, notamos uma preocupação de que fossem realizadas em continuidade com as romarias tradicionais, levando, porém em conta a situação atual do povo. No convite para a terceira romaria da terra do RS, os organizadores assim se expressam: “A história de quase todas as romarias nos mostra que tiveram sua origem ou foram causadas por situações humanas do presente. Como atualmente, a terra e seu cultivo tem problemas angustiantes, nada mais justo que fazer uma romaria para celebrar especificamente as lutas. A Igreja e nosso espírito cristão não podem deixar-nos indiferentes ao que estamos assistindo: compra de terras dos pequenos proprietários, expansão da monocultura, expulsão de agricultores para outros estados, colonização enganosa, destruição do equilíbrio ecológico de nossa mãe terra, uso indiscriminado de pesticidas, exploração crescente nos preços dos insumos, sementes e máquinas”.[7]
Na romaria da terra, a vida do povo e suas lutas se tornam oração de súplica ou lamento, canto de denúncia ou de esperança, gesto de compromisso e fraternidade. A memória histórica e sua atualização contribui também para o crescimento e o fortalecimento do movimento popular.
 
3. Romaria da terra: busca da graça da vida para o povo
 
As romarias para os santuários têm como elemento motivador o pedido de graças, saúde, pagamento de promessas, reparação dos pecados, realizado de forma individualizada, através da mediação dos santos de devoção. A motivação para a romaria da terra não se situa tanto em pedidos individuais, mas em “celebrar a presença de Deus que vem para salvar e buscar forças e inspiração para caminhar com mais vida e segurança. A graça que vamos pedir na romaria da terra é mais vida para nosso povo, mais valor para poder ser uma Igreja que salva, que dá boas noticias aos pobres”.[8]
 
4. Romaria da terra: sua dimensão sócio-política
 
Mesmo mantendo muitas características das romarias tradicionais, as romarias da terra propiciam uma maior articulação entre o terreno e o sobrenatural, entre o sagrado e o profano, entre o político e o religioso. César Barreira, comentando esta relação nas romarias da terra do Ceará, afirma: “Na romaria da terra os romeiros não foram ‘pedir graças’ a Deus, mas exigir dos homens justiça na terra. Não foram pedir para ‘ganhar a vida eterna’, mas sim ganhar um ‘pedaço de terra’ para trabalhar. Não foram pagar promessa a São Francisco de Assis ou a São Francisco Xavier, mas exigir do poder público o cumprimento das promessas, como por exemplo a aplicação do Estatuto da Terra ou ‘reforma agrária já’. Nesse caso não se rezou pelos que conseguiram vencer a morte por um milagre de São Francisco, mas pelos mortos ‘heróis da luta pela terra’. A romaria da terra, carregada de todo um peso místico, conseguiu destacar a solução da problemática camponesa da esfera sobrenatural e extraterrena para o espaço terreno, considerando-a uma questão que tem que ser resolvida aqui mesmo na terra. Como diz o quinto mandamento dos romeiros: ‘Queremos terra na terra, já temos terra no céu’... A grande diferença entre as romarias que ocorrem durante todo o ano e a romaria da terra é explicitada segundo a fala de um romeiro: ‘Nas outras romarias a gente só faz orar; nessa a gente ora e pede ajuda pra ter força e coragem pra lutar por terra’. A diferença ressaltada pelo romeiro é importante para se entender que a romaria da terra não é uma negação das outras romarias, mas representa a apropriação de um espaço que já existe, incorporando uma dimensão política presente na problemática da terra”.[9]
A romaria da terra propicia o encontro e a articulação dos movimentos populares, das pastorais e de outras entidades, que lutam em defesa do povo pobre e oprimido. É essa integração que faz avançar a participação popular na vida eclesial ou nos movimentos populares. “A romaria da terra pra mim foi a semente que plantou a consciência da luta”, disse um agricultor. Assim, as romarias da terra exprimem uma visão integral da vida: nela, os lavradores fazem a ligação da palavra de Deus com a vida. Ela não é uma simples devoção. É sinal e instrumento da vida e da libertação do povo”.[10]
 
5. O santuário da terra
 
De modo diferente das romarias tradicionais, que se realizam nos santuários, as romarias da terra são realizadas em lugares abertos junto à natureza, em campos ou parques. A CPT, ao organizar as romarias da terra, valoriza mais o processo e a luta dos trabalhadores do que propriamente o santuário ou lugares santos de romaria. “É a luta que é santa, é a terra, são os mártires, as ferramentas de luta, a Bíblia, as sementes”.[11] A própria terra é o santuário vivo, onde Deus se manifesta. “O local da concentração caracteriza-se pela energia misteriosa que perpassa a todos que vão se concentrando junto ao palco. É a memória do Êxodo sendo revivida com gestos, sinais e símbolos: a palavra de Deus, os mártires da caminhada, as imagens de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida. O local da concentração deixa transparecer o verdadeiro clima familiar. Cria-se um espaço de partilha, de fraternidade, de solidariedade. É um espaço privilegiado para experimentar o sonho que foi o grito da nona romaria da terra”.[12]
Nas romarias tradicionais, o romeiro sai do seu ambiente profano para o encontro com o sagrado ou o sobrenatural, que se visibiliza no santuário, na imagem de um santo ou de Nossa Senhora.
Na romaria da terra, a aproximação com o sagrado se estabelece através da própria terra, como lugar de manifestação de Deus. A presença de Deus na terra aparece vinculada quase sempre à fertilidade, tão importante para as culturas agrárias.[13] Estabelece-se assim uma relação amorosa entre a “Mãe Terra” e os filhos da terra.
 
6. Aspecto penitencial nas romarias da terra
 
Como já aludimos anteriormente, as romarias tradicionais tem uma forte característica penitencial. Para muitos romeiros, a romaria é um caminho de purificação e de penitência para reparar os pecados cometidos.
Nas romarias da terra a caminhada penitencial procura acentuar o perdão e a misericórdia de Deus e não os pecados; despertar a sensibilidade para uma necessidade imperiosa de sair da situação de opressão, em que o povo se encontra.[14]
As romarias da terra dão ao rito penitencial um sentido de luta e esforço para o estabelecimento de uma nova ordem de paz e justiça para todos. “De outra parte, a atitude de humildade frente a Deus e o reconhecimento da limitação humana supõe uma reconciliação com a história, a natureza, a vida e a comunidade, o que na prática dinamiza o processo político-religioso”.[15]
 
7. Romaria da terra: festa dos pequenos
 
A dimensão alegre e festiva é uma das características fortes da romaria da terra. Na festa há espaço para o encontro, para o intercâmbio, para a alegria, para a partilha da comida e da bebida, para a música, para a dança, para o descanso, enfim para a ruptura com o cotidiano.
Há um clima geral de confraternização. Desaparecem também as diferenças sociais e se acentuam as atitudes de humildade e serviço.
As romarias tradicionais são festas em homenagem a um santo e um espaço de encontro de uma coletividade que se revitaliza. Apesar de terem sua motivação muitas vezes vinculada ao sofrimento, também possuem um caráter lúdico. A alegria e a esperança estão misturadas à tristeza e à dor.
Da mesma forma, as romarias da terra são verdadeiras festas populares que levam em conta o presente, o passado e o futuro. “Celebram o que se vive, ao dar ênfase às conquistas; trazem presente fatos significativos do passado comemorando-os, revivendo-os, representando-os e ritualizando-os; preparam o futuro, reproduzindo, antecipando e criando simbolicamente os acontecimentos”.[16]
 
8. Romaria da terra: celebração da páscoa do povo da terra
 
A liturgia é a celebração do mistério pascal de Jesus Cristo acontecendo na vida do povo pobre oprimido, que vai buscando a libertação pela força do Espírito Santo. O mistério pascal de Jesus Cristo, presente na vida e no processo pascal da história, é celebrado e atualizado na celebração litúrgica. Os acontecimentos da vida e o processo pascal do povo, são também na liturgia inseridos no mistério pascal de Cristo, celebrando-se assim a totalidade do mistério pascal.[17] Os fatos, os acontecimentos referentes à luta pela terra, são assim um prolongamento do único mistério pascal de Jesus Cristo. Celebrar a totalidade do mistério pascal inclui, pois, as mortes e ressurreições do povo, sua realidade social e política: “Não é possível celebrar um ato litúrgico alheio ao contexto da vida real do povo, em sua dimensão pascal”.[18]
Na liturgia das romarias da terra anunciamos a morte do Senhor na morte dos mártires da luta pela terra e na morte lenta dos sem terra, dos pequenos agricultores e de todos os marginalizados. Suas mortes estão sendo apressadas pelo sistema econômico neo-liberal.
Na romaria da terra proclamamos a ressurreição do Senhor nas ‘ressurreições’ acontecidas através das vitórias da conquista da terra, dos assentamentos, do trabalho coletivo e dos projetos alternativos.
Como celebração da caminhada do povo, a liturgia da romaria da terra celebra e atualiza a salvação-libertação de Deus em Jesus Cristo e é fonte de vida para os romeiros. Além de trazer a salvação aqui e agora, a romaria também simboliza todas as caminhadas ou iniciativas que se realizam em favor da vida e da libertação do povo.
 
9. Conclusão
 
Como conclusão deste texto apresentaremos a seguir alguns tópicos que pretendem ser uma síntese de tudo o que vimos acima sobre a romaria da terra:
- “As romarias da terra continuam a grande tradição do povo de Deus e recordam o Êxodo bíblico. Resgatam a memória do chamado que Deus faz ao seu povo para que caminhe”.[19]
- As romarias da terra, mesmo tendo elementos das romarias tradicionais, têm como elemento central a páscoa de Cristo, a partir da memória social e da atualização da realidade sócio-política do povo da terra. Assim, a vida, a fé, o sofrimento, o compromisso e a esperança do povo são ritualizados na celebração litúrgica. Como celebração da vida e das lutas do povo, as romarias da terra oferecem uma grande riqueza simbólica contribuindo assim para a renovação litúrgica da Igreja.
- A caminhada é um rito característico das romarias da terra. Vinculada ao aspecto penitencial das romarias tradicionais e ao mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo, é um rito que explicita o movimento do povo em busca de mais vida e mais justiça.
- Nas romarias da terra não se celebram outros sacramentos a não ser a Eucaristia. A celebração eucarística, realizada geralmente como encerramento, é considerada como o momento central de toda a romaria.
- As romarias da terra dão também destaque aos mártires que morreram nas lutas em defesa da terra. O testemunho dos mártires é atualizado através de símbolos como fotografias, roupas, terra banhada de sangue, etc... Para os romeiros, a lembrança dos mártires não é motivo de tristeza, mas de estimulo para continuar a luta que eles empreenderam.  
- Nas romarias da terra há uma articulação entre o político e o religioso. Há uma sacralização do espaço político e uma politização do espaço religioso.[20] Segundo César Barreira, “as romarias da terra são um momento privilegiado para entendermos a relação entre a fé e a política, entre o profano e o sagrado”.[21]
- “As romarias da terra representam para o povo uma força e um espaço sagrado de denúncia. São um alerta de que a justiça precisa acontecer. É um caminhar com Deus e para Deus. São a expressão da fé ligada às coisas da natureza, da terra, das sementes, dos frutos... É a luta pela vida: terra, saúde, respeito, dignidade, organização. As romarias da terra são uma caminhada simbólica cheia de sentido e estão permeadas de prazer e sacrifício, que o povo gosta de fazer”.[22]
- Nas romarias da terra vai surgindo espontaneamente um novo estilo de celebrar a caminhada e as lutas do povo da terra. Não se trata de um outro rito, mas de um modo inculturado de celebrar a fé.
- Nas romarias da terra os símbolos tradicionais como a cruz, a vela, a água, são resignificados dentro de um novo contexto. A cruz, por exemplo não é mais um sinal de submissão mas de fidelidade à missão. Outros símbolos atuais se tornam como que sacramentos da vida: um prato de terra, a camisa de um mártir ensanguentada, uma canga, um instrumento de trabalho, um pedaço de arame, etc...[23]
- Em relação a outras práticas eclesiais, as romarias da terra apresentam um avanço em sua dimensão coletiva, sua visão profética, seu sentido teológico vinculado à terra, seu aspecto festivo e celebrativo, seu caráter democrático, sua proposta ecumênica, sua riqueza cultural, seu compromisso político e seu apelo à utopia.[24]
Fazendo a memória do Êxodo, as romarias da terra são sempre um novo reenvio e um fortalecimento do compromisso para a ação libertadora do reino em vista de uma nova Páscoa para nossa Mãe-Terra, como bem expressa a poesia “Rompe o mar da liberdade”, de D. Pedro Casaldáliga:
Sai, meu povo, desta terra
e atravessa o Mar Vermelho,
que não é a Pátria de filhos
esta terra-cativeiro.
Rompe o Mar da liberdade
e a esperança do deserto
Quem comeu de pé a Páscoa
nem tem lucros, nem tem medos.
A promessa do Senhor
Já é Novo Testamento
Toda terra e todo povo
devem ser reino do Reino”.


[1] Cf. Vicente BO, As peregrinações na comunidade cristã, In: L’OSSERVATORE ROMANO, 2 de junho de 1994, p. 12.
[2] Maria Isaura Pereira QUEIROZ, O messianismo no Brasil e no Mundo, p. 282.
[3] Cf. Alfredo Ferro MEDINA, Dimensión política y religiosa de las romerias de la tierra, p. 91.
[4] Cf. CPT-RS, Romaria da Terra: os pequenos da terra a caminho com Deus, p. 4.
[5] Adayr Mário TEDESCO, Reencontro com a religião do povo (transcrição de programa radiofônico veiculado a 16 de set. de 1986 na Rádio Chapecó).
[6] Cf. Hélcion RIBEIRO, Contestado: a força dos fracos, REB 47:186, jun. 1987, p. 393 e 407.
[7] Folheto de convite para a terceira romaria da Terra do RS, janeiro de 1980, citada por Alfredo Ferro MEDINA, Dimensión política y religiosa de las romerias de la tierra, p. 128.
[8] Folheto de preparação para a oitava romaria da terra do RS, arquivo da CPT, Porto Alegre, RS.
[9] César BARREIRA, Contestação e fé: romeiros em busca da terra livre, in: Comunicações do ISER 20, 1986, p. 16-17.
[10] Cf. Marcelo BARROS & Artur PEREGRINO, A festa dos pequenos, p. 66.
[11] José Adilçon CAMPIGOTO, Romaria da terra: uma contribuição para a Igreja de Santa Catarina, p. 1 (texto fotocopiado, arquivo da CPT, Florianópolis).
[12] Marcos Rodrigues da SILVA, Vamos caminhar à luz de Javé, in Boletim Cheiro de Terra 16 (93), set./out. 94, p. 5.
[13] Cf. Waldomiro PIAZZA, Introdução à fenomenologia religiosa, p. 102.
[14]   Cf. Alfredo Ferro MEDINA, Dimensión política y religiosa de las romerias de la tierra, p. 205.
[15]   Ibidem p. 205.
[16] Ibidem, p. 174.
[17]   Cf. CNBB, Animação da vida litúrgica no Brasil, 50.
[18]   CNBB, Animação da vida litúrgica no Brasil, 55.
[19] Marcelo BARROS & Artur PEREGRINO, A festa dos pequenos p. 67.
[20]   Cf. Alfredo Ferro MEDINA, Dimensión política y religiosa de las romerias de la tierra, p. 288.
[21]   César BARREIRA, Contestação e fé: romeiros em busca da terra livre, in: Comunicações do ISER 20, 1986, p. 5.
[22]   CPT-RS, Romaria da terra: os pequenos da terra a caminho com Deus, p. 9.
[23]   Cf. Marcelo Barros de SOUZA, Celebrar a luta pela vida, in: Vida Pastoral, nov./dez de 1988,      p. 19.
[24] Cf. Alfredo Ferro MEDINA, Dimensión política y religiosa de las romerias de la tierra, p. 290.


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